O evangelho de hoje é muito curto (15 linhas do jornalzinho "O Domingo"), mais de um imenso conteúdo. Nele, simplesmente, Jesus dá a senha para se conhecer um discípulo d'Ele. Há seitas que distinguem seus adeptos pela defesa acalorada de um ponto de doutrina que só serve para dividir; há sociedades que distinguem seus participantes pelo grau de inteligência e cultura. O evangelho de hoje desfaz avaliações apressadas e errôneas. O discípulo de Cristo não é o que reza mais do que os outros, se bem que a oração não pode estar ausente de vida de um bom cristão. Não é o que se mortifica mais do que os outros, embora o bom cristão não possa ser aquele que leva uma vida dissoluta. O sinal para se reconhecer um discípulo de Cristo - atenção! - é amar os outros(...)A DESPEDIDA - A partir deste quinto domingo, Jesus começa a despedir-se dos seus discípulos, pensando na sua subida para junto do Pai. É como a pessoa humana dele se desenraizando da vida terrena. Há até um pouco de carinho e nostalgia, que sempre há nessas horas: "Filhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco." Nenhum evangelista é melhor para fazer as despedidas que João, o discípulo a quem Jesus amava. Somente ele, entre todos os evangelistas emprega esta palavra tão carinhosa: "Filhinhos".
"Depois que Judas saiu do cenáculo, disse Jesus: "Agora foi glorificado o Filho do Homem."
Que é que o Mestre quer dizer com esta declaração: "agora foi glorificado o Filho do Homem"? Essa pergunta deve pairar na cabeça do ouvinte despreparado. Como é que o gesto estabanado de Judas, que consuma uma traição, pode glorificar o Filho do Homem? Judas, possuído de grande perturbação à medida que o seu plano se tornava conhecido de Jesus, saiu do cenáculo de maneira atrapalhada. Com a sua saída, Jesus viu que o drama ia começar, o Drama da Paixão, o ato supremo da sua vida, com que ia glorificar o Pai. Não é que Jesus tenha deixado alguma vez de glorificar o Pai na sua vida. Há até aquela belíssima passagem: "Graças te dou, Pai", porque ocultastes estas coisas aos sábios e as revelastes aos pequeninos!" Mas o ato supremo de glorificação, o testemunho maior de seu amor ao Pai era a sua morte na cruz.
CONCLUSÕES E REFLEXÕES:
O ponto central do evangelho de hoje é este distintivo do discípulo de Cristo, que Jesus nos deu e viva voz: "amar os outros". Mas é preciso frisar que esse amor não é um amor platônico. Não é um ato superficial e inconsequente. Padre Virgílio, na sua famosa coluna-laranja do Domingo de hoje, diz que "um simples aperto de mão não arranca pela raiz as causas das lutas sociais", que estão causando o maior mal do momento, a violência, por exemplo. Esse amor "não apenas exige o perdão das ofensas como também postula a conversão do agressor. Não está aí só para apresentar a face direita a quem bater na esquerda (seria romântico até), mas sabe também pedir contas ao violento: Por que me bates?"
FRANCISCO VALMIR ROCHA


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