Súmula biográfica:PEDRO - Seu nome era Simão. Ao ser apresentado pelo irmão André, Jesus lhe muda o nome. "Chamar-te-ás Kefa (grego), que quer dizer "pedra" (daí "Pedro").
- Nasceu em Betsaida, cidade ao norte do Mar da Galileia, à beira do mar, mas, no momento do encontro com Jesus, já morava em Cafarnaum, cidade fronteiriça, com uma alfândega e sede de uma guarnição romana, situada também na beira do Mar da Galileia(...)
- Era casado, pescador de profissão e a sogra morava com ele.
- Estava convicto de sua missão de Chefe da Igreja, pois, logo depois de Pentecostes, preside a eleição de Matias, para substituir Judas Iscariotes. Também é ele que toma a palavra no primeiro concílio da Igreja, em Jerusalém.
- Entre os anos 64 e 67 da Era Cristã (não sabemos o ano certo), foi crucificado numa perseguição movida por Nero. Foi crucificado de cabeça para baixo, porque não se julgou digno de morrer como o Mestre, conforme diz a lenda.
PAULO - Com a circuncisão (retirada do prepúcio), recebeu o nome judaico de Saulo; e, como cidadão romano que era, recebeu o de Paulo.
- Era de família abastada e tinha duas profissões: era rabino e fabricador de tendas. Tendas eram barracas (morada de nômades), feitas de um tecido grosso, que Paulo sabia tecer. Em suas viagens apostólicas, fazia tendas nos dias da semana para ganhar o pão e continuar independente.
- Tendo em vista as muitas viagens apostólicas, canseiras e prisões, era de se esperar que Paulo fosse um homem imponente e de saúde de ferro. Pois bem! É curioso saber que o seu físico não era nada imponente, era um homem baixo, não tanto atraente e sofria de uma doença crônica, que ele descrevia como um "espinho em sua carne". Também não era eloquente como Apolo, líder católico de seu tempo.
- Era culto, doutor em leis e foi um escritor de talento. Quando queria, era arrebatador, como um verdadeiro poema que teceu à Caridade. Pode aparecer em qualquer Antologia:
"Ainda que eu falasse línguas,
as dos homens e as dos anjos,
se eu não tivesse a caridade,
seria como um bronze que soa
ou como um címbalo que tine." (I Cor 13, 1-13)
- Era solteiro.
- Paulo foi martirizado também em Roma, na mesma época que Pedro, mas não foi crucificado, porque era um cidadão romano e a Lei não o permitia. Foi decapitado (degolado).
PEDRO ERA UM SANTO BEM HUMANO - Ele era "pescador", "pecador", mas nada de "doutor".
- Como pescador, foi encontrado por Jesus entre as barcas e redes na beira do Mar da Galileia, bem perto da sua casa. Como todo pescador naquele tempo e naquelas paragens, quase nada sabia. A Bíblia não diz nada a esse respeito como para indicar que saber ou não saber não faz diferença para Deus, que pode modelar o barro à sua vontade.
- Mas Pedro era também "pecador". A negação de Pedro naquela noite de quinta-feira, à beira da fogueira, é um crime comparado ao de Judas. Só que Judas entrou na tangente do desespero, e Pedro no caminho da conversão, como diz Frei Clarêncio Neotti (Ministério da Palavra - ano A - pag. 223). Diz a Bíblia: "E Pedro se lembrou da palavra de Jesus... E começou a chorar."
PEDRO NÃO TINHA PAPAS NA LÍNGUA - Pedro falava com franqueza, sem reservas, mas com a sinceridade da sua alma, de tal modo que algum pregador até já achou de chamá-lo "de atrevido". Senão vejamos!
- Certa noite, Jesus caminhava sobre o Mar da Galileia: uma figura branca, fosforescente, com o manto esvoaçando ao vento, enquanto seus discípulos iam no meio da travessia, remando para a outra margem. Aquela figura branca, àquelas horas da noite, pôs medo no coração dos discípulos, que julgavam estar vendo um fantasma. Ao serem avisados de que se tratava de Jesus, Pedro disparou: "Senhor, se és tu, manda que eu vá ao teu encontro sobre as águas." A água chegou a lamber-lhe os joelhos, e Pedro soube que era fraco na fé. De outra feita em que Jesus os advertia que ia a Jerusalém e lá ia sofrer muito por parte dos anciãos e chefes dos sacerdotes, Pedro achou de repreendê-lo demovendo-o da ida àquela cidade. Não foi feliz na iniciativa, mas, entre os prós e os contras desses modos afoitos, Jesus gostou dele e também o Pai do Céu, que usou a boca dele para dizer: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo." Foi quando recebeu as chaves do Reino do Céu.
REFLEXÕES:
- O exemplo de Pedro é uma lição para os desaprendidos. Tem muita gente na roda de algum movimento ou pastoral convicta de que não sabe nada e, por isso, está dispensada de qualquer coisa. Prestam-se a massa de manobra dos outros. Pedro também não sabia nada, mas foi operante, foi humilde, deixou-se operar por Deus e até emprestou sua boca à inspiração d'Ele: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo."
- A concórdia que prevaleceu entre Pedro e Paulo apesar das diferenças tão grandes entre eles é um exemplo para nós. Em nossos grupos, há elementos de origem familiar diferente, de culturas diferentes, de opiniões divergentes. Então, é hora de levantar os olhos para eles (Em Roma, há as imagens em grandes proporções de Pedro e Paulo "juntas") e imitar-lhes o exemplo de "Concórdia" e "Tolerância".
FRANCISCO VALMIR ROCHA


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