Mãos buscando mãos … vazias
Olhos buscando olhos … cegos
Rostos buscando rostos … fechados.
Palavras buscando ouvidos … surdos
Sorrisos buscando amigos … ocupados
Silêncio buscando corações … de pedra(...)
A buzina, a propaganda, o motor
Tudo grita e abafa o gemido
Manso, sem fala, partido
Que vem do fundo da dor.
A angústia se esconde, se tranca
Atrás da máscara sorriso-carranca
A lágrima sem nome, doída
Se envergonha, se cala – é engolida!
O asfalto, o concreto, a máquina … o movimento!
E no fundo, onde ninguém escuta… o sofrimento!
O soluço duro, denso, pesado
Do homem do trabalho não pago.
Gente se cruza, se pisa, se xinga
Gestos, olhares, palavras – envenenadas
Mendigos, chagas, moedas – choradas
E na esquina o bálsamo, o alívio da pinga.
Crianças com rugas de um ancião
Meninas-moças à espera do ganha-pão
Adultos inseguros, assustados
(é o medo, a cidade), apressados.
O trombadinha, a carteira, o relógio – cuidado!
Corre-corre, polícia, pega-ladrão – tá danado!
A loteria (federal e esportiva) e a sorte
Que traz aos poucos da esperança e morte.
Cocadas, meias, chinelos, cuecas etcetera e tal
Compra-se ouro, chapa dos pulmões … cadê o mal?
E na solidão da alma, o absurdo
De gente que se mata pra morrer
É o choro no escuro a sofrer
De um povo buscando um deus … mudo!
Pe. Alfredinho - Assessor das Pastorais Sociais
A RUA
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