Fortaleza - Ceará, 13 e 14 de maio de 2011
RELATÓRIO
Nos dias 13 e 14 de maio de 2011, no Centro de Pastoral Maria Mãe da Igreja, em Fortaleza, realizou-se o Encontro Estadual de Formação para o Grito dos/as Excluídos/as 2011, que tem como tema: "Pela Vida grita a TERRA. Por Direitos, todos nós!"(...)
Estiveram presentes 29 participantes, agentes de pastorais e movimentos sociais de oito dioceses do Regional Nordeste 1 – Ceará.
O encontro teve início às 9h, com uma mística iniciada pela canção "Este é o nosso País". Em seguida, Ana Maria (CEBs, CAF) acolheu a todos e todas, pedindo que os participantes apresentassem as perspectivas para o Grito 2011. Nas falas, tomaram destaque a organização popular, identificação dos excluídos/as, que são também massacrados/as, enfrentamento dos grandes projetos e transformação das realidades de exclusão. Claudiano leu uma mensagem intitulada Grito de um excluído, de Salvador do Caculé e, concluindo a mística de abertura, todos/as cantaram alegremente a canção "O que vale é o amor" (Zé Vicente).
Assis Memória, da equipe de articulação regional do Grito, apresentou a programação e fez alguns encaminhamentos para encontro:
Relatoria: Thiago Valentim (CPT Regional)
Cronometrista: Batista (CEBs – Crato)
Animação: Ana Maria (CEBs,CAF), Claudiano (CPT Regional) e Dorinha (Cáritas – Sobral).
Assis Memória também apresentou ao grupo as justificativas da ausência de Pe. Manfredo para a assessoria, devido a problemas de saúde, bem como as desculpas do mesmo.
Nonato (CMP), também da equipe de articulação regional do Grito, que assumiu a coordenação do dia, convidou à Maria de Jesus (MST) para iniciar sua assessoria com a análise de conjuntura. A seguir, pontos apresentados por Maria de Jesus em sua análise:
A análise que preparei é fruto dos espaços que temos ocupado, dos encontros que temos participado, da caminhada na luta social que temos feito;
Devemos iniciar entendendo a conjuntura internacional: o que está acontecendo no Oriente Médio? Três questões temos que considerar:
1) O processo em curso no Oriente Médio contra as ditaduras lá existentes.
No Katar, a TV Al Jazeera tem feito muitas reportagens sobre esse processo de luta.
O que aquele povo está pautando? Não é o socialismo, mas um projeto popular: uma nova constituição, contra a subjugação do império dos EUA e que o petróleo não seja saqueado.
Todos os países envolvidos são islâmicos. Os EUA e Europa investem nesses países com o intuito de dominar suas riquezas naturais, especificamente o petróleo.
O motivo do levante é a ofensiva contra as políticas neoliberais, o aumento do custo de vida e do desemprego, principalmente da juventude, salários baixos e opressão das ditaduras.
Os protagonistas nestas lutas são as mulheres, os jovens e os grupos de direitos humanos.
Líbia sempre teve o império dos EUA como inimigo e tem uma organização política diferente dos outros da região.
A situação do Oriente Médio pode influenciar o nosso país, devido o Pré-Sal.
2) A crise econômica financeira.
Tem sido uma “bola de neve”.
Os trabalhadores/as tem pago o preço da crise, onde os governos usam os impostos para salvar os bancos e empresas, como o Brasil.
O discurso da burguesia diante da crise é que é preciso salvar o sistema.
3) Os processos na América Latina.
O que acontece no Ceará, no Brasil, tem a ver com uma conjuntura maior.
Há dois projetos na América Latina: 1) neoliberalismo (países do Mercosul querem que o Brasil seja um império, império do Sul) e 2) projeto da esquerda, que busca chegar no poder pela luta institucional (Chavez, Lula, Rafael, Evo Morales, Lugo).
O Governo Lula, como o de Dilma, é um governo de composição: “Brasil de todos”, dos ricos e dos pobres.
O tráfico interessa, pois é uma estratégia do sistema de criminalização dos pobres.
O Brasil tem um papel importante na conjuntura latinoamericana.
Nas eleições, dois projetos estavam em jogo: continuidade do neodesenvolvimentismo (Dilma) e neoliberalismo (Serra).
A pergunta na campanha era: qual o menos pior?
Hoje é uma data especial: 13 de maio de 1988 - luta pela libertação negra.
O Brasil passou por três momentos de desenvolvimento:
1) Desenvolvimento industrial: ocasionou várias alterações na sociedade brasileira. Os grandes fazendeiros se tornaram banqueiros e industriais. O capital da terra casou com o capital empresarial.
Nas décadas de 70, 80 e 90 surgem a CUT, CPT, MST, CEBs, Teologia da Libertação, Sindicatos, PT (com uma visão de ser um partido anticapitalista, antiimperialista, antilatifundista).
2) Década de 90: revolução robótica, informática, substituindo a mão de obra humana.
Nas discussões da CUT, a luta era sempre presente. As conquistas vinhas das lutas.
Surgem os acordos trabalhistas com patrões e empregados. Os sindicatos representavam a classe trabalhadora. Surgiu, então, a idéia de que não era mais preciso lutar, os acordos tratariam das reivindicações dos trabalhadores/as.
A última greve geral da classe trabalhadora foi em 1988.
A derrota do Lula em 1989 e a queda do muro de Berlim desmotivaram muita gente, causou uma desestruturação na classe trabalhadora.
3) Desenvolvimento capitalista na sua fase neoliberal: acumulação do capital, o lucro não é do Estado. O Estado tem que ser mínimo. O cidadão é de consumo, de mercado. Causou um desmantelamento dos trabalhadores.
Como resistência, surgem outros espaços: Gritos dos Excluídos/as, Campanha da Fraternidade, Fórum Social Mundial...
No campo, a situação está difícil, agravada pelo avanço do agronegócio.
No Ceará, o interesse do agronegócio se volta para os vales e serras.
A transposição do São Francisco desestrutura comunidades.
Governo Lula: governo de conciliação, muita conversa e pouco diálogo.
Ao mesmo tempo em que não temos o Governo Lula e Dilma como inimigos, as nossas bandeiras não avançam.
Bloco do desenvolvimento: Ministérios da Fazenda e do Exterior.
Há uma diferença entre composição e coalizão: composição – juntar partes; coalização – embate recíproco de dois corpos (Dic. Aurélio).
Slogan do Governo Dilma: país rico é um país sem pobreza.
Sociedade dos 80/20: de cada 100 habitantes, 80 deveriam morrer. As estratégias eram: criar doenças, miséria (interessa ao capital), drogas (eliminação da juventude).
É muito importante a unidade na luta. Ou nos unimos ou não teremos vitória.
Após a exposição de Maria de Jesus, foi aberto para um bloco de perguntas e considerações dos participantes, a seguir:
Ana Lourdes (CEBs Fortaleza): Um desafio é a unidade. A Presidenta não quer saber de conversar sobre economia solidária. A grande dificuldade é a divisão interna dos movimentos: há gente que acredita ainda em partidos e outra que não acredita mais.
Thiago Valentim (CPT Regional): Um dos desafios é o enfrentamento da mineração de urânio e fosfato que o governo federal que implantar em Itataia. Aquela região (Santa Quitéria, Itatira, Madalena) é historicamente esquecida pelos governos. As obras de infraestrutura (adutoras, estradas) estão chegando não para atender as necessidades da população, mas para viabilizar a mineração. O processo se dá pela mentira, os governos e empresas não falam dos impactos socioambientais. A organização popular nas comunidades do entorno da mina é mínima. Esta é uma estratégia do governo: implantar estas obras onde há o mínimo de organização ou nenhuma, para que não haja resistência.
Nonato (CMP): Há uma crise interna no capitalismo, com retirada dos direitos dos trabalhadores/as. Parece que o governo Dilma está administrando com mais dificuldade que o governo Lula.
Ailton (movimento dos catadores): Diante desta crise, pra onde o povo vai correr? Deveria voltar com mais intensidade o trabalho de base, de conscientização.
Marcone (Cáritas – Iguatu): Obama, em sua visita ao Brasil, se tornou o garoto propaganda de Dilma. Qual o impacto para o povo em termos de soberania diante da crise internacional?
Adriano (Cáritas – Crateús): Há uma anestesia geral. Alguns movimentos sociais estão ligados ao poder público. Ausência de manifestações no 1º de maio. Vale a pena continuar?
Considerações de Maria de Jesus:
A questão da divisão é preocupante. Existem nove centrais únicas de trabalhadores, três para serem legalizadas. O trabalho de união é árduo.
A organização social é um desafio.
Há especulação imobiliária dos pequenos, uma turma que ocupa pra vender.
Há uma turma de liderança corrupta que, se não tivermos cuidado, acaba com o que está sendo construído. Procuram amedrontar.
Não é difícil a cooptação de lideranças por parte do Estado.
O capital avança sobre os recursos naturais.
Muita gente abandonou a luta. A insatisfação, o consumismo, o neoliberalismo está muito presente.
Após estas considerações, outro bloco de perguntas foi aberto:
Assis Memória: Há mentiras que, de tão propaladas, tem gente que acaba acreditando como verdades. A criminalização dos movimentos sociais, como o MST, é exemplo. Passou a 2ª guerra mundial, a guerra fria acabou, mas os direitos continuam sendo podados. Há uma grande mentira na previdência, pois tem superávit. A estratégia é dividir para dominar. O Brasil está sendo vendido e há um recuo de movimentos em relação ao limite da propriedade da terra.
Dorinha (Cáritas – Sobral): A Grendene, com a escravidão de seus trabalhadores, possui incentivo fiscal. Ameaçam ir embora caso não tenham incentivo fiscal. O agronegócio financia as campanhas eleitorais.
Maison (Seminarista – Itapipoca): Há dificuldade dos trabalhadores em reivindicar seus direitos. Como os trabalhadores da Grendene de Sobral podem se unir aos da Grendene do Sul para reivindicar seus direitos? Quanto ao Pré-Sal, percebe-se que uma das dificuldades é a falta de tecnologia.
Claudiano (CPT Regional): Os movimentos sociais, ao olhar para a corrupção do PT, precisa olhar também para si. Alguns movimentos estão cooptados, ligados diretamente a governo. É importante fortalecer a mística.
Santana (Limoeiro): Como trabalhar com a família, inseri-la na luta, se o pai, a mãe, o irmão, estão trabalhando nas indústrias do agronegócio, contra quem lutamos? Na Chapada do Apodi está chegando outra fábrica, a de cimento.
Caetano (Pastoral Operária – Fortaleza): Há lideranças, mesmo nas centrais sindicais, que estão cooptadas e ligadas ao governo.
Gigi (Frente Cearense por uma Nova Cultura das Águas): Na luta contra a transposição, no início, havia umas 50 entidades, hoje “contamos nos dedos”. O financiamento de entidades de assessoria aos movimentos está diminuindo. Portanto, estas entidades também estão ameaçadas.
Ana Lourdes: Lula serviu aos ricos sem deixar de atender aos pobres, disse Pe. Manfredo na análise de conjuntura na Ampliada do 13º Intereclesial. Volta as eleições, vamos continuar votando no menos ruim?
Ormezita (CPP): O que vemos é a continuação da lógica do pão e do circo: muita comida, muita bebida, muita festa, mas não tem diálogo. O acesso de pescadores e banhistas ao mar também está ameaçado.
Alcileide (Pastoral da Criança – Iguatu): Os governos municipais estão muito voltados para o capital. Em Iguatu, aconteceram casos de tortura envolvendo políticos. As obras não estão voltadas, de fato, para o bem estar social.
Nonato (CMP): Quantos partidos e centrais sindicais de esquerda ainda temos? Muitos da luta estão envelhecendo e há uma preocupação com a juventude. A unidade da esquerda se dará através de um projeto, o projeto popular.
Batista (CEBS – Crato): Participei das comemorações do Movimento 21 e do Fórum Social das Américas. É importante sistematizar todas estas nossas discussões e buscar trazer o Fórum Social para o Ceará.
Considerações de Maria de Jesus:
A vinda de Obama ao Brasil tinha como objetivo discutir sobre três temas: Pré-Sal, Copa do Mundo e mercado de alimentos. Não conseguiu o que queria, mas fizeram acordos bilaterais.
O capital vem dominando no sentido de engessar.
A Chapada do Apodi, antes da chegada do agronegócio, era terra de pequenos, se tinha produção e fartura. Hoje na Chapada o poder local está associado ao controle social.
A educação hoje n/ao é para a liberdade (Paulo Freire), mas para a formação de profissionais para o capital.
Temos que discutir qual o tipo de emprego que queremos pra nossa juventude.
Nosso papel é gerar conflito. Não podemos ficar quietos, é isso que eles querem.
Vale a pena assistir o filme Cidade do Silêncio, que retrata crimes numa fábrica de computadores.
Temos que repesar nossas lutas, olhando como as lutas estão se dano no mundo.
Ter clareza: qual é o nosso lado? Lado dos trabalhadores/as.
Uma grande mentira é o capital humanizado. Capital não tem coração, tem bolso, tem conta.
Outro desafio é pensar a autonomia financeira de nossas lutas.
Após esta análise de conjuntura, Glória (Cáritas Regional e Articulação Regional do Grito) apresentou os objetivos do Grito e também deste encontro de formação estadual, cujo objetivo é animar e articular o Grito dos/as Excluídos/as em todo o Ceará.
Aproveitando o momento, agradeceu à Mara de Jesus (MST) pela sua valiosa contribuição na análise de conjuntura. Pausa para o almoço.
Ao retorno, deu-se continuidade ao encontro com uma dinâmica orientada por Claudiano (CPT Regional).
Dando continuidade, Assis Memória (Grito Regional) pediu que os participantes contemplassem o cartaz do Grito 2011 e, depois, expressassem suas leituras sobre o mesmo:
Dorinha (Cáritas – Sobral): O desenho mostra a vida que surge, a valorização do meio ambiente, o resgate dos Gritos anteriores.
Ana Lourdes (CEBs – Fortaleza): A Mãe Terra já foi muito engolida, mas ainda está se segurando com um pé, resistindo, pra não ser engolida totalmente.
Santana (Limoeiro): A Terra está gritando porque está sumindo.
Ailton (Mov. Dos Catadores): Desordem da modernização. A sujeira fica em cima da Terra, acabando com ela. Se a Terra está gritando de dor, mais tarde, como vamos estar?
Marcone (Cáritas – Iguatu): O desenho apresenta uma parte em cinza, sombria, e outra parte colorida, festiva. A industrialização, o mercado, os efeitos de tudo isso. Expressa as mudanças climáticas. O que a Mãe Terra tem pra nos oferecer está expresso na parte colorida: a vida.
Thiago Valentim (CPT Regional): O cartaz expressa a biodiversidade ameaçada. Temos cuidar do planeta e preservar todo tipo de vida, não somente a vida humana. Temos que cuidar de toda a biodiversidade.
Adriano (Cáritas – Crateús): O desenho expressa a vida ameaçada.
Carlos (Sobral): O homem suga toda a vida da Terra. Os mais pobres são explorados, tiradas suas forças.
Assis Memória (Grito Regional): O cartaz foi elaborado pelo cearense Daniel. Há várias visões nele. Vejo que a mulher tem dupla representação: a Mãe Terra poluída, num grito de dor e o renascimento de toda a raça humana e a biodiversidade. As pessoas que seguram a bandeira do Brasil estão numa atitude de reivindicação.
Feitas estas considerações, os participantes fizeram a partilha das atividades de preparação para o Grito 2011 que estão sendo realizadas e/ou planejadas nas dioceses:
Limoeiro: Não foi feito nada ainda. A preparação e lançamento do Grito será nos dias 28 e 29 de maio, quando será marcado o Pré-Grito. Este encontro está sendo organizado pela Comissão de Justiça e Paz da Diocese.
Iguatu: Já houve uma reunião em abril para pensar o Grito. Está marcado para o dia 06 de setembro um seminário para discutir as problemáticas do lixo, do uso de agrotóxicos e da contaminação das águas. Este seminário se encerrará com o Grito diocesano pelas ruas de Iguatu. A orientação é que as paróquias realizem os seus Pré-Gritos antes deste seminário e levem as demandas para as discussões. Deste seminário, sairá uma carta a ser enviada aos órgãos competentes com as reivindicações dos participantes. O bispo se encarregou de animar e mobilizar os padres. O seminário está sendo organizado pelas Pastorais Sociais e Comissão de Justiça e Paz da Diocese.
Crateús: Desde a CF 2011 que o Grito já vem sendo preparado. A partir das ações da CF, podemos nos perguntar: quais são os nossos gritos? O Grito acontece nas paróquias, no dia 7 de setembro mesmo. Há dificuldade de envolver os excluído/as.
Durante a semana anterior é feita a formação com os grupos. No dia 02 de setembro está marcada a Assembléia das Pastorais Sociais, que estudará os impactos socioambientais dos grandes projetos da região. Ainda este mês haverá um estudo diocesano em preparação ao Grito.
Quixadá: Não há uma articulação diocesana do Grito. O Grito acontecerá em Madalena. Está programado para o dia 17 de junho um Pré-Grito, com representantes de todas as comunidades, movimentos e pastorais sociais. Os temas a serem discutidos neste encontro de formação são: Reforma Agrária, mineração de urânio e fosfato, uso de agrotóxicos e extermínio de jovens. O objetivo é que, após este encontro, os participantes motivem esta mesma discussão nas comunidades, nas escolas, associações e outros diversos espaços. O Grito está sendo organizado pela CPT, Paróquia de Madalena, Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais, MST, Coletivo de Mulheres e Irmãs Apóstolas da Sagrada Família.
Crato: O Grito diocesano será realizado no dia 18 de setembro, 3º domingo de setembro, com a romaria das comunidades ao Sítio Caldeirão, do Beato Zé Lourenço, organizado pelo Eixo Ação da Diocese. Em Aurora, o Grito é bem preparado pela juventude, com fóruns e seminários. Este ano, o Grito está ameaçado em Aurora pela notícia que terão seguranças que impedirão os gritantes de participar do desfile. Na cidade de Crato o Grito é realizado, mas sem o apoio e participação da Igreja. Tem caráter partidário e gerado muitos conflitos. Em Juazeiro, haverá um encontro de lançamento no dia 05 de junho. Em agosto, acontecerá o Fórum sobre o Beato Zé Lourenço e, no dia 07, o Grito.
Sobral: Haverá uma reunião das Pastorais Sociais, no dia 17 de junho, em preparação ao Grito, que acontece somente no nível diocesano. Há algo parecido em Acaraú que é a Marcha do Vale. O Grito não é realizado no dia 07 de setembro. Além do Grito mesmo, é realizado um seminário com a temática na Universidade Vale do Acaraú (UVA). Há dificuldade de participação dos padres.
Itapipoca: Os seminaristas participantes não souberam informar se há uma articulação do Grito na diocese. Porém, afirmam que há uma preocupação do bispo e da formação para que os novos padres se engajem nas Pastorais Sociais.
Fortaleza: A preparação do Grito se iniciou com uma palestra sobre os impactos dos megaprojetos, especificamente a Copa do Mundo. Todos os 3º domingos há a Plenária do Grito. A força financeira vem da Arquidiocese. São criadas comissões de preparação para o Grito. Este ano será feito um único Grito em Fortaleza, mas, nos próximos anos, há a possibilidade que o Grito seja realizado por regiões.
Pastorais Sociais do Regional: Nos dias 09 e 10 de setembro está planejado um seminário para discutir os impactos dos grandes projetos sobre as comunidades e dar visibilidade ao mapeamento destas áreas. Há a possibilidade de ser realizado junto com o seminário sobre mudanças climáticas, preparado por um outro grupo.
Após esta partilha, Nonato (CMP) orientou para o estudo do tema, a ser feito em grupo. Os participantes foram divididos em três grupos com objetivo de fazerem a leitura dos objetivos e eixos do grito e refletirem a partir das seguintes questões:
Considerações e acréscimos aos objetivos
Os eixos propostos dialogam com a realidade local?
Quais estão mais presentes?
Sugerem acrescentar algum eixo, a partir da realidade local?
Eis os resultados dos grupos, apresentados na plenária:
GRUPO 1
Os objetivos contemplam as várias formas de anseios e lutas implementadas no Grito. Não é dada visibilidade adequada às alternativas de produção sustentável que garante a soberania alimentar. A unidade campo/cidade requerida nos objetivos também deve ser entendida como unidade nos vários espaços de lutas e nas várias frentes. O projeto popular ainda não está definido, mas já se expressa nas experiências vivenciadas pelas camadas populares, no seu modo de produção sustentável e nas forças democráticas de organizações de luta pelos direitos.
Há uma burocratização na comercialização da Economia Popular Solidária para a merenda escolar, mas também observa-se que os produtos ainda não são acessíveis às camadas mais pobres. O Brasil não é credor, como diz a propaganda e nem deixou de pagar a dívida. A mística e a utopia nos mantém perseverantes nas lutas. O monopólio da comunicação visualizado em nível nacional se expressa também nos municípios, agora com as elites econômicas e políticas locais. Os jovens são vítimas duplamente: assassinados pelo Estado e pelo tráfico, bem como atingidos por outras formas de criminalidade e cooptação para o crime.
Projeto Sustentável; Onde estão Nossos Direitos; Comunicação Popular; Defesa e Promoção da Juventude; Garantir todas as formas de Vida do Planeta.
GRUPO 2
O objetivo geral está bem fundamentado, a partir do anúncio e da denúncia. Alguns questionamentos: quem são os excluídos/as? Onde estão? Estamos preparados para acolhê-los? O próprio nome já exclui. Porque não dizer grito pela vida, grito pela esperança? Quais as ações do Pré-Grito? Temos que ter cuidado com os nossos direitos já conquistados para não retroceder.
Sobre os eixos: dar destaque à questão da saúde pública e soberania alimentar.
GRUPO 3
Acréscimos: dar visibilidade ao processo de resistência, pela iniciativa de convivência com o semiárido, da economia solidária e outras organizações dos pequenos. Sugestão para a comunicação e divulgação do Grito: utilizar a mídia alternativa: jornais e rádios comunitárias, blogs, redes sociais.
Os eixos dialogam com a realidade local, porém, seria interessante fazer alguns acréscimos: no eixo que fala da juventude, trabalhar a promoção dos direitos humanos em geral, incluindo aí a situação dos idosos. Acrescentar um eixo: enfrentamento dos grandes projetos do agrohidronegócio.
As questões 3 e 4 não foram trabalhadas.
Assis Memória (Grito Regional) fez algumas considerações, destacando alguns eixos: Soberania Nacional e Internacional: direitos humanos não são respeitados; Colômbia: cercada de bases militares; auditoria da dívida: houve apenas uma no Governo Getúlio Vargas; Jubileu Sul: promoverá a Campanha da Auditoria.
Nonato (CMP): Devemos nos empenhar na construção de um projeto popular. Projeto neoliberal: FHC/Serra. Projeto neodesenvolvimentista: Lula/Dilma. O projeto popular quer trabalhar a implementação dos direitos.
14 de maio de 2011
O segundo dia teve início com a mística, animada pelas canções Onipotente e Bom Senhor..., Se é pra ir pra luta..., A volta da Asa Branca.
Em seguida, Glória (Cáritas e Grito Regional) fez uma partilha das impressões e informes do Encontro Nacional de Articulação do Grito, que aconteceu em São Paulo, de 1 a 3 de abril, com a participação de 35 pessoas, vindos de 16 estados da federação. Alguns pontos de destaque:
Participação do Nordeste: apenas Ceará e Bahia.
Análise de Conjuntura feita por Vanderley Nery e Pe. Alfredinho.
A análise destacou os impactos dos megaprojetos e a imposição do sistema capitalista.
Reflexão feita: ainda há excluídos?
Super exploração dos trabalhadores/as nas grandes obras.
Problemas em torno da Copa e Olimpíada.
Pobreza não significa somente não ter dinheiro, mas não ter acesso aos direitos básicos.
Reflexão sobre a atuação das igrejas e movimentos religiosos na sociedade. A grande maioria não tem caráter libertador.
A mídia legitima a violência e a desigualdade.
Manter a opção pelos pobres.
Existem dois modelos de Igreja: romanizada (ritos, celebrações, shows) e aquela que celebra a partir da realidade.
Pe. Alfredinho apresentou o projeto popular. Há uma panacéia de crescimento. O remédio à crise proposto pelo sistema capitalista é um veneno para nos e o meio ambiente.
Linguagem inflacionada: nova roupagem, mas não transforma a realidade.
O crescimento se afasta das verdadeiras necessidades das pessoas.
Há impasses e possibilidades dentro das instituições. Chama a atenção para não centrarmos nossas forças mais nas burocracias, em detrimento da atuação junto às bases na construção do projeto popular.
O projeto popular tem raízes nas lutas negras e indígenas.
Buscar um trabalho em rede, conectado.
Houve trabalho em grupo com as temáticas: energia, meio ambiente, saúde, trabalho.
Um trabalho específico sobre o Grito, tema e eixos, também foi realizado e a assembléia fez algumas considerações, que estarão presentes no próximo número do jornal do Grito.
Alguns símbolos foram propostos: globo/planeta, quatro elementos, água, muda de planta. O símbolo deve falar aos excluídos/as.
É importante que cada local escolha um símbolo.
Algumas sugestões foram dadas de como manter a articulação do Grito sem perder algumas características próprias: realização do dia “D”, a fim de dar visibilidade ao processo de preparação do Grito; que o Grito seja realizado em locais que realmente estejam em risco (lixões...); realizar encontros de formação; manter a realização do Grito no dia 07 de setembro e não ceder a palavra para grupos políticos; garantir que os excluídos/as sejam os sujeitos do Grito; procurar colocar o Grito para além de nós, que possa refletir nas comunidades; o Grito deve deixar de ser um evento e passar a ser um processo; ser criativos e ousados nas linguagens; coletiva de imprensa: continuar realizando e promover debates nas rádios locais; construir o Grito coletivamente com outros movimentos sociais; cada Estado/local organize uma equipe para pensar a comunicação.
Para o próximo encontro nacional devem participar duas pessoas do Ceará.
Nonato (CMP), que também participou do encontro nacional, também expôs algumas de suas impressões: O questionamento: será que ainda existem excluídos/as? é importante; o discurso do governo é que, na conjuntura atual, 30 milhões de pessoas ascenderam à classe média, mas ainda existem muitos pobres, miseráveis e excluídos; a revolta dos operários nas obras do PAC se deve pela superexploração dos trabalhadores; estamos acostumados a avaliar o Grito pela quantidade de participantes, e não pela qualidade, que são valores como propostas concretas, organização popular; trabalhamos com os excluídos, mas não os consideramos excluídos; uma experiência positiva é a realização, em alguns estados, de fóruns permanentes do Grito.
Assis Memória (Grito Regional) expôs também suas impressões do encontro nacional: muitas pessoas que criticam o Grito não estão inseridas nas lutas sociais. Enquanto houver excluídos/as, o Grito terá sua razão de existir. A partir de 1990 hou uma redução dos movimentos sociais e, na Igreja, uma romanização.
Em seguida, foi feita a leitura de um texto do jornal do Grito edição de março de 2011, sobre o porquê do grito realizar-se no dia 07 de setembro.
Glória (Cáritas – Grito Regional) fez a apresentação de um vídeo sobre o Grito de Los Excluídos – Grito Continental. O Grito Continental é realizado no dia 12 de outubro. Informações podem ser encontradas no site do Grito: www.gritodelosexcluidos.org
Também foi apresentado um vídeo sobre o Grito dos Excluídos/as do Brasil.
Após os vídeos, Glória (Cáritas – Grito Regional) orientou para o trabalho em grupo, onde foram discutidas propostas de como realizar o Grito desde o nível regional ao local. Os participantes se reunião por blocos de dioceses, trabalhando a partir dos seguintes pontos:
Quais as atividades que podem ser realizadas a nível diocesano, municipal/local, comunitário?
Quais as formas de linguagens possíveis?
Quais as estratégias de comunicação?
Quais os atores a envolver?
Eis as conclusões dos grupos:
Bloco Crateús e Sobral
Preparar material para o mês da Bíblia com a temática do Grito. O livro utilizado será o Êxodo; organizar seminários de estudo sobre a temática com diversos grupos.
Músicas, enquetes teatrais, contação de estórias.
Que o Regional escreva uma carta aos bispos e coordenadores das pastorais sociais motivando-os e pedindo que motivem os padres; divulgação nas missas, celebrações, jornais e rádios locais; divulgar o Grito nas escolas, redes sociais, movimentos sociais.
Pastorais e Movimentos Sociais, escolas secundaristas, universidades, comunidades rurais e urbanas e paróquias.
Bloco Fortaleza, Quixadá e Itapipoca
Solicitar dos bispos que motivem o clero a se envolver no Grito; criação de fóruns permanentes do Grito nas dioceses e paróquias; encontros nas escolas e realização de um mapeamento dos locais e situações de exclusão.
Linguagem regional: cordel, repentes, folclore, teatro, vídeos.
Divulgação nas rádios e parceria com a Pastoral da Comunicação.
Não foi trabalhada.
Bloco Crato, Iguatu e Limoeiro
Que o dia “D” regional seja realizado no dia 13 de agosto; realização de formações diocesanas, setoriais e paroquiais; divulgar o Grito nas Semanas Missionárias das Santas Missões Populares; seminário em setembro (Iguatu); marchas e romarias (Romaria da Terra); exposição em praça pública de fotos, slides sobre a realidade local.
Cordéis, teatro, dança, música, símbolos, painéis, estandes.
Internet, TV, rádios comunitárias, carros de som, panfletagem, cartazes.
Não foi trabalhada.
Glória (Cáritas – Grito Regional) pediu que cada diocese pudesse ver uma pessoa que seja referência para a comunicação e informasse à Monise, da Cáritas Regional, pelo email: caritasceara.ascom@caritas.org.br
Em seguida, Thiago Valentim (CPT Regional) e Airton de Maria (CEBs – Fortaleza) apresentaram um hino que compuseram para o Grito 2011. Thiago Valentim ficou responsável de enviar a letra e o hino gravado para os emails dos participantes, a fim de que comecem a utilizá-lo na preparação e realização do Grito.
HINO DO GRITO DOS/AS EXCLUÍDOS/AS 2011
Letra: Thiago Valentim (CPT CE)
Música: Airton de Maria (CEBs - Fortaleza)
Pela vida grita a Terra, por direitos todos nós!/ Grita, povo excluído! Ninguém cala a nossa voz.
Terra Mãe está gritando com tanta destruição./ Suas matas derrubadas, tamanha concentração./ Envenenada todo dia, num clamor de agonia, geme toda a criação.
Tantos projetos de morte dos governos e empresas./ Escravizam nosso povo, a Mãe Terra fica presa./ Terra e Água libertadas, gente unida, organizada, vida e pão em nossa mesa.
Por direitos nós gritamos, queremos dignidade./ Defendendo toda vida, com justiça e igualdade./ Contra toda exclusão, vamos juntos, dar as mãos, construir fraternidade.
Glória apresentou a prestação de contas das despesas do encontro, a seguir:
Item Memória de Cálculo Valor total
Café da manhã R$ 3,55 x 30 p x 2 dias
213,00
Lanche da tarde R$ 3,55 x 30 p x 1 lanche
106,50
Almoço R$ 6,00 x 30 p x 2 dias
360,00
Jantar R$ 5,00 x 30 p x 1 jantar
150,00
Pastas e material didático R$ 3,00 x 30 p
90,00
TOTAL
919,50
CONTRAPARTIDAS:
Hospedagem: CPT
Passagens: Dioceses ou movimentos
Jornais e cartazes (R$ 329,00): Secretaria Nacional do Grito
Pastas e material didático: CAF
Espaço: Arquidiocese
Os participantes de Itapipoca convidaram a todos/as para a Romaria da Terra, que se realizará no dia 07 de agosto de 2011, em Itapipoca e seguiu-se a avaliação, nos os participantes expressaram alegria pelo conhecimento de novas pessoas, motivação na caminhada, sensação de que ainda se tem um longo caminho a percorrer, preocupação pela dificuldade de mobilização e realização do Grito em alguns lugares, alegria pelo grupo reunido e pelo bom êxito da discussão, fortalecimento do compromisso com o Grito dos Excluídos/as.
O encontro encerrou-se com o almoço.
Thiago Valentim
CPT CE
LISTA DOS PARTICIPANTES
Alcineide Bezerra de Oliveira (Pastoral da Criança – Iguatu). (88) 96406530/92184910/35811235
Ana Maria de Freitas (CAF). (85) 86363313/33888716
Ana Lourdes de Freitas (CEBs – Fortaleza). (85) 87615841. anacacoecores@yahoo.com.br
Antônio Adriano S. Leitão (Cáritas – Crateús). (88) 99679945/92775137
Antônio Carlos A. Rodrigues (Pastoral da Pessoa Idosa – Sobral). (88) 92244574. cr2008@ibest.com.br
Antônio Caetano (Pastoral Operária - Fortaleza). (85) 88020224.
Assis Memória (Articulação do Grito – Fortaleza). (85) 99443315. amspsas@hotmail.com
Cássia Matias (CMP). (85) 88631720. cassiapmatias@hotmail.com
Claudiano Sobral (CPT Regional). (88) 96415687. claudianocpt@yahoo.com.br
Elza (CMP). elzafz@bol.com.br
Francisco Antônio de Souza Castro (PJMP – Sobral). (88) 92970224. pennenanjo@hotmail.com
Francisco Régis Carneiro de Matos – Seminarista – Diocese de Itapipoca
Gigi Castro (Frente Cearense por uma Nova Cultura da Água). (85) 86018982. gigicastro2009@gmail.com
José Batista da Silva (CEBs – Crato). (88) 99269330/88297254. batistacebs@gmail.com
José Marconi Dias (Cáritas – Iguatu). (88) 96649827. marconnidias@hotmail.com
Lucivan Lima de Souza (Cáritas Regional). liwangelico@hotmail.com
Maria das Dores Vieira (Cáritas – Sobral). (88) 99996013. dorinha_vl@hotmail.com
Maria Glória Carvalho (Cáritas Regional). caritasceara@caritas.org.br
Maria de Santana Oliveira (Past. da Pessoa Idosa - Limoeiro). (88) 92124897/96798583. santanaoli@yahoo.com.br
Maria de Jesus dos Santos Gomes (MST). (85) 99899435. madeje31@hotmail.com
Maria Ruth da Silva Gondim – Pacatuba. (85) 85397105
Mayson José Mendes de Sousa – Seminarista – Diocese de Itapipoca
Nonato Filho (CMP)
Ormezita Barbosa (CPP). (85) 32388392. cppceara@yahoo.com.br
Pe. Carlos A. Conceição (Limoeiro). (88) 99476251. carlosaprendiz51@gmail.com
Raimundo Nonato Gomes Marques. (85) 96753369
Thiago Valentim Pinto Andrade (CPT Regional). (88) 96279567/92230270/81127727.
thiagovalentim1@yahoo.com.br
Fonte: Se avexe não - CEBs/CE



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