OS PROFETASDEFINIÇÃO:
Os dois idiomas principais da Bíblia, o hebraico e o grego, nos ajudarão a definir o termo.
1- Do grego “πρoφήτης” , significa “aquele que fala em lugar de outrem”.
2- Do hebraico “nâbhî” significa "aquele que é chamado (por Deus) e tem o encargo de falar a outros da parte de Deus.” Esta palavra é usada 316 vezes no Antigo Testamento.
- Eram homens e mulheres carismáticos/as, inspirados, que em épocas de degeneração do culto e da consciência moral, e em perigos de secularização da vida ou de infiltração de costumes pagãos, despertam a nação em nome de Javé, pondo-se incondicionalmente a serviço da vontade de Deus na religião, na política e na vida social (...)
Os Profetas não são adivinhos: não predizem o futuro olhando uma bola de cristal, mas vêem a ação de Deus no presente. Com uma sensibilidade refinada e um fogo de amor ardendo no peito, o Profeta é aquele que, movido por uma profunda experiência espiritual, intui os desígnios de Deus.
Três dimensões importantes do profetismo bíblico:
1- Experimentar a presença de Deus no meio do povo e render-se a essa experiência inefável. Essa “proximidade com Deus” faz do profeta um “ser livre” das garras dos poderosos e torna-se a fortaleza de seu testemunho.
2- O profeta é veículo permanente do despertar da memória histórica do povo. Afirma Comblin: “Com a sua palavra o profeta espera despertar a consciência do povo e evitar as calamidades anunciadas” (COMBLIN, 2008, p.35). A memória do passado, como expressão da fidelidade à Aliança, é um dos critérios mais importantes para o povo poder reconhecer se um profeta é verdadeiro ou falso.
3- O caminho da justiça. A justiça acontece na palavra coerente do Deus da Aliança. “Os profetas são as pessoas que expressam a exigência de justiça de Deus. As promessas são para os que praticam a justiça e os castigos para os que praticam a injustiça”, afirma o teólogo (COMBLIN, 2008, p.33). Sem essa concepção de justiça, não haveria sentido crer em Deus e a “utopia dos pobres”, o Reino, seria vazio de conteúdo.
A missão do profeta como aquela que foi também a missão de Jesus de Nazaré: ir ao mundo dos pobres para despertar a esperança, e já começar a irrupção do Reino de Deus. O profeta anuncia a chegada da força de Deus, que vem revestir a fraqueza dos fracos deste mundo. A palavra e o testemunho do profeta podem converter pessoas desesperadas, principalmente entre os jovens. O profeta pode despertar a consciência de pessoas que pertencem ao mundo privilegiado. Pode despertar vocações verdadeiras para servir, exercer de verdade a Eucaristia na dimensão do “lava-pés”. O profeta é como um arauto das conversões. A mística da profecia é a perseguição, desde sempre o profeta foi perseguido, pois os profetas enxergam mais longe, eles não tem medo de ver e de falar. A perseguição é sinal de autenticidade da profecia. Neste sentido o autor resgata a Espiritualidade cristã como mística da profecia amorosa do Deus encarnado, que nos amou até as últimas consequências.
- A mística do profeta é a gratuidade e o “kenosis” (esvaziamento), o Espírito é a força propulsora da profecia.
Vale a pena recordar uma das últimas palavras de D. Hélder Câmara: “Não deixem morrer a profecia”.
Ricardo Gondim o descreve:
“A matéria prima do profeta é a poesia. Como um artesão de cristais, o profeta maneja as palavras de maneira simples, mas com delicadeza mágica. Ele deseja mostrar que o cotidiano, com suas contradições perversas, poderia seguir outra estrada. O profeta se despeja no texto como óleo perfumado, faz-se lenho do fogo que aquece a história. Desejoso de trazer os extremos numa síntese que promova o bem, não esquece que o único absoluto é o amor, que o único bem é vida e que o único alvo é a valorização do instante.
Poetas e profetas rejeitam redomas, estufas, viveiros, gaiolas. Eles trocam os tapetes pelo chão batido. Solitários, só obedecem o compasso do próprio coração; indomáveis, revoltam-se com o ordinário; irrequietos, perturbam o normal.
Poetas e profetas não defendem reputação. Alvos fáceis dos ímpios quando negam a história – só as gerações futuras lhes fazem justiça. Pedras do meio do caminho, chateiam; indestrutíveis, semeiam trigo que se fará o pão do idealista, do revolucionário. Poetas e profetas nasceram no pé do arco-íris; resgatados do Nilo, crescem como príncipes; sensíveis, choram com o ponteio da harpa; tornam-se parceiros dos humildes, dos mansos e dos puros de coração. Contudo, o destino deles é a cruz. Poetas e profetas são contraditórios.”
Os Profetas têm a missão de:
1- Anunciar: O projeto de Deus pautado na justiça, na solidariedade e no amor.
2- Denunciar: A corrupção e a ganância daqueles que detinham o poder, o cerimonialismo religioso sustentado pela lógica sacrifical, os ritualismos religiosos profundamente excludentes, o sistema político-religioso que oprimia os pobres e menos favorecidos.
O que caracteriza o profeta é o espírito crítico. Consumido pelo amor a Javé, os profetas bíblicos denunciaram erros dos reis e do povo; formaram grupos de discípulos; anunciaram as derrotas (o cativeiro na Babilônia) em função de políticas equivocadas dos reis; solidarizaram-se com o povo, a quem ajudaram a ler os fatos históricos à luz da fé.
Podemos dividir o profetismo bíblico:
1º Período: (1000 – 760 a.C.) – Profecia pré-literária. Chama-se assim porque, desse período, não há livros proféticos escritos. No entanto, encontramos as narrativas sobre os profetas em 1º e 2º Samuel, bem como em 1º e 2º Reis. Os principais são: Natã, Gad, Aías, Miquéias, filho de Jemla, Elias e Eliseu.
2º Período: (760 – 700 a.C.): Profecia literária. Nessa época, a Assíria é a potência hegemônica no contexto internacional. No Reino de Israel, atuam Amós e Oseias, enquanto Isaías (1-39) e Miquéias profetizam em Judá.
3º Período: (650 – 570 a.C.): A Babilônia passa a dominar no cenário internacional. Entre o 2º e o 3º Períodos, há 50 anos de silêncio da profecia, causado pela violenta repressão de Manassés, considerado um dos reis mais ímpios (2Rs 21, 1-18). Os principais profetas são: Naum, Sofonias, Habacuc e Jeremias.
4º Período: (570 – 539 a.C.): É o tempo do Exílio babilônico. São profetas dessa época: Abdias, Ezequiel e Isaías 40 a 55.
5º Período: (539 – 332 a.C.): É a época persa, chamada também de pós-exílio. Ageu, Zacarias, Isaías 56-66, Malaquias e Joel são os profetas dessa época.
6º Período: (332 a.C. em diante): os gregos aparecem na cena internacional. O profeta que se destaca nessa época é Daniel.
Vejamos um pouco da trajetória de alguns profetas:
1º PERÍODO: QUEM FOI ELIAS?
Foi considerado o fundador do profetismo bíblico. O ciclo de Elias teve início entre os anos 874 e 852 a.C. (Séc. IX). Ele nasceu em Tisbé, sudeste da Terra Santa.
Elias foi, diz São Bernardo, “modelo de justiça, espelho de santidade, exemplo de piedade, o propugnador da verdade, o defensor da fé, o doutor de Israel, o mestre dos incultos, o refúgio dos oprimidos, o advogado dos pobres, o braço das viúvas, o olho dos cegos, a língua dos mudos, o vingador dos crimes, o pavor dos maus, a glória dos bons, a vara dos poderosos, o martelo dos tiranos, o pai dos reis, o sal da terra, a luz do orbe, o Profeta do Altíssimo, o precursor de Cristo, o terror dos baalitas, o raio dos idólatras” (De Consideratione, lib. IV, in fine, apud Cornelii a Lapide, Commentaria in Scripturam Sacram, In Librum III Regum, Cap. XVII).
No tempo de Elias, meados do século IX a.C., a terra ocupada pelos hebreus — a mesma originariamente prometida por Deus a Moisés — estava dividida em dois reinos: Israel e Judá. O reino do Norte, Israel, caíra na idolatria e adorava Baal, o deus da sensualidade, servido por 850 sacerdotes por ordem do rei Acab e de sua mulher Jezabel, ela de origem fenícia.
Tomado de zelo pela causa do Senhor, Elias levanta-se e increpa o rei idólatra: “Viva o Senhor Deus de Israel em cuja presença estou, que nestes anos não cairá nem orvalho nem chuva, senão conforme as palavras de minha boca (III Reis, XVII, 1). Em seguida se retira para o deserto, onde corvos levam-lhe milagrosamente o alimento.
O céu se fecha e torna-se pesado como chumbo, a terra fica árida, rios e ribeiros secam-se, até mesmo o riacho no qual Elias se dessedenta. E o profeta sente ele mesmo o peso do terrível castigo imposto a Israel.
Refugia-se então em Sarepta, junto a uma viúva que, por ordem de Deus, deve alimentá-lo. Paupérrima, ela só tem um pouco de farinha, com a qual coze um pão para o profeta. Contudo acontece algo inesperado. Morre o filho único da viúva, a qual, em seu desespero, increpa duramente o homem de Deus.
Elias, porém, lhe diz: “Dá-me o teu filho. E tomou-o do seu regaço e levou-o à câmara onde ele estava alojado, e o pôs em cima do seu leito. E clamou ao Senhor e disse: Senhor meu Deus, até a uma viúva que me sustenta como pode, afligiste, matando-lhe seu filho?” Reclinando-se três vezes sobre o menino, pede a Deus: “Senhor, meu Deus, faze, te rogo, que a alma deste menino volte às suas entranhas. E o Senhor ouviu a voz de Elias” (III Reis, XVII, 22-23).
O filho da viúva de Sarepta volta à vida. É o primeiro caso de ressurreição que a História relata.
Elias desafia os profetas de Baal no Monte Carmelo (Foi o sacrifício de Elias no altar de 12 pedras que foi consumido). Os profetas de Baal foram trucidados junto a torrente do Cison;
Elias foi perseguido pela Rainha Jezabel e foge para o deserto onde é alimentado com pão e água. Deus lhe ordena que se dirija ao Monte Horeb.
Deus fala com Elias, não no terremoto, mas ao “sopro de uma branda viração”. E lhe dá uma tríplice missão: Ungir Hazael como rei da Síria; a Jehu como rei de Israel; e a Eliseu como profeta “em teu lugar”.
Elias encontra Eliseu arando a terra e lança sobre ele seu manto. E desde então Eliseu é outro homem. De camponês torna-se seguidor de profeta e profeta ele mesmo.
Acab é sucedido pelo rei Acazias, o qual, adoecendo pouco tempo depois de subir ao trono, manda consultar um oráculo de Belzebu. Elias encontra-se com os mensageiros do rei e os interpela: “Porventura não há um Deus em Israel para vós virdes consultar Belzebu, deus de Acaron?” (IV Reis, I, 3). E anuncia que o rei não se levantará mais da cama.
Irritado, Acazias manda um capitão e 50 homens para prenderem o profeta. Elias faz descer fogo do céu, que consome os soldados. O rei manda novamente outro capitão com cinqüenta homens, por sua vez consumidos também por fogo do céu. Pela terceira vez, envia Acazias um capitão com cinquenta soldados. Desta vez, o capitão pede misericórdia a Elias, que o poupa e a seus comandados. E Acazias morre após o curto reinado de um ano.
Arrebatado num carro de fogo e levado por Deus para lugar desconhecido, o Profeta deixa seu manto a Eliseu, seu discípulo e sucessor.
2º PERÍODO: QUEM FOI AMÓS (carregador de fardos)?
Era um pastor e agricultor (cultivador de sicômoros - espécie de figo), natural de Técoa, uma pequena vila localizada a 19 Km de Jerusalém, a 10 Km de Belém. Não era da linhagem sacerdotal como Jeremias, nem da linhagem real como o profeta Isaías. Ele exerceu o seu ministério em Israel, no século VIII a.C. e foi contemporâneo de Jonas e Oseias.
Profetizou durante os reinados de Uzias, em Judá e Jeroboão II, em Samaria.
Israel era governado pelo rei Jeroboão II (786-746 a.C.), cuja política econômica consistia em aumentar a carga tributária, extorquindo sobretudo os assalariados e diaristas, para favorecer as importações, endividando o país. O Estado era rico e o povo, pobre. Pesquisas arqueológicas revelam que, quanto mais endinheirada a nobreza, mais suntuosos os palácios da Samaria, em contraste com a miséria dos casebres da população.
Versado em política e relações internacionais, graças ao trabalho de comercializar queijos, lã e couro nos principais mercados da região, Amós deixou o reino do Sul, onde vivia, e dirigiu-se ao Norte. Indignado frente a tanta desigualdade, denunciou os que "vendem o justo por dinheiro e o necessitado por um par de sandálias" (2,6), ou seja, juízes e fiscais que aceitavam subornos para aplicar multas que resultavam no confisco da terra dos camponeses.
"Pai e filho dormem com a mesma mulher" (2,7), vociferava o profeta contra os patrões que transformavam suas empregadas em prostitutas. Os governantes "em seus palácios entesouram violência e opressão, e não sabem viver com honestidade" (3,10).
O tempo e os recursos que as mulheres ricas perdiam no cuidado da vaidade levaram Amós a apelidá-las de "vacas de Basã", que "vivem em casas de marfim nos montes da Samaria, oprimem os fracos e maltratam os necessitados" (4,1).
As autoridades e os juízes "transformam o direito em veneno e atiram a justiça por terra" (5,7), "odeiam os que defendem o justo no tribunal e têm horror de quem fala a verdade" (5,10). Os trabalhadores "pagam pesados impostos, constroem casas de pedras lavradas nas quais nunca irão morar e plantam vinhas de ótima qualidade sem jamais saborearem o vinho" (5,11).
Primeiro profeta a assinar um livro da Bíblia, Amós não tergiversava (fazer rodeios) com as palavras. Denunciava os abastados que "deitam-se em camas de marfim, esparramam-se em cima de sofás, comendo cordeiros do rebanho e novilhos cevados em estábulos, cantarolam ao som da lira, bebem canecões de vinho e usam os mais caros perfumes" (6,4-6). No comércio, "diminuem as medidas, aumentam o peso e viciam a balança" (8,6). Os agiotas, "no templo de seu deus bebem o vinho dos juros" (2,8).
Ainda assim, a elite revestia-se de uma religiosidade exuberante. O profeta, entretanto, não se deixava iludir e Javé falava por suas palavras: "Detesto as festas de vocês, longe de mim o ruído de seus cânticos, nem quero escutar a música de suas liras. Eu quero, isto sim, é ver brotar o direito como água e correr a justiça como riacho que não seca" (5,21-24).
Amós criticava aqueles que enchiam a boca de discursos políticos e religiosos e, no entanto, permaneciam indiferentes ao sofrimento do povo. Para ele, tudo aquilo era "tão absurdo como arar o mar com bois ou encher de pedras a pista e esperar que os cavalos corram" (6,12).
Em cinco visões, Amós anuncia o fim do Reino do Norte, porque aí a situação era insustentável diante de Deus (7, 1-3; 7, 4-6; 7, 7-9; 8, 1-3; 9, 1-4).
O livro termina com um toque de esperança (9, 11-15)
Considerado o “Profeta da Justiça Social”;
Amós enfrentou a ira de Amazias, sacerdote de Betel (Ler Am 7, 10 – 17)
QUEM FOI OSEIAS (LIBERTADOR, SALVADOR)?
Era filho de Beeri (1, 1). Contemporâneo de Amós, exerce sua atividade profética ainda no reinado de Jeroboão II em todo Israel.
Ninguém sabe qual era a ocupação de Oseias, mas, visto que há uma referencia ao padeiro e o ato de sovar a massa em Os. 7.4ss. , alguns tem pensado que essa era a sua atividade.
O ministério de Oseias, no Reino do Norte, seguiu-se logo depois ao ministério de Amós que, embora fosse de Judá, profetizou a Israel. Amós e Oseias são os únicos profetas do AT, cujos livros foram dedicados inteiramente ao Reino do Norte, anunciando-lhe a destruição iminente.
Oseias foi vocacionado por Deus a profetizar ao Reino de Israel, que desmoronava espiritual e moralmente, durante os últimos quarenta anos de sua existência, assim como Jeremias seria chamado a fazer o mesmo em Judá. Quando Oseias iniciou o seu ministério, durante os últimos anos de Jeroboão II, Israel desfrutava de uma temporária prosperidade econômica e de paz política, que acabariam por produzir um falso senso de segurança. Logo após a morte de Jeroboão II (753 a.C.), porém, a nação começa a deteriorar-se, e caminha velozmente à destruição em 722 a.C.
Passados quinze anos da morte do rei, quatro de seus sucessores seriam assassinados. Decorridos mais quinze anos, Samaria seria incendiada, e os israelitas, deportados à Assíria e, posteriormente, dispersados entre as nações.
O casamento trágico de Oseias, e sua palavra profética, harmonizavam-se com a mensagem de Deus a Israel durante esses anos caóticos. Deus ordenou ao profeta que tomasse "uma mulher de prostituições" (1, 2) a fim de ilustrar a infidelidade espiritual de Israel.
Gomer representa Israel que se prostituiu através das relações internacionais proibidas, da sua infidelidade a Deus, da corrupção generalizada e da "prostituição sagrada".
EM QUE CONSISTIA ESSA PROSTITUIÇÃO SAGRADA?
Aproveitando-se da pobreza do povo endividado, os reis conseguiam manipular a religião da fertilidade e colocá-la a serviço dos interesses da monarquia. Com promessas de pão e de roupa ou como meio de pagar suas dívidas, os pais eram estimulados a levar suas filhas aos “lugares altos” para que fossem prostituídas e, assim, gerassem filhos e filhas que pudessem estar a serviço do rei. Essa seria a maneira de elas contribuírem para que houvesse sempre um número suficiente de trabalhadores nas fazendas do rei (I Sm 8,13; I Rs 11,1-3) e um número suficiente de soldados para as guerras do rei (I Sm 8,11-12). Assim se dizia, assim se acreditava. O pão e a roupa, que as moças recebiam em troca do seu “serviço”, era um meio para as famílias pobres poderem sobreviver.
O que valia mesmo eram os interesses da monarquia.
As mulheres eram prostituídas e obrigadas a engravidar a cada ano para aumentar o número de homens no exército. O costume era a gravidez a cada três anos (Gn 21,8; Os 1,8), agora são obrigadas a ter filhos com intervalos menores. Os sacerdotes invadem as aldeias e as eiras, apropriando-se das festas e dos rituais religiosos do povo somente para garantir o aumento de produção. O livro do profeta Oseias denuncia esta realidade.
Os sacerdotes e os falsos profetas contribuíam para que essa situação fosse aceita pelo povo como uma coisa normal, aprovada por Deus. Por isso, o Livro de Oseias faz a denúncia: “ Embora ninguém o acuse e ninguém o conteste, eu levanto a acusação contra você, sacerdote. Você tropeça de dia, o profeta tropeça com você de noite e você faz perecer sua própria mãe. O meu povo está morrendo por falta de conhecimento. Porque você rejeita o conhecimento, eu também o rejeitarei como meu sacerdote; você esqueceu a lei do seu Deus; eu também esquecerei os filhos de vocês. Quanto mais se multiplicaram tanto mais pecaram contra mim; trocarei a boa fama deles pela desonra. Esses sacerdotes vivem do pecado do meu povo e querem que o povo continue pecando. Abandonaram Javé para entregar-se à prostituição (Os 4,4-8.10b).” “Um espírito de prostituição os extravia e eles se prostituem afastando-se de Deus.” (Os 4,12).
Oseias se torna uma parábola viva das relações entre Javé e seu povo. Ao amor fiel, Israel responde com a infidelidade, procurando outros absolutos («prostituição»). Javé, porém, não abandonará seu povo; um dia, este cairá em si e voltará ao seu Deus. O amor de Oséias por uma mulher infiel se torna sinal de Deus para anunciar a infidelidade do povo. Uma dolorosa realidade pessoal se transforma em poderoso símbolo da relação entre Deus e seu povo escolhido.
MENSAGEM:
Israel aparece como esposa adúltera de Javé, que foi repudiada mas que, finalmente, será purificada e restaurada.
Oseias é a profecia sobre o imutável amor de Deus por Israel. Apesar das contaminações da nação com o paganismo cananeu e com os cultos de fertilidade, o profeta fez todo esforço para advertir o povo a arrepender-se em face do perpétuo amor de Deus por eles. O tema do profeta é quádruplo:
1- A idolatria de Israel;
2- A sua iniquidade;
3- O seu cativeiro;
4- A sua restauração.
Por todo o livro, entretanto, ele acena com o tema do amor de Deus por Israel. Israel é retratada profeticamente como a esposa adultera de Javé, que em breve seria posta fora, mas que finalmente seria purificada e restaurada. O nome simbólico dos filhos de Oseias reflete, nesse momento da história, os sentimentos de Deus para com Israel: Jezrael significa "Deus semeia" é o vale onde Jeú derrotara a dinastia anterior; mas esse rei, apesar do sangue derramado, não mudou em nada a situação do país; a filha Lo-Ruhamá «Não-Compadecida» expressa a atitude de Deus desprezado, o qual não terá compaixão por aqueles que o abandonaram; o filho Lo-Ammi «Não-Meu-Povo» mostra que está rompida a Aliança entre Deus e seu povo escolhido.
QUEM FOI ISAÍAS?
Considerado o maior profeta do Antigo Testamento;
O profeta Isaías, teria vivido entre 740 a.C. e 681 a.C., durante os reinados de Uzias, Joatão, Acaz e Ezequias, sendo contemporâneo à destruição de Samaria pela Assíria e à resistência de Jerusalém ao cerco das tropas de Senaqueribe que sitiou a cidade com um exército de 185 mil assírios em 701 a.C.
Era contemporâneo de Amós, Oseias e Miqueias;
Isaías, cujo nome significa “Javé salva ou Javé é a Salvação”, exerceu o seu ministério no reino de Judá, tendo se casado com uma esposa conhecida como a profetisa (Jecolias) que foi mãe de dois filhos: Sear-Jasube e Maer-Salal-Hás-Baz.
Era um jovem aristocrata de linhagem nobre e recebeu educação aprimorada. Seu pai era Amoz, que segundo a tradição antiga, era irmão do rei Amazias, sendo Isaías primo do Rei Uzias e neto do Rei Joás;
É constantemente chamado de “evangelista do Antigo Testamento”, já que ele insiste no tema da Redenção Messiânica – (ler Is 53)
- Poeta, “artista da palavra, mestre incomparável da língua hebraica, verdadeiro músico tirando por vezes de um vocabulário abundante e bem ritmado efeitos impressionantes”, “é entre os Profetas o que Salomão é entre os reis. ... Fala com os reis como um deles; apresenta-se com majestade diante dos príncipes de seu povo e diante dos potentados do mundo. Em todas as situações é mestre em sua matéria, mestre das expressões, grandioso com simplicidade, sublime sem afetação”. Pudera! Antes de anunciar suas divinas profecias, teve seus lábios purificados por um serafim com um carvão ardente...
Isaías não nasceu Profeta. Sua vocação foi-lhe dada “no ano em que morreu o rei Ozias” (Is 6, 1), após espetacular visão: Deus mostrou-se a ele, sentado em Seu trono, guardado por serafins de seis asas, que clamavam um para o outro “Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos exércitos; toda a Terra está cheia de Sua glória” (Is 6, 3).
Diante disso Isaías humilhou-se, lembrando-se de seus pecados: “Ai de mim”, gemeu, “que estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros, habito no meio dum povo que tem os seus também impuros, e vi com meus olhos o Senhor dos exércitos” (Is 6, 5).
Esse ato de humildade foi agradável a Deus. Ordenou que um serafim tomasse do altar, com uma tenaz, uma brasa, e com ela purificasse os lábios de Isaías. Nesse momento “estremeceram os umbrais das portas à voz do que clamava e a casa encheu-se de fumo”. - E essa voz divina, à vista da depravação de Judá, indagava: “Quem enviarei Eu? E quem irá por nós?”
Nesse momento, Isaías, cheio de zelo pela glória de Deus, exclamou: “Aqui me tens, Senhor; envia-me” (Is 6, 8). E tornou-se assim um Profeta, e dos maiores dentre eles. Pregou em Judá (o reino do sul) mais ou menos ao mesmo tempo em que Amós e Oseias pregavam em Israel (reino do norte).
Seu livro está dividido em três partes:
1- Primeiro Isaías : 1 – 39 – Tema: A santidade de Deus
2- Segundo Isaías : 40 – 55 – Tema: Uma mensagem de esperança e consolação;
3- Terceiro Isaías : 56 – 66 – Tema: Coleção de oráculos anônimos que procura estimular a comunidade que veio do exílio e se reuniu em Jerusalém com os que estavam dispersos.
Isaías viveu no turbulento período assírio, presenciando o cativeiro do seu povo. Ambos os reinos (Norte/Israel e Sul/Judá), haviam experimentado poder e prosperidade. Israel governado por Jeroboão e outros seis reis de menor importância, haviam aderido ao culto pagão; Judá, no período de Uzias, Joatão e Ezequias permaneceram em conformidade com a aliança mosaica, porém gradualmente, o rigor foi diminuindo causando um sério declínio moral e espiritual (3, 8-26). Lugares secretos de culto pagão passaram a ser tolerados; o rico oprimia o pobre; as mulheres negligenciavam suas famílias na busca do prazer carnal; muitos dos sacerdotes e falsos profetas buscavam agradar os homens (5, 7-12, 18-23; 22, 12-14). Tudo isso deixava claro e patente aos olhos do profeta Isaías que a aliança registrada por Moisés em Deuteronômio 30,11-20, havia sido inteiramente violada, portanto a sentença divina estava proferida, o cativeiro e o julgamento eram inevitáveis para Judá, assim como era para Israel.
3º PERÍODO: QUEM FOI JEREMIAS?
Jeremias é da tribo de Benjamim e nasceu no povoado de Anatot, pertinho de Jerusalém, entre 650 e 640 a.C. Embora fosse de família sacerdotal, está mais ligado às tradições proféticas do Norte, e não às tradições do sacerdócio e da corte de Jerusalém, detentores do poder. O profeta Oséias teve muita influência sobre o pensamento de Jeremias. Oséias e Jeremias foram os dois profetas que mais entenderam as causas da opressão que o povo de Israel vivia naquele tempo. Ambos contestam práticas institucionais do aparelho estatal, a corrupção, a opressão e o despotismo generalizado.
O CHAMADO:
A palavra de Javé me foi dirigida nos seguintes termos: antes mesmo de te modelar no ventre materno, eu te conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei. Eu te constituí profeta para as nações. Mas eu disse: "Ah! Senhor Javé, eis que eu não sei falar, porque sou ainda criança!" Mas Javé me disse: Não digas: "Eu sou ainda criança!" Porque a quem eu te enviar, irás, e o que eu te ordenar falarás. Não temas diante deles, porque eu estou contigo para te salvar... Eis que ponho minhas palavras em tua boca. Vê! Eu te constituo, hoje, sobre as nações e sobre os reinos, para arrancar e para destruir, para exterminar e para demolir, para construir e para plantar (Jr 1, 4-10).
De fato, durante a sua vida, Jeremias incomoda muita gente, que tenta, a qualquer custo, calar a sua boca. O profeta foi perseguido, recebendo ameaças de morte por seus conterrâneos (Jr 11, 21) e até por seus familiares (Jr 12, 6). Talvez por ter prejudicado os interesses de sua família ou pelo duro teor de sua crítica social e religiosa. Mas, escolhido desde o ventre materno, ele tem a garantia de falar "a mente de Deus".
Jeremias profetizou durante cerca de 50 anos, de 627 a 580 a.C., sob quatro governos. Foi durante o governo de Joaquim (609-598 a.C.), que o profeta mais sentiu o peso de sua missão. Obrigado a remar contra a corrente, ameaçado, rejeitado, caluniado, desprezado, ele se lamenta... Em sua angústia, Jeremias acredita que Javé o enganou: o seduziu para ser profeta e o dominou, para depois abandoná-lo. Agora todos querem sua queda, inclusive seus amigos. Por isso, ele quer parar de ser profeta, mas o problema é que não consegue, pois as palavras de Javé queimam-no como fogo. Fogo que atinge até os ossos. Então, Jeremias amaldiçoa o dia em que nasceu: "Maldito o dia em que eu nasci!" Mesmo contrariado, ele sabe que deve seguir o plano de Deus, "para arrancar e para destruir". Esta foi sua principal missão. Mas também para "construir e para plantar" (1, 10). Esse é Jeremias, o profeta da Bíblia. A sociedade contemporânea carece de profetas: homens e mulheres disponíveis a enfrentar "o reino da mentira, violência e opressão". Diante desse contexto, podemos até silenciar numa atitude de indiferença total. Mas, ao sentirmos "o fogo da indignação queimando até os ossos", a vida de Jeremias poderia servir de inspiração nas nossas lutas pessoais e coletivas.
TEMA PRINCIPAL:
Seus escritos transbordam em angústia generalizada, e denunciam a falsidade da política oficial. Aos olhos do profeta, fizeram da lei de Deus um instrumento de opressão e engano. Jeremias afirma que a fidelidade desapareceu do meio do povo, nem querendo se consegue mudar de vida. Com esse discurso, o profeta comprou muitas inimizades, inclusive de sacerdotes.
Profetiza sobre o cativeiro babilônico (70 anos). Cap. 25, 11. Ler Daniel 9, 2.
O povo segue cativo para Babilônia.
Jeremias fica com os pobres em Jerusalém.
Profecia sobre a conquista do Egito por Nabucodonosor. Cap.43, 8.
O povo, em rebeldia, segue para o Egito levando o profeta Jeremias como cativo, onde ele morre.
Jeremias se destaca dos outros profetas, porque coloca “confissões e sentimentos pessoais” junto com as profecias.
O profeta deixa transparecer momentos de desespero, cap. 20, 7-13; amaldiçoa o dia do seu nascimento. Cap. 15, 10-11 e 20, 14-18. Através de seus sentimentos expressa melhor a tristeza de Deus pelo pecado do povo. Caps. 2, 12-13; 9, 1 e 13, 17.
Os capítulos 14 e 15 narram as consequências da infidelidade, a grande seca e as desgraças da guerra com um discurso bastante difícil de digerir. Também no capítulo 15, o profeta torna a falar de sua vocação, num clima de confissão. Jeremias lamenta sua condição de profeta, pois suas palavras acusam e condenam o povo, e ele encontra somente hostilidade e incompreensão. Mas não é possível emudecer a voz profética, assim, expressa seu desespero e sofrimento psíquico. A palavra de Iahweh em sua boca é a causa das perseguições, sente-se cercado, de um lado a vontade de fugir, e do outro, a sedução de Iahweh, provocando uma tensão interminável. Ele ficou isolado e só com seu sofrimento. Mas este sofrimento proporcionou ao profeta a abertura para o contato com Deus, emerge a consciência pessoal do homem perante a consciência coletiva. Para Jeremias, religião não era um sistema, mas "homens caminhando, animados por uma fé, em direção a um futuro". Jeremias praticou uma religião interior, madura, antes mesmo de anunciar a Nova Aliança no capítulo 31.
4º PERÍODO: QUEM FOI EZEQUIEL?
O Império Babilônico com seu exército e sistema de domínio invade Judá no século VI (ano 597) a.C., desencadeando uma série de problemas sociais, econômicos e religiosos. Muitas pessoas morreram vítimas da fome, outras morreram na luta, e muitos outros foram levados como exilados para a Babilônia. Ou seja, o domínio da Babilônia sobre o povo de Israel significou morte, deportação, destruição e devastação.
Entre os deportados de Jerusalém para a Babilônia estavam o rei Joaquin e Ezequiel, o sacerdote, o filho de Buzi (Ez 1,3). Ezequiel era um sacerdote, assim como Jeremias, e trabalhava no templo de Jerusalém. Ele vive intensamente todos os acontecimentos que vão mudando a história de Israel e, diante da queda de Jerusalém, ele não é apenas um observador, ele toma partido pessoalmente.
A MISSÃO
Ezequiel é chamado a ser profeta na Babilônia (1,1-2), a falar aos exilados que são seus compatriotas. Mas ele se dirige a "toda a casa de Israel", ao rei e dirigentes de Israel, aos indivíduos e ao rei Sedecias. Critica os reis de Israel, especialmente Sedecias, e os considera responsáveis pela ruína de Israel.
Ezequiel profetiza que Javé vai renovar o seu povo, dando-lhe um coração novo e ressuscitando-o com seu espírito.
O livro de Ezequiel começa com a descrição da deslumbrante visão da imagem da glória de Javé, que prostrou o profeta por terra (1). Depois, Javé dirigiu-se a Ezequiel e indicou-lhe a sua missão e as circunstâncias em que haveria de servir (2,1-3,5).
O profeta foi tratado por Javé como Filho do Homem, título usado mais de 90 vezes em Ezequiel para indicar o caráter de servo do profeta e a grande condescendência de Deus em falar-lhe. O profeta, sendo enviado com este título, testemunha a responsabilidade de Javé com Israel.
Cáp. 37, 1-14
O capítulo 37 de Ezequiel é introduzido com a afirmação de que "a mão de Javé pousou sobre mim e o espírito de Javé me levou e me deixou num vale cheio de ossos".
A fórmula "a mão de Javé pousou sobre mim" aparece sete vezes em Ezequiel e sempre serve para introduzir um novo oráculo ou novo capítulo (1,3; 3,14.22; 8,1; 33,22; 37,1; 40,1).
Este texto é um dos mais célebres de Ezequiel, respondendo aos problemas e situação do povo, num tom de esperança e consolação. É muito rico no que se refere ao sopro, ao espírito = rûah. É o sopro de vida, o hálito, é ele quem faz viver os ossos secos. Além disso, a profecia diz que ele "vem dos quatro ventos", ou seja, o sopro deve vir de toda parte. É o espírito que age no profeta para inaugurar a ação e a palavra profética, e nos israelitas para instalá-los em seu país.
5º PERÍODO: QUEM FOI AGEU?
Foi um profeta hebreu e contemporâneo de Esdras e Neemias. Sua mensagem foi de exortação e motivação a respeito da restauração de Jerusalém e seu Templo. Possui quatro principais mensagens de YHVH para os judeus que retornaram do exílio em Babilônia. São fortes repreensões devido ao descaso na reconstrução do Templo.
Escrito por volta do ano 520 a.C., cerca de 17 anos depois do retorno dos judeus do exílio, quando ainda não se completara a construção do Templo. O profeta Ageu, indicava que o povo estava se preocupando com as próprias vidas e esquecendo do principal - a casa de Deus . Este livro frisa a importância nas obras de Deus e que Ele deve estar sempre em primeiro lugar, na vida e nas obras das pessoas.
O Autor pode ser chamado "O Profeta do templo", provavelmente tenha nascido durante os setenta anos de exílio na Babilônia. Deve ter regressado a Jerusalém com Zorobabel.
As quatro mensagens do livro de Ageu:
1- Aos que moram em grandes casas, ao passo que o Templo estava em ruínas. (1, 1-15)
2- Proclamação de que YHVH encheria a sua casa de glória. (2, 1-9)
3- O abandono da reconstrução do templo tornou a todos impuros perante Deus. (2, 10-19)
4- Mensagem a Zorobabel faria tremer os céus e a terra. (2, 20-23)
6º PERÍODO: QUEM FOI DANIEL?
No terceiro ano de Joaquim como rei de Judá, o rei Nabucodonosor, da Babilônia, atacou Jerusalém, e os seus soldados cercaram a cidade. Nabucodonosor conquistou cidade e pilhou objetos de valor que estavam no Templo de Jerusalém. Nabucodonosor levou esses objetos para a Babilônia e mandou colocá-los no templo do seu deus, na sala do tesouro. O rei Nabucodonosor chamou Aspenaz, o chefe dos serviços do palácio, e mandou que escolhesse entre os prisioneiros israelitas alguns jovens da família do rei e também das famílias nobres. Todos eles deviam ter boa aparência e não ter nenhum defeito físico; deviam ser inteligentes, instruídos e ser capazes de servir no palácio. E precisariam aprender a língua e estudar os escritos dos babilônios. Entre os que foram escolhidos estavam Daniel, Ananias, Misael e Azarias, todos da tribo de Judá. Aspenaz lhes deu outros nomes babilônicos, isto é, Beltessazar, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego respectivamente. Daniel ficou no palácio real até o ano em que o rei Ciro começou a governar a Babilônia. Ele sempre foi respeitado, até mesmo pelos governantes, por sua sabedoria. Não existem registros da data e circunstâncias de sua morte. Mas ele possivelmente morreu em Susa, com oitenta e cinco anos, onde existe uma provável tumba onde estaria seu corpo, este lugar é conhecido como 'Shush-Daniel'.
ASPECTOS IMPORTANTES DO LIVRO DE DANIEL:
É um livro apocalíptico do Antigo Testamento;
Destacam-se as seguintes partes:
1- A interpretação dos sonhos de Nabucodonosor: Dn 2, 31- 45 e 4, 9-26;
2- Daniel e seus amigos são lançados na fornalha: Dn 3;
3- Daniel é lançado na cova dos leões: Dn 6;
VINDA DE JESUS CRISTO, O PROFETA POR EXCELÊNCIA
PROFETISMO HOJE:
- Como vai a nossa opção preferencial pelos pobres? Resume-se a um mero assistencialismo ou estamos de fato, questionando as raízes da pobreza e da exclusão, com o objetivo de transformar esse quadro em que vivemos?
- Opção pelos pobres, entretanto, significa fazer do pobre não um objeto de caridade, mas sujeito de sua própria libertação, ensinando-lhe a ajudar-se a si mesmo. É preciso evitar toda e qualquer atitude paternalista;
- Em que se baseia o nosso catolicismo? Unicamente em práticas devocionais e missas dominicais?
- Como vai a dimensão sóciotransformadora da nossa fé? Que Cristo estamos anunciando hoje? Um Cristo distante das realidades humanas, preocupado exclusivamente com o espiritual e distante das questões sociais? A Igreja atual é a Igreja dos pobres? Ou a igreja está de tal modo contaminada pela ideologia oficial e pelo sistema dominante que não se atreve a falar ou nem se dá conta de que poderia falar?
- Acreditamos que Cristo está nos pobres, nos excluídos e miseráveis de nossa sociedade?
- O escândalo da exclusão e da violência na sociedade consumista nos interpela à realização da solidariedade.
- À luz da fé, percebemos que as condições de vida de milhões de abandonados, excluídos e ignorados em sua miséria e dor, contradizem o projeto de Deus e desafiam os cristãos a um compromisso ainda mais efetivo em prol da vida.
- Nos pobres e excluídos, a dignidade humana está profanada. É a consciência dessa realidade que tem feito da opção pelos pobres um dos traços marcantes da fisionomia da Igreja no continente latino-americano e caribenho. A opção pelos pobres “está implícita na fé cristológica, naquele Deus que se fez pobre por nós, para nos enriquecer com sua pobreza”. Por isso, somos incessantemente chamados a contemplar, nos rostos sofredores de nossos irmãos, o rosto de Cristo que nos convoca a servi-lo neles.
- Ser profeta exige três atitudes: anúncio, denúncia e testemunho. Na espiritualidade profética, estas três atitudes precisam estar juntas. Não basta o anúncio e a denúncia! É necessário o testemunho, gritar Cristo com a vida, como nos pedia o Papa João Paulo II.
Uma espiritualidade profética é:
1- Encarnada (=inculturada);
2- De comunhão (=comunitária);
3- Da pobreza evangélica;
4- Do serviço, diálogo, anúncio, denúncia e do testemunho.
Cristo está presente principalmente nos três “Pês”: Palavra, Pão (Eucaristia) e nos Pobres;
CÉSAR AUGUSTO ROCHA - COORDENADOR DO CONSELHO DIOCESANO DE LEIGOS/AS


Um comentário :
Caro Cesar,
Excelente trabalho. É possível obter o áudio desta palestra?
Hélio
heliossim@gmail.com
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