AS EXIGÊNCIAS DO SILÊNCIO - ANSELM GRÜN

O silêncio é um meio para alcançar a “honestidade interior”, que requer evitar os quatro “perigos do falar”: a curiosidade, que conduz à distração, tornando-nos incapazes de acolher em nós a presença de Deus e mantê-la em condições de amadurecimento, induz à superficialidade e à inconstância em proteger os segredos, é indicativo da incapacidade para se aprofundar no mistério que é constantemente atirado para o outro e violado, resultado em que o mistério se esvai de nosso interior e já não o podemos contemplar; o julgamento do outro, pois ao falar do outro mascaramos o verdadeiro tema que é nossa própria pessoa e dificultamos a clareza e sinceridade requeridas à auto-observação; a vaidade, que se revela ao falarmos de nós mesmos visando ser admirados e reconhecidos; o descuido com nossa vigilância interior(...)

A consciência dos perigos do falar, aos quais constantemente estamos sucumbindo, não deve nos privar do “humor que está radicado precisamente na certeza de sermos aceitos e amados por Deus” de forma que “a experiência da própria fraqueza leva-nos não a um medo escrupuloso da culpa, mas antes a um sentimento de liberdade interior” em que me desincumbo de “identificar-me com minha imagem ideal, eu posso ser quem sou, porque Deus me ama assim como eu sou.” A conclusão de Grün é que “a experiência dos perigos acarretados pelo falar é ao mesmo tempo a experiência de estarmos acolhidos e protegidos no amor e no perdão de Deus.”

Em seguida, as funções positivas do silêncio incluem a via para o auto-encontro, perturbada, em nossos dias, pelos fatores externos – rádio, TV e computador – e desde sempre pelas nossas inquietações que nos impedem de ficar sem fazer nada. Temos a tendência a estar compulsivamente realizando ou planejando tarefas. Tudo isso constitui os meios de evitar ir ao encontro de nosso próprio ser, pois o silêncio não se reduz a deixar de falar, mas importa em renunciar a “todas as ocupações que me desviam de mim mesmo” e enfrentar nosso doloroso caos interior – uma massa revolta de anseios e tensões.

O “silêncio como remédio” proporciona também o ordenamento das perturbações emocionais e agressividade, que não são reprimidas, mas polidas e domesticadas. O silêncio exterior deve abrir caminho para uma transformação qualitativa interior, fundada na disciplina emocional. Caso isto não seja observado, o silêncio pode se tornar veneno - um instrumento do orgulho que isola do outro a quem não se quer revelar as fraquezas.

A distinção do silêncio como remédio e como veneno é confiada ao discernimento. Grün dá o exemplo da necessidade de “chamar a atenção do outro para sua conduta que nos provoca raiva. Num caso como este o silêncio não passaria de uma piedosa desculpa para nos omitirmos do diálogo com o outro”. Neste caso o silêncio deve ficar restrito a um intervalo para adequar o momento e a maneira de manifestar a raiva ao outro e investigar: “se minha raiva se fundamenta mais em minha insatisfação e sensibilidade do que no comportamento do outro; assim, após o silêncio, minha reação passa a ser mais adequada [...] e num diálogo mais esclarecedor eu posso falar com o outro com mais objetividade e menos emotividade.”

O silêncio é eficaz quando nos sentimos inclinados a reparar e condenar os erros do outro, o que nos desvia de olhar nossos próprios erros – ao nos calarmos percebemos que os erros alheios nos revelam nossos próprios erros. O silêncio então nos liberta dos julgamentos e nos conduz à serenidade interior. E ainda é instrumento de cura do outro como “expressão do amor com que o outro é aceito, com que a pessoa não se eleva sobre o outro, mas tem consciência de sua própria fraqueza, por haver-se encontrado consigo mesmo no silêncio.”

O silêncio é ação na luta contra os vícios. Num primeiro momento, o silêncio exterior nos permite o auto-exame por meio da percepção e identificação dos pensamentos que nos acometem, sejam de gula, cobiça, consumismo, fantasias sexuais, raiva, tristeza, julgamentos, rancores, auto-piedade, desânimo, auto-exaltação, auto-admiração. Num segundo momento, alcançamos a meta do silêncio interior, ao nos vermos libertos dos vícios por meio do empenho no combate. Portanto, o silêncio não age como “uma renúncia passiva às palavras, mas sim um ataque ativo contra emoções e agressões que sentimos em nós.” Não se trata da eliminação de tais emoções para alcançar um nível elevado de silêncio interior, estado inatingível e experimentado apenas eventualmente. A meta de um silêncio interior possível é para os monges “um problema moral, que só pode ser alcançado pela vitória sobre as falhas, e não por técnicas de meditação ou exercícios de descontração”. Em outras palavras, trata-se de uma questão de retificação de conduta que pressupõe humildade e que não se exaure na aplicação de uma metodologia.

A humildade consiste em não se querer “alcançar coisa alguma, nem estados de recolhimento nem a calma absoluta”, mas em “nos abandonarmos inteiramente a Deus”. Humildade aqui implica em uma atitude de resposta “à experiência de Deus e da própria fraqueza e impotência perante Deus”. Trata-se, pois, de "um presente, que o homem não é capaz de conseguir com suas próprias forças”. Da mesma forma, “a calma e a tranquilidade, quando se calam todas as minhas falhas interiores e desejos desmedidos, todas as minhas emoções e agressões e onde eu mesmo fico mudo, só pode ser dada por Deus. Posso exercitar-me nela, lutando e combatendo em silêncio contra os meus vícios. Mas ela é sempre apenas uma meta, que nós procuramos alcançar, mas que só vez por outra podemos experimentar como um presente de Deus.”

Para São Bento não há polaridade entre a fala e o silêncio: “O que importa é falar de modo a não destruir a atitude do silêncio. [...] Quando tivermos aprendido o silêncio interior, então mesmo ao falar não haveremos de deixar o silêncio.” Este é o falar “impelido pelo Espírito” que sai da boca de quem no silêncio interior “escutou o Espírito”.

Ao galgar os degraus da vitória sobre os vícios atingimos o ápice do primeiro patamar: o “reto falar” que expressa “nosso amor e bondade para com os homens”, que se consolidam quando em nosso falar “não nos colocamos no centro, [...] não queremos não ter nada a ver com o outro” e “nos abrimos para o outro e suas necessidades. Então nossa palavra passa a ser um serviço de amor àquele que espera ser erguido ou alegrar-se por uma palavra”.

Assim o falar “com fé na presença de Deus [...] não interrompe o silêncio, mas antes brota dele, não destrói o silêncio, mas o divide com o outro.”

SEGUNDO PATAMAR

No segundo patamar, o silêncio se torna ativo e age com a finalidade de criar as condições para o desapego que, por sua vez, quando se concretiza, indica a presença do silêncio interior e independente das palavras pronunciadas ou não.

O silêncio exterior obstinado pode estar relacionado a uma retração ao enfrentamento das vicissitudes da vida que possam estilhaçar nossa auto-imagem ideal ou perturbar nossa permanência, regressiva e irresponsável, no útero materno. É o caso em que o silêncio exterior pode ser sinal de “um obstinado apegar-se a si próprio.” A exposição daquele que fala oferece “um flanco de ataque, suas palavras podem ser criticadas, ridicularizadas”. Ao cometer uma gafe num discurso e agradecer a Deus por isto, “então na verdade eu me desapego de mim. [...] Foi bom para mim ser humilhado, para aprender tuas prescrições’ (Sl. 119, 71) [...] No silêncio é deste desapego que se trata em última análise.”

Os aspectos a silenciar são os seguintes: as fantasias (tristezas e frivolidades); a memória (queixas e azedumes, conservando apenas as provas da misericórdia divina); o coração (os desejos, as antipatias, os exageros amorosos) o amor-próprio (auto-condenação ou auto-louvor); o espírito (pensamentos vãos, considerações sutis que interferem na força de vontade e amorosidade); o julgamento (em relação aos outros); a vontade (angústias do coração, sentimentos de abandono); silêncio consigo mesmo (cessação das queixas e auto-consolações, esquecimento e libertação de si mesmo).
Em acréscimo e em consonância com as várias tradições, a meditação sobre a própria morte induz ao morrer para si mesmo – fundamental para o desabrochar do mistério divino da vida eterna em nós.

O desapego facilita a peregrinação por esta vida rumo à outra realidade. Como este mundo não é percebido como nosso lar, as preocupações para corrigi-lo se atenuam com alívio de outro foco de tensões. Ao silenciarmos arrefecemos a comunicação com o mundo a que não pertencemos e que a Deus pertence- confiamos que Ele está no comando. O caminho e o mundo serão passado para o peregrino quando ele chegar ao lar. As recordações do passado não importam ao peregrino que persevera no presente com os olhos no futuro identificado com a eternidade. O peregrino é um estrangeiro neste mundo e silencia para suportar a distância da pátria e não alimentar intimidades com o meio estranho que atravessa provisoriamente.

Desapegado, morto e em trânsito, o monge peregrina e é livre interiormente – todas as dimensões de seu apego estão imobilizadas em Deus: “Se nos ocupássemos com as coisas e as pessoas a partir desta liberdade, nos não haveríamos de viver constantemente sob tensão. Poderíamos trabalhar com mais objetividade, porque não haveríamos constantemente de misturar nossas próprias necessidades e desejos com as coisas e iríamos trabalhar mais, porque não haveríamos de investir uma energia desnecessária em coisas secundárias, como reconhecimento e louvor.”

Trata-se de almejar a inundação de Deus: “Não somos nós, com nossa estreiteza e nossos egoísmos que determinamos a nossa vida, mas sim o próprio espírito de Deus, ao qual no silêncio nos entregamos e em quem depositamos nossa confiança.”

TERCEIRO PATAMAR

“Que sejam um! Meu pai, que eles estejam em nós assim como tu estás em mim e eu em ti.” (Evangelho de João: 17, 21)

No terceiro patamar o silêncio se torna abertura para Deus e evolui para a taciturnidade, que consiste numa atmosfera de recolhimento e não se reduz a apenas evitar pronunciar palavras. No recolhimento o monge vivencia aquela abertura para Deus: “Ele aguça a percepção para a presença de Deus como espaço em que nos movimentamos, e para a palavra de Deus que nos aponta o caminho.”

São Bento considera a humildade como a mãe da obediência e do silêncio: “E este silêncio, assim como a obediência, não é puramente vertical, ele é também horizontal. Aquele que no silêncio está aberto para a palavra de Deus, este também escuta as palavras do abade e dos confrades, este também é capaz de ver no próximo a presença de Deus.”

O silêncio é também o meio para a proteção da percepção de estar totalmente envolvido e perpassado pela presença de Deus: “Nós devemos fazer silêncio a fim de mantermos a abertura para a presença de Deus. [...] O silêncio é a atitude interior em que eu me abro para esta realidade do Deus que me envolve. Portanto ela é mais do que o não-falar.”

A atitude de calar não está fundamentada em um “princípio abstrato” nem direcionada a assumir “artificialmente [...] um certo estado de ânimo” para demonstrar a si mesmo “uma realização ascética.” Os monges “se calam porque experimentaram a Deus e não querem, falando, destruir esta experiência.”

O momento da morte provoca uma radicalização desta disposição de manter o silêncio. C. G Jung, ao envelhecer e se defrontar com a morte, escreveu: “Frequentemente o falar torna-se em mim um tormento, e muitas vezes eu preciso calar-me vários dias a fim de me recuperar da futilidade das palavras. Eu estou de partida e só olho para trás quando não há outro jeito. Esta partida já é em si uma grande aventura, mas não algo sobre que se desejasse falar extensamente. [...] O resto é silêncio! A cada dia isto se torna mais claro, a necessidade de comunicação desaparece.”

Não se deve considerar o silêncio como invariavelmente recomendável. Ele o é quando não é apenas para meu descanso, mas para buscar ativamente escutar a Deus - “quando me envolvo na aventura que me aguarda num honesto silêncio diante de Deus.”
O silêncio como escuta conduz ao silêncio como plenitude da oração. A oração se desdobra em quatro estágios: a leitura dos textos sagrados; a meditação quando se degusta a leitura do estágio anterior com o destaque de uma palavra ou frase que ressoou no íntimo e fica então sendo repetida interiormente; o diálogo silencioso estabelecido pela meditação da palavra que precipita a presença de Deus humanizada em Cristo, um estar Jesus e eu frente a frente; a contemplação em que cessam todas as imagens e o puro silêncio tudo envolve com o puro dom da presença de Deus.
Esse último estágio, a contemplação, não deve ser objeto de cobiça ou ansiedade e não é preciso se esforçar para alcançá-la. Como puro dom de Deus, a contemplação deve ser pacientemente esperada – ela confere ao silêncio o aspecto de “reação ao agir de Deus, e não um método para se rezar melhor.” Basta-nos perseverar nos três outros estágios anteriores da oração e não nos permitir ansiedade ou angústia por atingir o quarto estágio.

A experiência de Deus não é traduzível em palavras; sua expressão é naturalmente o silêncio: “[...] não se pode tagarelar à toa diante dos homens sobre sua experiência de Deus, mas carrega-se consigo a antevisão deste silêncio pleno como se fosse uma flor delicada, que não pode ser exposta aos rigores do vento.”

O silêncio pleno como dom de Deus não se alcança por meio de um treinamento. Antes trata-se de preparar o ambiente para receber a visita de Deus que, embora não esteja agendada, é confiantemente esperada: “Aquele que dia por dia se empenha pela honesta oração coral, por uma boa meditação, leitura e oração pessoal, este de tempos em tempos, como um presente de Deus, experimenta momentos cheios de silêncio.”

Meister Eckehart aborda a vivência do silêncio pleno na intimidade radical de nosso interior: “É na essência mais íntima da alma, na última centelha da razão, que o nascimento de Deus acontece. No que a alma pode oferecer de mais puro, de mais nobre e de mais delicado, é aí que ele deve acontecer: naquele profundo silêncio aonde jamais chegou qualquer criatura nem qualquer imagem.”

Nas idas e vindas de Deus, a alma aguarda serena como o cãozinho que dorme à soleira da porta de seu dono. Ali fica a alma a proteger a casa do dono que não sabe quando vai retornar. Apenas espera silenciosamente e sonha com a alegria da chegada: “Perseverar e esperar, suportar também a não experiência de Deus, desapegar-nos da solidez da terra firme, deixarmo-nos cair no amor de Deus, abrir-nos para a presença de Deus, sem a certeza de dela experimentarmos alguma coisa, é nisto que para os monges consiste o silêncio. É um silêncio ao mesmo tempo de experiência e de não-experiência, um silêncio pleno de sentido para a proximidade de Deus, é um silêncio esvaziado de todos os pensamentos e sentimentos humanos, um silêncio que ultrapassa toda experiência, um silêncio desapegado de toda busca de si mesmo e de toda experiência, um silêncio que se deixa cair confiantemente nos braços de Deus.”
A dificuldade em descrever esta experiência que também é não-experiência remete com muita freqüência à explicação do que o silêncio pleno não é. No último patamar não há mais como identificar o silêncio: aqui tudo se cala diante da visão resplandecente de Deus.

FONTE: Inês de Sampaio

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TERREMOTO NO CHILE: MORTES AUMENTAM E SE PLANEJA RECONSTRUÇÃO

O terremoto de magnitude 8,8 que atingiu o Chile na madrugada deste sábado, 27, resultou na morte de 82 pessoas até o momento. A informação é do ministro do Interior chileno, Edmundo Perez, que também indicou a possibilidade de o número aumentar.

Clique e veja o site com fotos do terremoto no Chile

Imagens da TV local mostraram que um prédio de 15 andares ruiu em Concepción, no sul do Chile, uma das regiões mais afetadas, onde fendas se abriram nas ruas(...)

Um tsunami arrasou metade de um povoado na ilha chilena de Juan Fernández, localizada a 600 quilômetros da costa e quase na altura de Santiago. O tsunami ameaçava atingir a Ilha de Páscoa, segundo a presidente Michelle Bachelet. "Há uma enorme quantidade de danos que não sabemos a exata dimensão, que está sendo avaliado", disse Bachelet a jornalistas.

Ela declarou as regiões de Maule, onde se concentrou a maioria das vítimas, e Bío-Bío como zonas de desastre. "Eu nunca na minha vida passei por uma experiência de tremor como essa, é como o fim do mundo", disse um homem à TV local da cidade de Temuco.

Plano de Reconstrução

De acordo com o presidente eleito Sebastian Piñera, seriam pelo menos 122 pessoas mortas e houve sérios danos para a infraestrutura do país. "Quero compartilhar da dor dos familiares das mais de 122 pessoas que perderam a vida neste terremoto. É provável que este número aumente. Temos também muitos feridos", disse Piñera a jornalistas.

Piñera, que assumirá a presidência do Chile em 11 de março, disse que coordenará com a presidente Michelle Bachelet e sua equipe um plano de reconstrução que será necessário ao país, acrescentando que as perdas em infraestrutura foram muito grandes. "Isso significa um duro golpe para a infraestrutura deste país, há perdas muito importantes em termos de infraestrutura de vias, aeroportos, portos e também em setores ligados à habitação", acrescentou.

FONTE:
CANÇÃO NOVA

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REFLEXÃO DO EVANGELHO DOMINICAL - Lc 9, 28b - 36 - 2º DOMINGO DA QUARESMA - ANO C

"NAQUELE TEMPO, JESUS LEVOU CONSIGO PEDRO, JOÃO E TIAGO..."

A transfiguração foi uma colher de chá para a fé apoucada de Pedro, João e Tiago. Jesus estava às vesperas de iniciar sua última viagem a Jerusalém, onde ia sofrer a Paixão, e a mentalidade deles estava arraigada nos triunfos messiânicos de Jesus. Eis que, há pouco, Tiago e João, filhos de Zebedeu, haviam pedido para estarem um à direita e outro à esquerda quando Jesus ocupasse o seu trono real messiânico. Pedro havia procurado mudar a ideia de ir a Jerusalém para evitar o drama da Paixão(...)
A transfiguração veio como uma verdadeira manifestação divina de Jesus (uma teofania). Seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou resplandecente. Moisés, o legislador supremo, e Elias, o maior dos profetas, vieram prestar vassalagens a Jesus. E o Pai do Céu declarou para todos: "Este é o meu filho...Escutai-o". Sem essa manifestação divina, a defecção teria sido muito pior quando os mesmos três presenciaram a prisão noturna e humilhante de Jesus no Jardim das Oliveiras.

"...E SUBIU À MONTANHA PARA REZAR"

O "MONTE" (a montanha) - O monte, visto da planície, pela sua massa e imponência, sempre encheu de magia o coração dos antigos e ele foi sempre tido como lugar sagrado e morada dos deuses. Afinal, os limites da Terra deveriam ser escolhidos pelos habitantes celestiais. Assim foi para os assírios, assim para os babilônios.

Na Grécia, o monte Parnaso era a morada de Apolo.

Não foi diferente na Bíblia. O monte Sinai era visitado pelos nômades do deserto como a morada de Iahweh e lá Moisés recebeu a Decálogo. Veja Ex 19, 18 e ss: "Toda a montanha do Sinai fumegava, porque Iahweh descera sobre ela no fogo; a sua fumaça subiu como a fumaça de uma fornalha, e toda a montanha tremia violentamente."

As bem-aventuranças, o resumo dos evangelhos, foram ditas no Sermão da Montanha, porque têm uma montanha como testemunha.

A transfiguração do Senhor, que hoje estudamos, ocorreu no monte Tabor.

Nunha montanha era onde Jesus gostava de se refugiar para rezar, no sîlêncio das madrugadas.

TABOR, O MONTE DA TRANSFIGURAÇÃO

Conforme a tradição, a transfiguração aconteceu no monte Tabor. Ele tem 588 metros de altura e fica pertinho de Nazaré. É uma montanha isolada que ainda hoje se arqueia de maneira imponente por sobre uma vasta planície e tem no alto uma bonita igreja. Sobre ela, diz o biblista Ralph Gower que a visitou no seu interior: "há um esplêndido mosaico de ouro que recebe os raios do sol no fim do dia, pela janela ocidental, e recorda aos visitantes a transfiguração de Jesus."

REFLEXÃO CENTRAL:

Os evangelistas nos dizem que Jesus orava muito.

Ele orava na solidão das montanhas e de noite.

Orava antes das refeições.

Orava antes dos momentos importantes da sua vida:

- antes do seu batismo;

- antes da escolha dos doze;

- antes de ensinar o Pai Nosso;

- antes da confissão de Cesareia;

- na transfiguração;

- no Jardim das Oliveiras;

- no alto da cruz;

Reza por si, por Pedro, pelos seus carrascos na cruz.

Suas orações manifestavam uma intimidade constante com o Pai.

Antes de tudo, A ORAÇÃO O TRANSFORMAVA. E NÓS??

O Pe. Nilo Luza, na coluna laranja do jornal "O Domingo" de 04/03/2007, diz que mais de que transformar o mundo, a oração tem que transformar a gente. Não adianta querer mudar o mundo sem nos transformar primeiro, como ela fez com São Francisco de Assis e Tereza de Calcutá. E ele acrescenta: "Quantas orações sem sentido, vazias e infrutíferas, falatório que nem Deus entende. Mais do que palavras e paavras, a oração deve ser a escuta do que Deus quer falar a cada um."

FRANCISCO VALMIR ROCHA

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MANHÃ DE PARTILHA E FORMAÇÃO COM MINISTROS DA PALAVRA E DA EUCARISTIA EM CAMOCIM


Aconteceu neste sábado, dia 27 de fevereiro, uma manhã de partilha sobre os trabalhos e as experiências formativas com Ministros Extraordinários da Palavra e da Comunhão Eucarística no Centro Missionário São Francisco, paróquia de Camocim/CE, promovida pela Comissão Diocesana de Formação Permanente para Leigos/as. Contamos neste encontro com a presença de nosso bispo diocesano D. Francisco Javier Hernandez Arnedo, que explanou sobre a importância dos ministérios laicais na vida eclesial hoje, Pe. Evaldo Carneiro (Pároco), Pe. José de Anchieta (Vigário Paroquial) e das seguintes paróquias e áreas missionárias: Camocim, Chaval, Barroquinha e Parazinho(...)

A Diocese de Tianguá atualmente vive um tempo de amadurecimento e dinamicidade na dimensão formativa laical, e tem o desejo de buscar o crescimento do nosso povo à luz da experiência da Palava de Deus e da vivência do serviço à sagrada comunhão. Nesse contexto, "os ministérios são serviços específicos realizados em nome da Igreja para atender necessidades específicas do povo de Deus. A Igreja é essencialmente ministerial" - reinterou D. Javier em sua explanação.

Que Bom Jesus dos Navegantes, Mestre e Senhor da Messe, abençoe e frutifique os ministérios de nossa diocese e dê a cada ministro/a a sabedoria, o ardor missionário e o profetismo tão necessários para a construção do Reino de Deus.

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CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA - UMA REALIDADE PARA HOMENS E MULHERES DE BOA VONTADE

Uma Campanha com a magnitude de caráter e a abrangência que tem a Campanha da Fraternidade Ecumênica no Brasil, não se pode esperar que nas mais distantes regiões deste imenso país, possa se consumar em toda a sua totalidade, como deseja o episcopado brasileiro e que bom, contar também com outras lideranças cristãs, que se somam à voz deste grito de denúncia, que a Igreja faz ouvir neste mundo emergente e consumista.

De fato, talvez a C.F.E. fique aquém das nossas expectativas, mais será culpa de quem, esta baixa fertilidade?(...)


Talvez seja mais cômodo realmente atirar “as pedras”, do que estender a “Mão Amiga da Solidariedade”. Que exige compromisso!

Realmente a Campanha da Fraternidade é para ‘H’omens e ‘M’ulheres de boa vontade, de compromisso, de engajamento, que almejam um novo despontar, para o dia de amanhã, que pode começar hoje. E que não ficam aí parados, pois a vida é dinâmica e o tempo não perdoa os inertes...

Nos corredores dos templos, de fato existem muitas coisas, mais também Há Vida, e vida em abundância. Nos corredores ela pulsa, não para, corre, afinal é um corredor, os cansados é que ficam a balbuciar alguns disparates, lá atrás, que a distância vai calando, pois lá na frente, só se ouvirá os aplausos aos vitoriosos, ou melhor daqueles que escolheram, mesmo na sua pequenez ou na pobreza do que possuíam, ofertar ao tesouro da Comunidade, seus gestos e sua ação em prol da vida e do Bem Estar comum.

Quem escolheria como seu apóstolo, um Judas Iscariotes, que abusou da confiança ofertada; um André e seu irmão, que distorciam tudo e não entendiam o projeto de Jesus; ou esta trinca de sonolentos como Tiago, João e Pedro, este último, escolhido pra suceder no comando da comunidade. Há, mais é Jesus, sua lógica é de fato, intrinsecamente diferente da nossa. Não estranhe essa Igreja, é assim mesmo desde o início. A Campanha da Fraternidade, como fruto desta Igreja não poderia ser diferente, parece fadada ao fracasso, a não dá certo, mais como fala o grande teólogo de Tasso, Paulo: “É na fraqueza que Deus revela totalmente a sua força”. Olhando assim com os nossos olhos inebriados pelo imediatismo, a busca de resultados plausíveis, etc. não nos apercebemos das transformações ocorridas oriundas das ideias geradas pelos temas refletidos nas campanhas anteriores, que se transformaram em leis e beneficiam as camadas mais desprotegidas da sociedade, dos grupos que se organizaram através das campanhas e conquistaram diversos benefícios, entre muitos outros. Ela chama atenção não só no Brasil, mais no mundo todo. Outro dia eu via na TV, bispos franceses admirados, buscando saber como ela era feita, para também reproduzi-la em seu país e nós brasileiros não a valorizamos.

Os padres no ano passado em Camocim, foram unânimes e contundentes ao afirmarem que: “A Campanha da Fraternidade não tem a pretensão de erradicar ou solucionar os problemas, enfocados em seus temas, mais ser um caminho que leve a reflexão, ao discernimento das suas causas e efeitos, sem esquecer jamais o papel da Igreja de anunciar e denunciar as injustiças”. A esta definição findo minhas palavras convidando a todos “A BUSCAREM MEIOS PARA MELHOR VIVER A CAMPANHA DA FRATERNIDADE EM 2010”.

FÁBIO FONTINELE DE MELO

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PAPA EM PORTUGAL: IMAGEM OFICIAL DA VISITA É APRESENTADA

SITE OFICIAL DO PAPA EM SUA VISITA A PORTUGAL

O coordenador da Comissão Organizadora da Visita de Bento XVI a Portugal e Bispo auxiliar de Lisboa, Dom Carlos Azevedo, apresentou publicamente a imagem oficial criada para acompanhar a visita do Papa ao país, que se realiza de 11 a 14 de Maio.

Em encontro com jornalistas na manhã desta sexta-feira, 26, Dom Azevedo e outros responsáveis setoriais da Comissão apresentarão, além do cartaz e logotipo, o site oficial da visita e outras informações sobre a organização da viagem de Bento XVI(...)


Site sobre a visita criado pela Canção Nova em Portugal

No site, lançado no dia 19 de fevereiro, o internauta já pode acessar diversos conteúdos, como um cronograma com os lugares e horários exatos nos quais os eventos serão realizados, além de uma galeria de fotos, papéis de parede exclusivos e todas as informações referentes aos locais visitados pelo Santo Padre.

"Para este evento, percebemos que era preciso realizar dois trabalhos distintos: um para o Brasil, de jornalismo; e um focado para o povo português. Por isso, pensamos na contratação de jornalistas portugueses para o mês específico da visita do Papa. Já para o Brasil, teremos jornalistas brasileiros que têm experiência em coberturas como esta", afirma a diretora da TVCN em Portugal, Cristiane Henrique Silva.

FONTE:
CANÇÃO NOVA

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UM OLHAR CRÍTICO SOBRE A CAMPANHA DA FRATERNIDADE

É bastante normal a linda e folclórica abertura da Campanha da Fraternidade logo no início do tempo quaresmal. Há quem diga que até parece uma apologia ao Domingo de Ramos, tendo em vista a momentânea e coletiva empolgação de uma assembleia que supostamente compreendeu o sentido da campanha a ponto de fazer adesão ao ideal proposto pela Igreja no Brasil, através da CNBB.

Nesta santa euforia, vários pontos vão sendo destacados em favor de uma possível vivência ao apelo que se mostra claro e evidente, através de uma necessidade de superação de uma patologia, sendo que a harmonia é o carro chefe do êxito das ações quando o assunto sugere parcerias(...)


Para a perplexidade de muitos, infelizmente, o vento que bate nas asas dos “imaginários” anjos da “imaginação”, nem sempre são os do Espírito Santo, aliás, nesta fase e tipo de campanha, este fator é pouco mencionado, e aqueles que o possuem o tem em extrema relação intimista, dividindo-o dentro de um espaço limitado que mal alcança o seu companheiro de banco. Somente alguns acenos de uns extintos profetas, que destemidamente se atrevem a colocar este personagem em evidência, mas, as tentativas são logo desdenhadas pelos intelectuais, que superam a motivação dos coitados profetas, que em humilhada paciência recebem como consolo o serviço de palestrar conforme reza a cartilha da CF, em um esperançoso “talvez dê certo”, grupo ou pastoral, e isto é o que exatamente tange para longe a possibilidade de rebeldia, em casos de “nada como sempre” frutifique.

Diante deste emaranhado de situações óbvias, mais uma vez a campanha da fraternidade é ecumênica, ou seja, deverá ser desenvolvida dentro de uma perspectiva de ações conjuntas entre Igrejas Cristãs do Brasil, que professam a fé em Jesus Cristo, tendo em comum entre as ações a proclamação da liberdade aos cativos, estimulo oriundo da doutrina social da Igreja.

Até ai, a retórica entra em ação, sem ceder espaços a qualquer argumento que vorazmente contradiga as sábias línguas proféticas, de um punhado de "gatos pingados", que participou de alguma capacitação, ou de quem teve a oportunidade de adquirir o manual da campanha, na cidade de Sobral, em Fortaleza nas lojas Paulinas, ou até mesmo aqueles que, sobre o poder de algumas moedas, conseguiram baixar da internet, vídeos e alguns textos que por lá foram colocados para esta finalidade.

Uma importante etapa para o proveito da CF é a montagem da equipe paroquial, (montagem, porque formação se compreende em outra dimensão) destinada para desenvolver as ações, sempre em consonância com o tema, mas é exatamente aí que se corre o risco de não articulá-la devidamente, pois a abordagem do tema é muito pequena, salvo nas celebrações dominicais, onde entusiasmadamente os grupos de cânticos da equipe de liturgia fazem memória da tal.

E como se explica uma campanha fabulosa com previsão de durabilidade anual, se acabar exatamente nas cinzas de uma quarta-feira?

É lamentável que não haja compromisso social por grande maioria dos que fazem a Igreja, é impressionante a apatia diante do sofrimento e da miséra de tantos irmãos/ãs, é um absurdo a falta de adesão à vivência da justiça social. Como é supérflua e improdutiva a massificação dentro de alguns templos onde se prolifera a indiferença atrelada ao total e absoluto descaso com as vítimas do Reino. Onde fica a autenticidade do Evangelho? A quais cinzas ele foi reduzido? Onde descansa a sabedoria e o sangue dos mártires e profetas?

A campanha da fraternidade passa, e com ela passa a vida sofrida e marginalizada de paroquianos, que poderiam apalpar nesta oportunidade a generosidade da fé, no entanto, nos deparamos com a lástima desventura de uma intolerância disfarçada de te quero e te faço. Nos corredores dos templos, a multidão se aglomera a procura de palavras que justifiquem tamanha apatia. Nas ruas a aglomeração de pobres vitimadas pelo sistema, sem esperança e sem Campanhas de Fraternidade.

Carlos Jardel dos Santos
Articulador Diocesano das CEB’s - Tianguá

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CNBB LANÇA BLOG NA INTERNET


Entrou no ar, desde a última terça-feira, 23, o blog da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Atendendo ao pedido do papa Bento XVI, que na sua mensagem para o 44º Dia Mundial das Comunicações Sociais escreveu que a Igreja deve usar dos “novos meios de comunicação a serviço da Palavra”, a página tem por objetivo complementar o site da Conferência, por meio de notícias, vídeos, áudios, fotos e pequenos posts (comentários). Assim como as outras mídias sociais já existentes: Twitter, Youtube, Flickr e Facebook, queremos, por meio dessa nova presença da CNBB na internet, dar mais dinamicidade e agilidade à nossa comunicação(...)

De acordo com o secretário geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, a CNBB vem aumentando seu nicho de informações na internet e o blog vem para dar mais força a essa presença. “Cada vez mais nosso site tem que se aperfeiçoar. Já estamos no Twitter, no Youtube, Facebook, Flickr e, agora, o próximo passo é o nosso blog. Eu espero que essa nova presença complemente as outras mídias já existentes para que a CNBB se comunique de forma mais objetiva. Em breve também vamos criar o blog da Missão Continental para que cresçamos ainda mais com essa presença através das novas tecnologias a serviço do Reino de Deus”, sublinhou dom Dimas.

O assessor de imprensa da CNBB, padre Geraldo Martins Dias, encara a presença da Conferência dos Bispos, na blogosfera, como mais uma alternativa de comunicação para ampliar a presença da CNBB através das novas tecnologias de informação. “O blog representa mais uma alternativa de comunicação de que a CNBB se serve a partir desse universo oferecido pelas novas tecnologias. Ele representa, portanto, o esforço da Igreja chegar de maneira mais ampla possível a todas as pessoas”.

Um dos diferenciais do blog é a publicação de notícias mais objetivas destacando os últimos vídeos e áudios produzidos pela assessoria de imprensa, como também imagens de eventos além de possibilitar aos internautas comentarem os posts, com moderação do administrador. Outra novidade é que os leitores poderão também seguir o blog da CNBB, assim como seguem a página no twitter através de login e e-mail.

Link: http://www.blogdacnbb.blogspot.com

FONTE: CNBB

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MCCE DISCUTE CAMPANHA FICHA LIMPA COM PARLAMENTARES

Aconteceu na sede da CNBB, na manhã da última terça-feira, 23, uma reunião do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), [entidade, composta por 43 entidades da sociedade civil], com 11 deputados federais, que votaram a favor da aprovação do projeto Ficha Limpa (PLP 518/09 e outros). Para o membro da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), organismo vinculado à CNBB, Chico Whitaker, o objetivo da reunião é meramente para troca de ideias sobre o projeto(...)

Em pauta, a audiência pública que vai acontecer às 14h30, no Plenário 2, da Câmara, sobre a Campanha. O debate terá a participação do grupo de trabalho criado exclusivamente para definir um texto de consenso para os projetos que tratam da aprovação da Ficha Limpa. A proposta torna inelegível candidato condenado em primeira instância ou denunciado por crimes como improbidade administrativa, uso de mão-de-obra escrava e estupro.

Na quinta-feira, 25, está prevista nova reunião do grupo para avaliar a audiência de hoje e decidir se haverá novos debates. O relator do grupo de trabalho, deputado Índio da Costa (DEM-RJ), acredita que será difícil aprovar a proibição de condenados em primeira instância se candidatarem. Por isso, ele considera indispensável discutir a proposta com os parlamentares e a sociedade.

Índio da Costa também teme que eventuais mudanças na proposta apresentada pela sociedade civil pelo Congresso sejam consideradas retrocesso em relação ao texto original. "Daí a importância das audiências públicas com a sociedade."

Conclusão dos trabalhos
Segundo o presidente do grupo de trabalho, deputado Miguel Martini (PHS-MG), o grupo deve encerrar os trabalhos até 17 de março.

FONTE: CNBB

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LEVA-ME A CONVIVER

Ainda não aprendi a conviver com irmãos e irmãs que não pensam como eu penso, não pregam como eu prego e não oram como eu oro. Ainda não sou suficientemente cristão, por isso mesmo, suficientemente ecumênico. Cristãos de verdade são fraternos e ecumênicos e, embora discordem do modo de crer e afirmar a fé, percebem Tua luz nas outras igrejas. Não se acham os únicos eleitos. Ainda sofro da tentação de achar que sou mais cristão do que eles; que eles precisam mudar e eu não! Preciso aprender urgentemente a praticar este exercício de humildade(...)

Há santos fora da minha casa, santos em outros grupos da minha igreja, santos em outras religiões, santos que tu fizeste porque são teus santos e não nossos. Não fomos nós que os fizemos santos, nem nosso maravilhoso movimento ou nossa querida comunidade. Foste Tu, Senhor, com a anuência e a concordância deles.

Concede-me, pois, a graça de tentar, nos anos de vida que me restam, ser um santo a teu modo; não ao meu; um santo que não entra em competição. Direi sempre o que penso, mas quero dizê-lo sem perder o respeito pelos irmãos de quem eventualmente eu discordo. Que meus irmãos sejam santos e consagrados do jeito deles. Eu tentarei ser santo do teu e do meu jeito. Se discordar deles, quero discordar com amor e sinceridade, de tal maneira que eles percebam que eu os amo.

Para que serve um santo, se ele não se pauta pela verdade? Para que um santo se não admira o que é bom da parte dos outros? Para que um santo que não discorda com sinceridade? Ajuda-me a não brigar pelo teu colo e a não achar que estou mais nele do que os outros. Que eu me contente com o pedacinho que tenho, que já é grande e que basta para as minhas pretensões de, um dia, encontrar-te e viver ao teu lado por toda a eternidade. Merecer, eu não mereço, mas espero estar em Ti para sempre, porque sei que da tua misericórdia.

PE. ZEZINHO, SCJ

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FÁBIO MELO, COORDENADOR DA PASTORAL BÍBLICA, LANÇA O LIVRO "RETIRO QUARESMAL DIÁRIO"

"Há alguns anos venho acalentando no meu coração o desejo de partilhar minhas experiências espirituais (orações, meditações e estudo da Palavra de Deus) com minha comunidade, segredo já partilhado a amigos mais íntimos, que logo me incentivaram e agora no último ano de minha coordenação na Pastoral Bíblica resolvi colocar no papel um pouco do carinho que Deus me dispensa todos os dias. Logo que foram surgindo os primeiros parágrafos meu coração foi tomado de imensa alegria, pois vi a possibilidade de realizar mais um desejo, o de "acompanhar cada grupo da Pastoral semanalmente", algo impossível para um coordenador em meio a tantos grupos, então o retiro espiritual é uma maneira de estarmos juntos em oração diária, num só coração, louvando ao Deus de todo amor, pois partilhando minhas experiências espirituais estou comunicando a todos o Deus que anseio, acredito e vivo(...) Portanto, mesmo estando em lugares diferentes, em situações adversas, em decorrência de nossa luta diária, poderemos e deveremos nos unir pela oração, leitura e meditação da Sagrada Escritura em prol do grande sonho de Jesus de Nazaré: 'Que todos sejam um, como Tu, Pai, estás em mim, e eu em Ti. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que Tu me enviaste' (Jo 17, 21)".

Com estas palavras introdutórias, o leigo Fábio F. Melo da Paróquia de Camocim, coordenador da Pastoral Bíblica, inicia o seu mais novo trabalho em prol da evangelização, o Retiro Quaresmal Diário. Neste pequeno manual, as comunidades encontrarão um roteiro bíblico-catequético para aprofundar este tempo quaresmal que estamos vivendo, em preparação para o mistério pascal.

"O Retiro Quaresmal Diário dos Círculos Bíblicos é uma iniciativa de levar a toda a comunidade de fé a viver a riqueza da espiritualidade quaresmal, que não pode ser vivido como um tempo qualquer, mas que se faz necessário resgatar a mística do tempo litúrgico" - afirma o Vigário Paroquial de Camocim Pe. José de Anchieta.

Dividido em seis semanas, com os temas próprios da semana litúrgica e dividido em três momentos de oração durante todo o dia, este importante instrumento evangelizador nos convida a mergulhar na profundidade que a liturgia nos convida a experimentar.

Os interessados em adquirir o "Retiro Quaresmal Diário" deverão entrar em contato:

SECRETARIA PAROQUIAL DE CAMOCIM
Fone: (088) 3621-0172

FÁBIO F. DE MELO
Fone: (088) 9951-7046
E-mail: fbmelo2006@yahoo.com.br

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A ORIGEM DA FESTA DA CÁTEDRA DE SÃO PEDRO

É com alegria que hoje nós queremos conhecer um pouco mais a riqueza do significado da cátedra, do assento, da cadeira de São Pedro que se encontra na Itália, no Vaticano, na Basílica de São Pedro. Embora a Sé Episcopal seja na Basílica de São João de Latrão, a catedral de todas as catedrais, a cátedra com toda a sua riqueza, todo seu simbolismo se encontra na Basílica de São Pedro(...)

Fundamenta-se na Sagrada Escritura a autoridade do nosso Papa: encontramos no Evangelho de São Mateus no capítulo 6, essa pergunta que Jesus fez aos apóstolos e continua a fazer a cada um de nós: "E vós, quem dizei que eu sou?" São Pedro,0 em nome dos apóstolos, pode assim afirmar: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo". Jesus então lhe disse: "Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi nem a carne, nem o sangue que te revelou isso, mas meu Pai que está no céus, e eu te declaro: Tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; eu te darei a chave dos céus tudo que será ligado na terra serás ligado no céu e tudo que desligares na terra, serás desligado nos céus".

Logo, o fundador e o fundamento, Nosso Senhor Jesus Cristo, o Crucificado que ressuscitou, a Verdade encarnada, foi Ele quem escolheu São Pedro para ser o primeiro Papa da Igreja e o capacitou pelo Espírito Santo com o carisma chamado da infalibilidade. Esse carisma bebe da realidade da própria Igreja porque a Igreja é infalível, uma vez que a alma da Igreja é o Espírito Santo, Espírito da verdade.
Enfim, em matéria de fé e de moral a Igreja é infalível e o Papa portando esse carisma da infalibilidade ensina a verdade fundamentada na Sagrada Escritura, na Sagrada Tradição e a serviço como Pastor e Mestre.

De fato, o Papa está a serviço da Verdade, por isso, ao venerarmos e reconhecermos o valor da Cátedra de São Pedro, nós temos que olhar para esses fundamentos todos. Não é autoritarismo, é autoridade que vem do Alto, é referência no mundo onde o relativismo está crescendo, onde muitos não sabem mais onde está a Verdade.
Nós olhamos para Cristo, para a Sagrada Escritura, para São Pedro, para este Pastor e Mestre universal da Igreja, então temos a segurança que Deus quer nos dar para alcançarmos a Salvação e espalharmos a Salvação.

Essa vocação é do Papa, dos Bispos, dos Presbíteros, mas também de todo cristão.

São Pedro, rogai por nós!

FONTE: CANÇÃO NOVA

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SITE DA DIOCESE DE TIANGUÁ

"AJUDANDO AS PESSOAS A ENCONTRAREM O CAMINHO DE DEUS"

CONHEÇA O NOVO SITE DA DIOCESE DE TIANGUÁ

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NORMAS BÁSICAS PARA O JEJUM DA QUARESMA

Jejum: fazer apenas uma refeição completa durante o dia e, caso haja necessidade, tomar duas outras pequenas refeições que não sejam iguais em quantidade à habitual ou completa. Não fazer as refeições habituais (e não haver requintes na que for feita), nem outros petiscos durante o dia (nem mesmo cafezinho, doces, etc).

Estão obrigados ao jejum os que tiverem completado dezoito anos até os cinquenta e nove completos. Os outros podem fazer, mas sem obrigação. Grávidas e doentes estão dispensados do jejum, bem como aqueles que desenvolvem árduo trabalho braçal ou intelectual no dia do jejum(...)


Nota: para não se fugir à orientação da igreja este jejum pode ser tornado mais rigoroso, mas não atenuado. Pode-se, caso servir para vivê-lo melhor, fazê-lo à base de pão e água durante o dia, a base de líquidos, abster-se de refeições, jejum completo. E para ser o jejum que é prescrito, necessariamente referir-se-á à alimentação.

Abstinência: deixar de comer carnes de animais de sangue quente - bovina (gado), ovina (carneiro), aviária (frango, galeto, galinha...), bubalina etc - , bem como seus caldo de carne.
Permite-se o uso de ovos, laticínios e gordura.

Estão obrigados à abstinência os que tiverem completado quatorze anos, e tal obrigação se prolonga por toda a vida. Grávidas que necessitem de maior nutrição e doentes que, por conselho médico, precisam comer carne, estão dispensados da abstinência, bem como os pobres que recebem carne por esmola.

Abstinência parcial: carne permitida só na refeição principal/completa

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O QUE ESTÁ EM JOGO NAS ELEIÇÕES DE 2010

Em 2010 passaremos pela nossa sexta eleição geral desde o fim da ditadura militar (1964-1985), tendo o desafio de escolher representantes nas câmaras estaduais e federais, senado, governo dos Estados e do Distrito Federal e presidência da República.

Um grande desafio, por vivenciarmos, já há algum tempo, processo de profundo esvaziamento do debate político, da indistinção de projetos partidários com conseqüente diluição de projetos de sociedade, em detrimento da projeção de nomes individuais e da defesa de critérios tecnocráticos de candidaturas. Soma-se a isso o discurso oficial de êxito no campo das políticas sociais, onde se prioriza a inclusão pelo consumo, em detrimento da universalização, com qualidade, dos sistemas públicos de saúde, moradia e educação etc(...)


Para contribuir com o debate consideramos de extrema importância assinalar alguns pontos centrais. Estes devem ser, no nosso entendimento, o foco do debate eleitoral, desafiando que as candidaturas explicitem e traduzam suas concepções de desenvolvimento e de garantia de direitos. Devemos assegurar compromissos reais com um projeto de sociedade que priorize o povo brasileiro em sua diversidade, contribuindo para o enfrentamento das desigualdades estruturantes de nossa sociedade.

Um dos temas centrais relaciona-se à reforma política, à natureza de democracia que se pretende construir e pela qual se luta desde a redemocratização. A afirmação da democracia em nosso país não tem sido capaz de assegurar direitos e de garantir mecanismos de enfrentamento de desigualdades e de todas as formas de discriminação e de injustiça sociais.

O tema da Reforma Política, bandeira de luta de organizações e movimentos, se impõe como um dos grandes nós a ser desatado. Acreditamos que sem uma reforma profunda das instituições, visando o reconhecimento do direito à igualdade e à existência entre sexos, raças e etnias e todas as formas de diversidades existentes, não (é) possível aprofundar a democracia na direção da justiça social. Para tanto, faz-se fundamental combinar diferentes elementos, tais como: (a) a incidência sobre o atual modelo econômico, pelo qual essa diversidade de sujeitos não é reconhecida, não tem visibilidade e nem voz; (b) garantir a redistribuição da riqueza socialmente gerada, com vistas ao fortalecimento dos (as) que são social, política e economicamente vulneráveis; (c) gerar transformação radical sobre os mecanismos institucionais e diretos de participação; (d) democratizar e constituir transparência sobre o judiciário, assim como sobre as regulações em torno das concessões públicas de comunicação.

O pano de fundo desse debate centra-se tanto nas históricas culturas do patriarcado e escravista que orientam a formação de nosso país, quanto, fortemente determinado por isso, nas bases de estruturação de nosso modelo de desenvolvimento e do próprio Estado Brasileiro. Este sempre esteve orientado pela apropriação predatória, privada e segregadora dos recursos naturais e do ambiente.

Tais bases refletem-se na ausência de reformas urbana e agrária, capazes de não apenas reconhecer aqueles sempre destituídos de direitos de moradia e da terra, como também nas possibilidades concretas de assegurar os espaços para que estes/as sejam porta-vozes das transformações que necessitamos, sujeitos de luta social e política.

Por fim, vale a pena retomar a discussão sobre o papel do Brasil no cenário internacional. Hoje somos vistos como uma potência em expansão, sem que exista visibilidade sobre a nossa diversidade étnica, social, ambiental e cultural, sem considerar a dívida histórica e a permanente destituição de direitos de populações negras, indígenas, de mulheres, idosos/as e crianças, populações ribeirinhas, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência, de orientação sexual diversa, pequenos/as agricultores/as e outros tantos que contribuem cotidianamente e que estão invisibilizados pela concepção de desenvolvimento hegemônica que é racista, sexista, predadora do sentido da vida e sem retorno para a visibilidade e afirmação desse país como potência mundial.

O centro do debate eleitoral deve ser, portanto, a reflexão em torno das possibilidades concretas de participação, do modelo de cidadania e dos reais mecanismos de garantias de direitos humanos que precisamos construir.

FONTE: ADITAL

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DEUS OU O DINHEIRO?

Um grande jornal do sul fez a seguinte manchete, em letras garrafais, na quarta-feira de cinzas, dia do lançamento da Campanha da Fraternidade/2010: "Igrejas se unem em crítica à economia". Nas matérias internas escreve: "A Campanha da Fraternidade de 2010 coloca a partir de hoje a ética cristã em guerra com o espírito do capitalismo. Na mira de bispos, pastores e reverendos figuram inimigos como a ânsia por lucro, o agronegócio, o capital especulativo, o consumismo e o sistema financeiro internacional. Uma análise dos documentos e materiais da Campanha da Fraternidade deste ano revela uma sintonia com o discurso adotado por entidades como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ou eventos como o Fórum Social Mundial"(...)

A colunista política do mesmo jornal intitula sua análise: "Utopia nas igrejas". E escreve: "Com o tema Economia e Vida e ideias que parecem ter saído de documento do Fórum Social Mundial, do programa de um partido socialista, de um congresso de estudantes ou mesmo de uma reunião do MST, a Campanha da Fraternidade 2010 tem potencial para acender polêmicas em todos os cantos do país. O slogan ‘Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro’, extraído do Evangelho de São Mateus, dá uma ideia do que se ouvirá nas igrejas e templos durante a quaresma. Tudo o que os organizadores da campanha propõem para ocupar o lugar dos bancos, da globalização e do agronegócio - cooperativas, redes solidárias, agricultura familiar e redes de microcrédito- tem espaço na sociedade, mas como uma opção a mais, não como substituto. Lutar contra a globalização é remar contra a maré: ela está na vida dos fiéis de qualquer credo".

Mais uma vez, a demonização e a criminalização dos movimentos sociais é a pauta principal de setores da grande mídia. MST e Fórum Social Mundial são apresentados como inimigos do povo e da pátria e, por associação, as igrejas cristãs que participam e organizam a Campanha da Fraternidade. Ao mesmo tempo são apresentados como românticos incuráveis, que têm sonhos irrealizáveis e, vejam só, ainda falam em ‘utopias’.

Nem parece que o mundo atravessa a pior crise econômica dos últimos 70 anos, com quebra de bancos e empresas, desemprego em massa nos países ricos, empobrecimento da população, fruto do lucro desmedido, da ganância desenfreada, do consumismo, da financeirização da economia e das teses neoliberais do Estado mínimo e do mercado livre e absoluto.

Vale a pena (re)ler o Evangelho de São Mateus e (re)descobrir o contexto de sua radicalidade. A afirmação de Jesus - Ninguém pode ser vir a dois senhores, porque ou aborrecerá um e amará o outro, ou apreciará o primeiro e desprezará o segundo. É impossível servir a Deus e ao dinheiro - vem no mesmo capítulo em que Jesus ensina o Pai Nosso: "Por isso, vocês têm que orar assim. (...) Venha o teu reino, seja feita a tua vontade na terra como no céu. Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia" (Mt, 6,9. Em seguida Jesus diz: "Não amontoeis riquezas na terra, onde se põem a perder, porque a traça e a ferrugem as destroem, os ladrões assaltam e roubam" (Mt, 6,19). E na seqüência: "Por isso lhes digo: Não andem preocupados por sua vida, que vamos comer, ou por seu corpo, que vamos vestir. Não vale mais a vida que o alimento e o corpo mais que a roupa? Olhem como as aves do céu não semeiam, nem colhem, nem guardam em celeiros, e o Pai celestial as alimenta. Não valem vocês mais que as aves?" (Mt 6, 25-26.

O tema da Campanha da Fraternidade/2010, promovida pelo Conselho das Igrejas Cristãs - CONIC -, formado pela Igreja católica, pela Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, pela Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, pela Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e pela Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, coloca o dedo na ferida. Estamos em tempos em que o capital e o sistema que o sustenta, o capitalismo, santificam o individualismo, a ganância, o consumismo, desprezando valores como a solidariedade, a partilha, o fazer coletivo. Tempos em que o meio ambiente e a natureza não servem mais à humanidade como fonte de bem viver, mas apenas como lucro e acúmulo de riqueza, levando ao aquecimento global, aos desastres e desequilíbrios naturais, à falta de água e ao ar irrespirável.

Urge, pois, como diz Campanha da Fraternidade, "denunciar a perversidade de todo modelo econômico que vise em primeiro lugar o lucro, sem se importar com a desigualdade, miséria, fome e morte; educar para a prática de uma economia de solidariedade, de cuidado com a criação e valorização da vida como o bem mais precioso; conclamar as Igrejas, as religiões e toda a sociedade para ações sociais e políticas que levem à implantação de um modelo econômico de solidariedade e justiça para todas as pessoas."

A Economia Solidária, com seus milhares de grupos, cooperativas e redes espalhados por todo Brasil, é uma possibilidade de "pensar outra economia rumo a outro desenvolvimento, uma outra economia possível", com base em valores como a cooperação, a autogestão, solidariedade, "construindo a produção sustentável, o comércio justo, o consumo solidário". Para isso, é preciso incentivar as trocas solidárias, as cooperativas de crédito, os bancos comunitários, o microcrédito solidário, os fundos rotativos solidários.

Além disso, propõe a Campanha da Fraternidade, é preciso construir uma educação e cultura solidárias, a partir de experiências existentes como os Centros de Formação em Economia Solidária, as Escolas Família Agrícola, a Assistência técnica em Economia Solidária, as Incubadoras Populares e Universitárias, a Rede TALHER de Educação Cidadã, a Educação de Jovens e Adultos, os Jogos Cooperativos.

Não é crime sonhar e alimentar utopias, fortalecendo uma economia a serviço da vida. No mundo de hoje, elas são urgentes, necessárias e, principalmente, possíveis.

[Selvino Heck é da Coordenação nacional do Movimento Fé e Política].

FONTE: ADITAL

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TOCA DE ASSIS BUSCA APOIO PARA CONSTRUIR ABRIGO FEMININO EM FORTALEZA - CE

Seguindo o exemplo de São Francisco de Assis, que viveu em uma pequena cabana com seus seguidores, para celebrar a Deus e cuidar dos pobres, foram criadas as casas-abrigo "Toca de Assis". No Brasil, a primeira casa foi fundada em 1994, na cidade de Campinas, no interior de São Paulo, pelo padre Roberto Lettieri. Ao longo dos anos, a iniciativa do grupo religioso e seu simpatizantes se expandiu, e outras Tocas foram abertas pelo país.

No Ceará, a Toca chegou há cerca de dez anos, para acolher e dar dignidade aos moradores de rua. Na capital, Fortaleza, até pouco tempo existiam três casas da Toca, mas, com a falta de recursos, já que vivem de doações, a Casa Fraterna Nossa Senhora Mãe dos Pobres, destinada ao público feminino, foi fechada há aproximadamente oito meses, segundo informações da Ministra Regional das Tocas no Nordeste, Irmã Bethania Maria(...)


A antiga casa era alugada e teve que ser esvaziada por falta de condições de mantê-la. Mas, para dar continuidade ao trabalho de assistência, um terreno foi doado no Condomínio Espiritual Uirapuru, na Av. Alberto Craveiro, 222 - próximo ao Estádio Castelão, na capital. Entretanto, para a construção do novo abrigo são necessários recursos bem maiores do que o aluguel do antigo local.

Atualmente, o grupo feminino se transferiu para a Toca Central em Fortaleza, a Casa Fraterna de Aliança, na Av. João Pessoa, 5052, bairro Damas, que era destinada ao público masculino. Contudo, este local provisório não comporta mais do que 13 abrigadas, todas com idade entre 45 e 97 anos. Bethania ressaltou que a demanda das mulheres em busca de abrigo é alta e muitas foram recusadas por falta de espaço.

Ela explicou que o projeto de construção da nova casa feminina ficou orçado em R$ 2 milhões. O valor justifica-se pelo tamanho da obra que deve atender as necessidades da entidade e a demanda das mulheres.

A nova casa terá cerca de dez quartos, oito banheiros, cozinha, lavanderia, ambulatório, enfermaria e escritórios. Bethania lamenta o fato de ainda não terem previsão para o início da construção, já que a execução da obra vai depender da captação de recursos. "Temos um grupo de amigas empresárias que querem nos ajudar, mas pelo valor total da obra, elas não têm como ajudarem sozinhas", explicou.

Onde dormirão os pobres?

Por enquanto, a entidade espalhou urnas em alguns pontos comerciais da cidade para arrecadar notas fiscais. As urnas da Toca de Assis têm um cartaz de campanha com os dizeres "Onde dormirão os pobres"? A proposta é estimular a solidariedade da população para a doação de notas fiscais, que devem ser revertidas em dinheiro, quando enviadas para a Secretaria da Fazenda do Ceará.

Além disso, no próximo mês deve ser divulgada uma campanha direcionada para incentivar doações para a construção da casa. "A providência de Deus se dá por meio de pessoas que se mobilizam para nos ajudar", disse a religiosa.

A entidade também aceita outros tipos de doações. Entre as principais necessidades estão: fraldas geriátricas, produtos de limpeza, alimentos e combustível. Médicos (as), Psicólogos (as) e Assistentes Sociais, também são bem vindos no trabalho voluntário.

Quem desejar contribuir com doações em dinheiro pode depositar qualquer valor na Caixa Econômica Federal: Agência - 0668 / Conta Poupança - 46937-2.

Mais informações nos telefones: (85) 3249.2131 e (85) 3262.7456.

FONTE: ADITAL

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REFLEXÃO DO EVANGELHO DOMINICAL - Lc 4, 1-13 - 1º DOMINGO DA QUARESMA - ANO C

QUARESMA - A quaresma, palavra que vem do latim "quadragesima", tem por fim comemorar os quarenta dias de jejum de Jesus no deserto.

TENTAÇÕES - Para tentar o Homem-Deus, o demônio tomou a forma humana - é consenso entre os exegetas. Mas a interpretação mais abalizada é que elas se passaram todas no deserto. Não houve locomoção de Jesus até o monte ou até o pináculo do templo. Aí houve uma influência externa do demônio sobre a fantasia de Jesus para que Ele descortinasse as cúpulas douradas dos palácios reais e sentisse a vertigem de pular do ponto mais alto do templo(...)


"...manda que esta pedra se converta em pão."

As tentações partiram de quem conhecia bem os fracos dos homens. A primeira veio assanhar "o apelo dos sentidos" depois de tantos dias de fome. As tentações aconteceram, como manda a tradição, no monte "Qarental" (palavra árabe) e os intérpretes sugerem que o demônio apresentou umas pedras arredondadas como as conhecidas lá, pedras de fogo (avermelhadas). Elas tinham tudo para assanhar a gula.

O apelo sensorial pode ser muito forte e decisivo. Foi o usado também no paraíso terrestre ao "Velho Adão". Lá também o fruto apresentado tinha um aspecto sedutor. Veja! "A mulher notou que era bom para comer, pois era atraente aos olhos..." (Gn 3, 6).

O mesmo tipo de sedução tentou os judeus no deserto. "Antes fôssemos mortos pela mão de Iahweh na terra do Egito, quando estávamos sentados junto à panela de carne e comíamos pão com fartura." (Ex 16, 3).

Aplicando aos tempos atuais, essas tentações nos atingem na forma das bebedeiras desenfreiadas entrando noite a dentro e até no uso de outras drogas.

"O diabo levou Jesus para o alto, mostrou-lhe, por um instante, todos os reinos do mundo..."

Esse tipo de tentação atinge a sede humana do "TER", de possuir riquezas. De cima do monte, dava para descortinar, ao sol faiscante de Israel, as cúpulas douradas dos palácios reais, que sempre foram tentadoras no mundo árabe, mesmo naqueles tempos.

Hoje em dia, a sede do ter, do possuir riquezas ainda é muito tentadora. Qualquer pessoa que põe as mãos em riquezas inesperadas (loteria, mega-sena) compra logo uma mansão com fantasiosas colunas gregas de capitéis dourados como as da mansão do Renê SEnna, o milionário que esteve na mídia em anos anteriores.

"Se és o Filho de Deus, atira-te daqui abaixo...Deus ordenará aos seus anjos que te guardem com cuidado!"

Aqui o demônio explora a sede humana do poder, de sentir-se embalado pela subserviência dos subalternos. É o que nós vemos hoje na busca humana dos altos postos do poder em Brasília, sede do poder aliada à sede do TER mais e sem limites.

"O DEMÔNIO PREOCUPADO COM JESUS" (Frei Clarêncio Neotti)

Sim, o demônio estava preocupado com o que estava para acontecer. O batismo e os quarenta dias de jejum do Senhor eram justamente a preparação para iniciar a vida pública e o arranque para implantação do Reino de Deus. Jesus ia redimir o mundo, "recriar o mundo", como disse Frei Clarêncio. Afinal, isso punha em alvoroço ao "Príncipe do Mundo" (o demônio). E a ação dele ia continuar, pois o Evangelho encerra assim: "Terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus para retornar no tempo oportuno. É como se ele tivesse dado apenas um "cial", pois ele voltou para apossar-se do corpo dos endemoniados, para dispersar os apóstolos e encher de amargura a alma de Jesus no Jardim do Getsêmani.

REFLEXÃO CENTRAL:

Jesus quis ser em tudo igual ao ser humano, menos no pecado. Por isso, permitiu ser tentado. Mas deixou-nos as dicas para vencer o tentador.

PRIMEIRA: NÃO ALONGAR A CONVERSA COM O TENTADOR. Jesus retrucou de maneira firme e decidida. Não devemos, portanto, deixar-nos envolver pelo engodo que nos enlaça. O mau pensamento deve ser interrompido no meio.

SEGUNDA: PÔR-SE SEMPRE AO AMPARO DA PALAVRA DE DEUS. Jesus confronta o tentador sempre com um trecho da Sagrada Escritura.

TERCEIRA: Deixar-se guiar pelo Espírito Santo ou pedir a ajuda do Alto.

FRANCISCO VALMIR ROCHA

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ZILDA ARNS: VEJA AS ÚLTIMAS FOTOS DA MÉDICA ANTES DO TERREMOTO

Uma bolsa intercalada por linhas verticais pretas e brancas, um caderno amarelo de capa dura e uma máquina fotográfica com diversos registros da visita a um dos países mais pobres da América Latina.

Em um análise descuidada, nada de tão especial assim. No entanto, para o seminarista haitiano Honoré Eugur, esses são apenas alguns dos objetos que o fazem lembrar do inesquecível encontro com a fundadora da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa, a doutora Zilda Arns, morta no terremoto que atingiu o Haiti em 12 de janeiro(...)

VEJA AS ÚLTIMAS FOTOS DE ZILDA ARNS ANTES DO TERREMOTO

Eugur chegou ao Brasil na última sexta-feira, acompanhado do padre brasileiro Carlos Martins de Borba, que morava há dois anos e meio em Porto Príncipe. Ambos fazem parte da Congregação dos Oblatos de São Francisco de Sales, que mantinha trabalhos pastorais em "Citi Soleil", uma das maiores favelas da capital haitiana.

Agora, Eugur mora em Viamão, onde deve seguir outras etapas de formação religiosa. Ao desembarcar em solo gaúcho, trouxe consigo os pertences de Zilda; são uma espécie de legado que interessa não apenas à família, mas a uma legião de quase 300 mil voluntários que abraçaram a causa iniciada no Paraná, em 1983.

A irmã Beatriz Hobolt, da Congregação das Irmãs Escolares de Nossa Senhora, é prima de Zilda. Ela mora em Porto Alegre e está com o material, que deve chegar às mãos da família da médica neste sábado, 20.

Surge a pergunta: como tudo isso foi parar com o seminarista? A história ajuda a construir os últimos momentos de vida da médica sanitarista brasileira que revolucionou a batalha contra a desnutrição infantil.

Visita ao Haiti

Desde 2008, a Pastoral da Criança Internacional (PCI) leva a experiência brasileira para outros lugares do mundo. A ida de doutora Zilda para o Haiti foi motivada exatamente pelo desejo de articular de modo sólido esse trabalho por lá.

"Como trabalhamos muito com causas sociais e eu já tinha a experiência com a Pastoral no Brasil, apoiávamos essa iniciativa. A doutora apontou que os maiores desafios eram a formação de lideranças que implementassem as ações no país, bem como a formação desses mesmos líderes", destaca o padre Carlos.

Os seminaristas dos Oblatos eram alguns dos vários religiosos que participavam de uma palestra com Zilda no momento do território.

"Ela falou muito sobre a importância do acompanhamento da família como saída para o sofrimento do mundo e das crianças carentes. Era uma pessoa com o coração grande e aberto a acolher as situações difíceis", afirma Eugur.

Como eram muitas as perguntas sobre a Pastoral, o haitiano conta que ele e alguns outros presentes conversaram com a médica após a palestra. Como Zilda percebeu que Eugur falava português, pediu que anotasse seus contatos na agenda. "Eu disse que já tinha o contato dela no cartão que havia recebido mas ela insistiu: 'Escreve para mim'", recorda, emocionado.

"Enquanto ela seguia conversando com outras pessoas, ficou cerca de um metrô de distância de mim. Eu anotava os meus dados e nem consegui terminar de escrever o e-mail, pois começou o terremoto", narra.

Eugur baixa o tom da voz ao contar que todos os que cercavam a médica morreram.

"Dá para perceber que era uma pessoa de Deus, pelo seu jeito de ser, de falar. Para mim, ela se tornou um exemplo de como seguir o Evangelho, pois queria que todos tivessem uma vida digna como pessoa, entendia o sofrimento dos outros".

O seminarista garante que pessoas como Zilda não morrem. "Elas continuam vivas, pois a missão continua. Ela agora está feliz no Céu e gostaria que aquilo que começou continuasse", salienta.

Testemunha ocular

A irmã Beatriz Hobolt trabalhou durante mais de 10 anos na coordenação nacional da Pastoral da Criança. Seu engajamento começou na missão começou com um questionamento: "Queria entender porque essas mulheres - que são a maioria, cerca de 92% - eram tão entusiasmadas pela causa".

Ela conta que ficou surpresa pelo carinho, dedicação e entusiamo demonstrados por Zilda, atitudes que se disseminavam entre os voluntários.

"Mesmo com toda a dedicação à família, ela não tinha outra coisa em mente que não fosse salvar as crianças pobres". A irmã ilustra essa afirmação com uma história real: "Um neto dela, com dois ou três anos, perguntou o que era mais importante para a avó. Ela começou a falar sobre os filhos, sobre a família, enfim. Mas o pequeno disse que não, que ele achava que a avó gostava mais do que tudo das crianças pobres. Imagine, se uma criança pequena assim pôde perceber isso!"

De tudo, a irmã guarda um bom orgulho: "de ter tido uma parente tão dedicada", assinala.

FONTE: CANÇÃO NOVA

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PALAVRAS QUE ILUMINAM - PE. FELINTO OLIVEIRA

No primeiro Domingo da Quaresma os cristãos são levados ao deserto a fim de viverem um momento de intensa oração (Lc,4,1-13),tal como Jesus que “foi conduzido pelo Espírito Santo”.

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QUARESMA, A LUTA CONTRA O PECADO

Desde o início do Cristianismo a Quaresma marcou para os cristãos um tempo de graça, oração, penitência e jejum, com o objetivo de se chegar à conversão. Ela nos faz lembrar as palavras de Jesus: “Se não fizerdes penitência, todos perecereis” (Lc 13,3). Se não deixarmos o pecado, não poderemos ter a vida eterna em Deus; logo, a atividade mais importante é a nossa conversão, renunciar ao pecado(...)

Nada é pior do que o pecado para a vida do homem, da Igreja e do mundo, ensina a Igreja; por isso Cristo veio, exatamente, “para tirar pecado do mundo” (cf. Jo 1, 29). Ele é o Cordeiro de Deus imolado para isso.

São Paulo insiste: “Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!” (2 Cor 5, 20); “exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (cf Is 49,8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação” (2 Cor 6, 1-2).

A Quaresma nos oferece, então, esse “tempo favorável” para deixarmos o pecado e voltarmos para Deus. E para isso fazemos penitência. O seu objetivo não é nos fazer sofrer ou nos privar de algo que nos agrada, mas ser um meio de purificação de nossa alma. Sabemos o que devemos fazer e como viver para agradar a Deus, mas somos fracos; a penitência é feita para nos dar forças espirituais na luta contra o pecado.

A melhor Penitência, sem dúvida, é a do Sacramento que tem esse nome. Jesus instituiu a Confissão em Sua primeira aparição aos discípulos, no mesmo domingo da Ressurreição (cf. Jo 20,22) dizendo-lhes: “A quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados”. Não há graça maior do que ser perdoado por Deus, estar livre das misérias da alma e estar em paz com a consciência.

Além do Sacramento da Confissão a Igreja nos oferece outras penitências que nos ajudam a buscar a santidade: sobretudo as recomendadas por Jesus no Sermão da Montanha (cf. Mt 6,1-8): “O jejum, a esmola e a oração”, chamados pela Igreja de “remédios contra o pecado”.

Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias (um longo tempo) antes de enfrentar as tentações do demônio no deserto e nos ensinou a vencê-lo pela oração e pelo jejum. Da mesma forma, a Igreja quer ensinar-nos como vencer as tentações de hoje. Vencemos o pecado praticando a virtude oposta a ele. Assim, para vencer o orgulho, devemos viver a humildade; para vencer a ganância devemos dar esmolas; para vencer a impureza, praticar a castidade; para vencer a gula, jejuar; para vencer a ira, aprender a perdoar; para vencer a inveja, ser bom; para vencer a preguiça, levantar-se e ajudar os outros. Essas são boas penitências para a Quaresma.

Todos os exercícios de piedade e de mortificação têm como objetivo livrar-nos do pecado. O jejum fortalece o espírito e a vontade para que as paixões desordenadas (gula, ira, inveja, soberba, ganância, luxúria, preguiça) não dominem a nossa vida e a nossa conduta.

A oração fortalece a alma no combate contra o pecado. Jesus ensinou: “É necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo” (Lc 18,1b); “Vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mt 26,41a); “Pedi e se vos dará” (Mt 7,7). E São Paulo recomendou: “Orai sem cessar” (I Ts 5,17).

A Palavra de Deus nos ensina: “É boa a oração acompanhada do jejum e dar esmola vale mais do que juntar tesouros de ouro, porque a esmola livra da morte, e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna” (Tb 12, 8-9).

“A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados” (Eclo 3,33). “Encerra a esmola no seio do pobre, e ela rogará por ti para te livrar de todo o mal” (Eclo 29,15).

Então, cada um deve fazer na Quaresma um “programa” espiritual: fazer o jejum que consegue (cada um é diferente do outro); pode ser parcial ou total. Pode, por exemplo, deixar de ver a TV, deixar de ir a uma festa, a uma diversão, não comer uma comida de que gosta ou uma bebida; não dizer uma palavra no momento de raiva ou contrariedade, não falar de si mesmo, dar a vez aos outros na igreja, na fila, no ônibus; ser manso e atencioso com os outros, perdoar a todos, dormir um pouco menos, rezar mais, ir à Santa Missa durante a semana... Enfim, há mil maneiras de fazer boas penitências que nos ajudam a fortalecer o espírito para que ele não fique sufocado e esmagado pelo corpo e pela matéria.

A penitência não é um fim em si mesma; é um meio de purificação e santificação; por isso deve ser feita com alegria.

FONTE: CANÇÃO NOVA

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PAPA VAI CANONIZAR SEIS NOVOS SANTOS

O Papa Bento XVI vai canonizar seis beatos no dia 17 de outubro. Nesta manhã, Bento XVI realizou um Consistório Ordinário Público para as canonizações. A cerimônia aconteceu na sala no Consistório do Palácio Apostólico Vaticano, durante a celebração da Hora Sexta (parte da Liturgia das Horas que acontece ao meio-dia).

Os futuros santos são(...)


- o polonês Stanislaw Soltys Kazimierczyk (1433-1489), sacerdote dos Cônegos Regulares Lateranenses;

- o canadense André Alfred Bessette (1845-1937), religioso da Congregação da Santa Cruz;

- a australiana Mary Hellen Mackillop (1842-1909), virgem, fundadora da Congregação das Irmãs de São José do Sagrado Coração

- a monja italiana Giulia Salzano (1846-1929), virgem, fundadora da Congregação das Irmãs Catequistas do Sagrado Coração;

- a monja italiana Battista Camilla da Varano (1458-1524), virgem, da Orden de Santa Clara;

- a espanhola Cândida Maria de Jesus (Juana Josefa) Cipitria y Barriola, virgem, fundadora da Congregação das Filhas de Jesus.

Em seus quase cinco anos de Pontificado, Bento XVI proclamou 28 santos e quase 600 beatos, em sua maioria espanhóis. Até agora, o Papa celebrou sete cerimônias de Canonização, seis no Vaticano e a de Frei Gavão no Brasil, em maio de 2007.

FONTE: CANÇÃO NOVA

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O QUE É CONVERSÃO?

A palavra "conversão" vem do latim "cum + vertere" e significa "mudança de rumo". Em grego a palavra é mais profunda: "metanoia = "metà" + nous" = que a nossa mente vá mais além, deixe o seu círculo fechado. Essa, sem dúvida alguma, é a palavra-chave para este período litúrgico que estamos vivendo, a quaresma. Converter-se significa aprender de novo a dizer ABBA, encontrar o caminho de volta para a casa do Pai que ali nos espera de braços abertos, é abondonar-se na Graça de Deus e mudar a direção do caminho da vida (...)

O motivo da conversão é a gratuidade divina. Já João Batista interpelara à Penitência. Mas a conversão, pregada por Jesus vai além. Onde está a diferença? Dá-se uma resposta na conversão de Zaqueu (Veja Lc 19,1-10). A este homem era inconcebível que Jesus tenha pretendido hospedar-se na sua casa, e comer com ele, que era o mal-falado, o desprezado, o evitado. Jesus lhe restitui a honra perdida ficando com ele em sua casa e partindo com ele o pão. Fazendo-o participar da comunhão com Ele mesmo, abre-lhe as portas do reino da gratuidade, da doação de si. Implicitamente convida-o a ser dom, e Zaqueu acolhe o convite. Zaqueu entra no reino da doação de si mesmo. A bondade de Jesus vence Zaqueu. O que não conseguiram todas as censuras, e todo o desprezo de seus concidadãos, conseguiu-o a bondade de Jesus, diante da qual Zaqueu publicamente reconhece a sua culpa e se penitencia. O mesmo se dá com a Samaritana, a quem Jesus pediu água. depois de tudo ela corre a anunciar, o “homem que sabia tudo da sua vida”. Por outro lado, isto não aconteceu com Corazim e Batsaida. Nestas cidades se deram ações visíveis da misericórdia de Deus, mas seus habitantes continuaram a viver para si mesmos. É a liberdade do chamado divino a entrar no Reino: “se hoje ouvires a minha voz entrarei e cearei contigo”. Penitência não é ato de humildade humana, mas penitência é ser vencido pela graça de Deus.

A Graça de Deus sempre desinstala o homem, e o insere aonde ele deveria estar se não fosse o pecado: Em Cristo. Tomemos Isaías 53, o quarto canto do servo de Iahweh, no qual a tradição cristã sempre viu o mesmo destino histórico de Jesus. O servo não cometeu nenhum pecado, mas “levou nossos pecados em seu próprio corpo, e por suas feridas fomos curados” (Veja também Fl 2,6-11). Ele doou sua vida por amor a nós, e assim nos salvou. Veja agora is 53,5-11. “Ser salvo não quer dizer simplesmente que Cristo , ao morrer na Cruz, nos reabriu as portas do reino, mas que nos deu um novo ser: o Seu. E não em termos genéricos, mas particularmente nos comunicou aquele seu ser que salva carregando nos ombros o peso do outro. Portanto, salvando-nos, nos participou e compartilha conosco sua vontade de salvar e aquela mesma disponibilidade a nos tornar, nele, instrumentos de salvação do outro” (Viver reconciliados,p.136-7).

Não é indiferente que Cristo nos tenha remido morrendo na cruz, assumindo as nossas dores. Se nos salvou, também nos transmitiu um modo correspondente de viver a Salvação e de ser salvo, não só como modalidade comportamental ou exemplo a imitar, mas como uma disponibilidade nova a doar as nossas vidas. Por isto, aquele que acolhe a Salvação recebe a predisposição para agir em conformidade com aquele ato que o salvou. Morre o homem velho e nasce a criatura nova, disponível à doação de si. Isto é acolher a salvação, isto é verdadeira conversão, é realização de si mesmo. “O homem, única criatura sobre a terra a ser querida por Deus por si mesma, não se pode encontrar plenamente a não ser no sincero dom de si mesmo” (GS,n.24)

Aquele que se fez pecado por nós e por cujas chagas todos nós fomos curados nos revela que o pecado é vencido pela graça de doar a si mesmo, em Cristo. O homem muitas vezes fracassa em seu processo de conversão porque pretende derrotar o seu pecado para sua salvação e para construir sua santidade isoladamente. Assim, em vez de derrotar o mal que há em si, o do egoísmo, realiza uma falsa conversão, legalista, farisaica, e acaba ficando só com seu pecado e com seus sonhos de santidade, a lutar contra o vazio. A Salvação nunca é subjetiva, particular. Ela implica sempre a atuação do mandamento do amor. Veja o que aconteceu com Zaqueu, veja o que aconteceu com Leví, veja o que aconteceu com a pecadora, e veja o que aconteceu com o jovem Rico, que foi embora sozinho, com sua pretensa santidade. Com efeito, o verdadeiro mal do qual o homem tem necessidade de ser libertado é o egoísmo: quando o vence é que entra realmente no Reino de Deus, e experimenta a alegria de ser salvo.

Neste contexto é que vemos a Samaritana dar-se conta de seu egoísmo, da sua falta de amor pêlos tantos “maridos” que teve. Jesus estava lhe oferecendo a água da vida, que desinstala, que tira o homem de si mesmo e o lança para amar. Aí ele detesta o pecado, e pretende deixá-lo para não mais ferir a Deus e ao próximo. Quando encontra gratuidade do amor de Deus que dá-se sem medidas, e acolhe este amor é impelido a dar-se sem medidas. Enquanto isto não acontece, o homem permanece numa falsa conversão, simplesmente legalista, a “limpar a casa e deixá-la vazia” até que venham outros tantos demônios provindos do desamor, a se instalar nela (Veja Mt 12,43-45 e Lc 11,24-26).

Embora dê orientações, a grande novidade no apelo de Jesus à conversão não é o ato, mas a sua motivação. O judaísmo antigo está dominado pela idéia do Mérito. A mola propulsora do agir é a esperança de recompensa. Jesus também fala de recompensa, mas na Lei Nova ela é preexistente. neste caso, é outro o motivo para agir: a gratidão pelo dom de Deus. Aquele que acha o tesouro é vencido pela grande alegria. Fica sendo a coisa mais óbvia do mundo que ele entregue tudo para apropriar-se deste tesouro (Mt 13,45s). Assim como a experiência da bondade sem fronteiras de Deus e sua paciência é fonte de que jorra o amor pêlos inimigos, , o perdão de Deus constrange a amar. Em Lc 7,36-50 temos um exemplo disto. Deus perdoa a pecadora não porque ela amou muito, mas ela amou muito porque Deus a perdoou gratuitamente. Deus a amou gratuitamente, e por isso a perdoou, e ela então amou Deus muito mais do que aquele que não teve a experiência da gratuidade do amor divino. Por isto, aquele que vive de comércio com Deus não pode conhecer o Seu incondicional e gratuito amor, e então não pode verdadeiramente amar, porque não viveu esta experiência. No reino de Deus só há um motivo para agir: a gratidão pelo perdão. Zaqueu também é vencido pela bondade de Jesus, e por isto responde, de todo coração com a restituição dos que defraudou e a doação ao pobres.

Jesus tem sede da nossa conversão. E ele disse isto à Samaritana. Jesus necessidade de hospedar-se na nossa casa. E ele disse isto a Zaqueu. Jesus tem sede de restituir-nos a imagem de Filhos do Pai que é todo doação de si. Jesus não tem sede das nossa ações vistosas. Jesus tem sede do nosso dar-se, sem limites porque se arriscamos ele nos dá a graça de fazê-lo. João Batista pregava o batismo do reconhecimento do pecado. Jesus também o fez, mas foi infinitamente mais além, porque suas palavras são de vida eterna. Ele trouxe para o tempo a linguagem da eternidade. Amar, dar-se inteiramente, sem limites. Ele deixou-se batizar e pagou os impostos para que se cumprisse a justiça da lei, mas ele foi infinitamente além da lei. E quer nos levar infinitamente para além da Lei. Ele tornou tranformou os pecadores públicos da Bíblia em doadores de si mesmo até as últimas consequências. Ele os inseriu em si mesmo e eles realizaram prodígios que ficaram não apenas no tempo mas varam a eternidade.

O estabelecimento do Reino de Deus, que Jesus veio inaugurar, se tornará visível em todo lugar onde os homens se sujeitem, por livre decisão, a obedecer a lei. Aí ele irá além da lei. Porque seu intuito não será a recompensa, mas será doar-se a si mesmo, e Deus mesmo é a sua recompensa. Quem entra atende ao chamado de Jesus e entra no Reino de Deus está sob uma nova justiça, que é parte integrante da vida nova que Jesus nos trouxe. Esta nova justiça não consiste na abolição da lei, mas em levá-la à perfeição. Para isto Jesus veio. Para fazer o homem compreender Deus e a Sua vontade, e entrar nela. O direito divino do Antigo Testamento fixou-se na Torá escrita e na Torá oral A Torá oral ou Halaká consistia na interpretação dos escribas, de onde provinham todas aquelas minúcias que conhecemos. A Jesus não interessa destruir a lei, mas interpretá-la em sua medida escatológica plena. É preciso compreender a lei com visão de eternidade, em vista do amor, que é o que há de eterno. Jesus rejeita a Halaká (Mc 2,27/Mc 3,4/ Mc 7,1-8/Mc 7,15/Mc 7,21) porque esta legislação muito contradiz o Mandamento do Amor (Mc 7,6-8). Somente num lugar Jesus parece tomar uma atitude positiva para com a Halaká, mas ainda assim não lhe dá uma aprovação global: “Os escribas e os fariseus estão sentados na cátedra de Moisés. Fazei, pois, tudo o que vos disserem, mas não vos reguleis por seus atos, pois eles dizem e não fazem”.

Constituiu uma ousadia de Hilel (cerca de 20 a.C. o fato de ele ter feito notar a um gentio que a regra de ouro era a súmula da Lei escrita: “Tudo o que te parece nocivo a ti, não o faças a outrem. Isto é toda a Torá”. A versão negativa de Hilel se contentava em não causar ao próximo nenhum prejuízo. Jesus se liga a Hilel, mas vai além. Sua versão é positiva e conclama a dar-se provas de amor por atos positivos: “amai ao próximo como a si mesmo” (Veja também Lc 6,27-38). A lei vital do Reino de Deus é o Mandamento do amor, expresso não só por sentimentos e palavras, mas por atos, na capacidade para o dom (Mt 5,42) e na disposição para o serviço (Mc 10,42-45). Mateus 25,31-46 enumera as seis mais importantes obras de amor: Dar de comer a quem tem fome, acolher o estrangeiro, vestir os nus, visitar os doentes, Ir aos prisioneiros.

Uma outra marca deste amor é seu caráter ilimitado. A parábola do bom samaritano descreve o caráter sem fronteiras do amor com especial destaque (Lc 10,30-37). A ajuda desinteressada que o mestiço demonstra para com o desamparado mostra isto, porque a moral da época excetuava a obrigação de amar o inimigo pessoal, ao passo que Jesus dá como motivo do amor aos inimigos: “a fim de serdes verdadeiramente filhos do vosso Pai, que faz nascer o sol sobre os justos e injustos” (Veja Lv 18,18 e Mt 5,43-48).

O mandamento do amor não dispensa a lei. O que Ele faz é corrigir sua imperfeição, porque sem o amor toda lei acaba servindo aos nossos interesses egoístas. Portanto não se trata de um desprezo da lei, mas do seu aperfeiçoamento. Nas seis antíteses o sermão da montanha (Mt 5,21-48) Jesus contrapõe o novo direito divino ao antigo. Seis setores da vida recebem nova orientação (Veja vv. 21-26/vv.27-30/vv.31s/vv.33-37/vv.38-42/vv.42-48).

O Reino de Deus irrompe para dentro de um mundo que ainda está sob o signo do pecado, da morte, de Satã. Por isto, a conversão ao reino é trabalho para uma vida toda. Jesus esclarece, no Sermão da Montanha, como se apresenta a vida nova, que deve ser aplicada a todos os aspectos da vida do discípulo, porque eles mesmos construirão o Reino de Deus com a transformação das suas vidas. Toda a sua vida deve testemunhar ao mundo que o Reino de Deus chegou até a humanidade é convidado a, livremente, escolher entrar nele. Em sua vida, enraizada e fundada nos valores do Reino, deve ficar visível a verdadeira felicidade. No reino de Deus, dá-se uma total inversão de valores: os pobres ficam ricos, os famintos saciados, os tristes consolados, porque Deus doa vida eterna, onde “eterna” significa “participação na vida de Deus”. Por isso, dizemos que As Bem-Aventuranças são a Lei fundamental do Reino de Deus ao qual Jesus nos convida a entrar. Vivendo-as, encontramos e oferecemos ao mundo razões para esperar. Elas não somente assinalam o caminho a percorrer, mas ajudam a chegar na meta. Elas nos situam diante do dom de Deus, nos movem e nos ajudam a fazer deste dom o fundamento e o centro de nossa vida humana.

“Seu ensinamento se dirige a homens que já foram libertados do poder de Satanás mediante a Boa-Nova; a homens que já vivem no Reino de Deus e irradiam seu fulgor. Dirige-se a homens que receberam o perdão, que encontraram a pérola preciosa, que são convidados às núpcias, a homens que pela fé em Jesus pertencem à nova criação, ao mundo novo de Deus. Dirige-se a homens que já experimentaram em suas vidas aquela grande alegria de que fala a parábola do tesouro no campo: o homem que encontrou vai, cheio de alegria, e sacrifica tudo o que possui. Dirige-se aos filhos pródigos que o Pai recebe novamente na casa paterna. Desde já - lhes diz Jesus - podeis viver na era da salvação. Mas o tempo da Salvação é também o tempo em que a vontade de Deus entra em vigor com toda a sua força. Pois presença do reino significa estabelecimento do direito querido por Deus para o mundo que vem. este direito divino é ao mesmo tempo vontade santa e perdão soberano. Ao nos perdoar, Deus nos convida a doar a nossa vida.

Mas quem consegue praticar tudo isso? Nós, homens tão miseráveis, sempre inconstantes, oscilando de um para o outro lado? Antes de cada palavra do Sermão da Montanha houve alguma coisa. O que precedeu foi a pregação do reino de Deus. O que precedeu foi o dom feito aos discípulos, do privilégio de ser filhos (Mt 5,14-16). O que precedeu foi o testemunho, em palavras e em obras, que Jesus deu sobre a sua pessoa: o exemplo de Jesus transparece em cada frase do Sermão da Montanha. Cristo Jesus é o verdadeiro protagonista das oito Bem-Aventuranças, não é apenas aquele que as ensinou ou anunciou, mas é sobretudo aquele que as realizou do modo mais perfeito durante e com toda a sua vida. As Bem-Aventuranças são a sua mensagem. ou melhor, ele é toda sua mensagem. Por isso, não há necessidade de estudá-lo muito, mas sim de contemplá-lo. Só ha um caminho para viver as Bem-Aventuranças: Abrir-se ao Espírito Santo e segui-lo.

Desde a pobreza do presépio até a sua morte na cruz, as oito Bem-Aventuranças são os oito capítulos de sua vida, sua autobiografia espiritual. Ao proclamá-las não faz senão descrever-se a si mesmo, Elas são o retrato mais perfeito de Jesus : pobre, manso, triste, faminto, misericordioso, puro de coração, construtor de paz e perseguido por causa da justiça. Isto é o que o Papa disse aos jovens de Lima em 2 de fevereiro de 1985: “As Bem-Aventuranças são como o retrato de Jesus Cristo, um resumo de sua vida, e por isso se apresentam também como um programa de vida para seus discípulos. São um programa de fé viva. Toda a vida terrena do cristão, fiel a Cristo, pode encerrar-se neste programa, na perspectiva do Reino de Deus”

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