REFLEXÃO DO EVANGELHO DOMINICAL - Lc 2, 1-14 - NATAL DO SENHOR - ANO B

- “Aconteceu que, naqueles dias, César Augusto publicou um decreto, ordenando o recenseamento de toda a terra” .

César Augusto era o imperador romano no tempo do nascimento de Cristo. Naquele momento, o império romano mantinha sob seus domínios, à força das coortes romanas, todo o mundo conhecido. Por isso é que Lucas diz pomposamente “ordenando o recenseamento de toda a terra”. Deixa que a finalidade do recenseamento tinha um motivo mais interessante para o Imperador: propiciar a cobrança mais avantajada do imposto a todos os súditos(...)

-“...José subiu da cidade de Nazaré, na Galileia, até a cidade de Belém.”

José estava morando com Maria em Nazaré, mas o decreto de César Augusto mandava que cada um fosse se registrar na cidade natal e José era de Belém, terra da família do rei Davi à qual ele pertencia. Daí a obrigatoriedade dessa longa viagem até Belém. O evangelista diz “subiu”, porque Belém ficava nas proximidades de Jerusalém, em terras elevadas.

-A MANGEDOURA – A mangedoura era, na realidade, um fosso cavado no pé da parede da gruta e completado com barro para melhor dar a forma de uma bacia, onde era depositada a ração dos animais, como ainda hoje se vê nas grutas palestinenses. A mangedoura enquanto berço de madeira, como se vê hoje em muitas lapinhas, é inovação, que não condiz com a realidade.

-OS PASTORES – À procura de pasto para o rebanho, os pastores se distanciavam muito das povoações e, às vezes, não lhes era interessante voltar ao povoado para pernoitar por ter que voltar no dia seguinte. Dormiam, então, com seus rebanhos lá onde já tinham chegado e ficavam ao relento da noite. Para espantar o frio e as feras, acendiam uma fogueira. Foi ao relento e afastados dos povoados que os anjos os foram encontrar na noite do nascimento do Menino.

-“...encontrareis um recém-nascido envolvido em faixas e deitado em uma mangedoura.” – A mãe judia pensava que os membros do recém-nascido cresceriam retos e firmes, se fossem presos com tiras apertadas envolvendo o corpo. Daí as faixas, que tinham dez centímetros de largura e seis metros de comprimento.

-A GRUTA DE BELÉM – Sempre houve muitas lendas brotadas da imaginação e da devoção popular sobre a gruta em que nasceu Jesus. Cada um de nós sabe de uma versão diferente da gruta de Belém, colhida nas lapinhas domésticas na nossa infância como também da presença do burrinho e da vaquinha. Bom é saber, de antemão, que esses animais não são narrados pelos evangelistas, mas foram acrescentados à cena do nascimento pela devoção popular e divulgados de uma geração para outra. Não podemos deixar de registrar o devoto maior das lapinhas, que foi São Francisco de Assis. Mas não podemos também deixar de apresentar o que se tem de mais realista e histórico sobre a gruta de Belém. É um trecho de Frei Clarêncio Neotti OFM, encontrado em seu livro “Ministério da Palavra” – ano A – PAG. 31: “Não havia lugar na hospedaria: não devemos pensar a hospedaria como um hotel hoje. Era um terreiro cercado de muros de pedra, ao relento. Num dos cantos, pernoitavam os camelos e os burros; noutro, os homens, noutro as mulheres, noutro eram depositadas as mercadorias. Compreende-se que José não tenha querido expor Maria a um parto em lugar público. E saiu à procura de uma das muitas grutas existentes na região. E foi assim na maior das simplicidades, numa gruta sem dono, no meio da noite, abrigado pela dureza da pedra, aquecido pelo carinho de José, envolto na ternura de uma jovem mãe, que nasceu Jesus, o filho de Deus entre os homens.”

-NOSSO NATAL HOJE DEVE TER “CORPO” E “ALMA”.

O Natal desperta em nós certas iniciativas tradicionais e já bem conhecidas: pintar a frente da casa, usar luzinhas multicores como se quiséssemos expressar os nossos sonhos, organizar as ceias natalinas com muita prodigalidade. Digamos que essas iniciativas constituem o “corpo” do Natal. Mas é preciso que haja também troca de presentes. Afinal, nós mesmos recebemos do Pai o mais precioso dos presentes: Jesus Menino. È preciso que haja confraternizações sem discriminação das classes sociais menos desprotegidas. Quem sabe? – visitas a famílias pobres levando-lhes presentes bem à altura de suas precisões. As brincadeiras de “amigo invisível”, bem organizadas, podem propiciar legítimas confraternizações, em que angariamos novos amigos. Essas últimas iniciativas constituiriam o que podemos chamar “a alma” do Natal e não podem deixar de haver. Sem a alma, o seu Natal não teria vida e seria uma data como as outras, um simples mudar de folha de calendário.

-REFLEXÕES:

- A reflexão central que nos fica do evangelho de hoje é a predileção de Jesus pelos pobres e marginalizados. Embora seja Ele “O Messias de Israel”, deixa de nascer na capital Jerusalém para nascer a pouco mais de uma légua de distância (sete quilômetros) no ermo povoado de Belém. Os primeiros convidados, convite feito com grande pompa, foram os pastores, odiados pelos judeus, simplesmente porque o serviço deles os impedia de marcar lugar no templo. Os segundos convidados foram os Reis Magos, pagãos e por isso marginalizados também.

-Quanto a nós, como estamos tratando “os marginalizados” dos dias de hoje?

Por Francisco Valmir Rocha - membro da Pastoral Bíblica de Camocim/CE

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