REFLEXÃO DO EVANGELHO DOMINICAL - 31º DOMINGO DO TEMPO COMUM - Lc 19, 1-10

TEMA: Deus estende a todos a sua misericórdia

NOTAS PARA A COMPREENSÃO DO TEXTO:

JERICÓ – Jericó é a “Cidade da Lua” na interpretação mais corrente do nome judaico. Perto do rio Jordão, ela é a cidade mais baixa do mundo: fica cerca de 300m abaixo do nível do mar. Também é uma das cidades mais velhas da terra. A Jericó antiga, a Jericó Bíblica, “parece datar de 7000 anos antes de Cristo” (Delta Larrousse). Nas suas adjacências, há restos arqueológicos que datam até 8000 anos antes de Cristo(...)


É conhecida também como a Cidade das Muralhas, aquelas mesmas muralhas que Josué derrubou ao som de trombetas ao entrarem os judeus na Terra Prometida. “Os antigos muros de Jericó (no ano 500 antes de Cristo) tinham 2 metros de espessura e torres de 10 metros de altura” (Vide Ralph Gower in Usos e Costumes dos tempos bíblicos – pag. 187).

Apesar de rodeada de desertos, uma fonte de água perene a transformou num oásis fecundo, onde se cultivam fruteiras diversas. Olhando-se do espaço, salta aos olhos a mancha viridente de Jericó, rodeada pelo cinza dos areais.

Fica a 37 km de Jerusalém (pouco mais de 6 léguas) e era parada obrigatória de quem demandava Jerusalém como Jesus.

OS COBRADORES DE IMPOSTOS OU PUBLICANOS – Na linguagem dos dias de hoje, podemos dizer que publicanos eram funcionários públicos que cobravam impostos nos tempos de Cristo. Quando as mercadorias entravam em Israel, eram cobrados impostos sobre elas, como acontece ainda hoje com o imposto de importação. Como nos tempos de Cristo Israel estava sob o domínio de Roma, as taxas eram cobradas sistematicamente pelos romanos. Mas elas não eram cobradas por funcionários romanos. Sagazmente, Roma arrenda a terceiros, os publicanos. Como as taxas, às vezes, eram cobradas acima do que Roma exigia, acrescentava-se aí mais um motivo de odiosidade para os publicanos. Só que nem todos eram desonestos.

PREÂMBULO : O episódio de Zaqueu deste domingo tem relação com o do “publicano e fariseu que subiram ao templo para rezar” do domingo passado. O ponto em comum é o fato de a misericórdia de Deus ser estendida a todos, mesmo os que são discriminados como os publicanos dos tempos de Cristo. A “misericórdia de Deus” é uma das características do evangelista Lucas e o lindo episódio de Zaqueu só aparece no evangelho dele.

REFLEXÕES SOBRE O ENCONTRO DE JESUS COM ZAQUEU

Zaqueu era o chefe dos publicanos em Jericó, portanto era o chefe dos pecadores ou “o pecador mor”. Era assim que ele era visto pelos fariseus e seus asseclas.

Mas a ânsia de encontrar-se com Jesus foi tão grande que ele não hesitou em tomar uma iniciativa no mínimo “ridícula” para um homem “muito rico” de Jericó: trepar-se numa árvore da beira da estrada, onde Jesus ia passar.

O esforço mereceu uma recompensa generosa e inesperada. Ao passar exatamente embaixo da árvore, Zaqueu foi interpelado por Jesus: “Zaqueu, desce depressa! Hoje, eu devo ficar na tua casa.” Esse “depressa” de Lucas é eloqüente. Depressa “indica a prontidão diante de alguma coisa de grande interesse... Assim agiu Maria, que foi depressa levar a novidade da encarnação a Isabel (Lc 1,39). Assim agiram os pastores, que foram depressa a Belém (Lc 2,16). Nenhuma dificuldade, nenhuma dúvida retardaram seus passos.” (Vide Frei Clarêncio Neotti in Ministério da Palavra – ano C – pag 196).

Não precisou nem Zaqueu convidar Jesus, como era de praxe. Aliás, ele nem tinha pensado nessa opção, que era inteiramente impossível de acordo com a mentalidade do seu tempo. Como é que Jesus poderia querer entrar na casa do maior pecador de Jericó? Mas Jesus foi que convidou Zaqueu: “Hoje eu devo ficar na tua casa.”

A atitude de Zaqueu foi de grande humildade, humildade comparável ao do cobrador de impostos do templo. Achando-se indigno de receber Jesus mas feliz, prorrompeu em rasgos de generosidade: “...se defraudei alguém, vou devolver quatro vezes mais.”

Zaqueu soube aproveitar o momento da graça, pois diz o evangelho: “Ele desceu depressa e recebeu Jesus com alegria.”

Assim, a grande generosidade de Zaqueu , que se expôs ao ridículo de trepar-se numa árvore como menino vadio, foi correspondida com a misericórdia sem limites de Deus: “...porque este homem é um filho de Abraão.”

CONCLUSÕES:

Como fazer para termos um encontro com Jesus? –O episódio de Zaqueu é eloquente. Descer da nossa arrogância, do nosso comodismo e não ter medo nem de se expor ao ridículo, como fez Zaqueu, que sendo chefe dos publicanos na cidade, se expôs a uma situação humilhante para encontrar-se com Jesus.

FONTE: FRANCISCO VALMIR ROCHA

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