"PARA PÔ-LO À PROVA, PERGUNTARAM..."Os fariseus, sentindo necessidade de desprestigiar Jesus diante do povo, lançaram nas mãos dele a maior batata quente daquele momento: O "DIVÓRCIO", que já naquele tempo era polêmico. A última vítima tinha sido João Batista. Herodes Magno, o representante de Roma entre os judeus, tinha repudiado também sua mulher e ainda por cima vivia adulteramente com a sua cunhada Herodíades, mulher do seu irmão Herodes Felipe. João, ardoroso profeta, teve a coragem de lançar-lhe em rosto o seu pecado. O assunto era polêmico no momento. Alguns escribas só permitiam o divórcio em caso de adultério da mulher(...)
A parte mais insidiosa dos fariseus foi a atribuição feita a Moisés de ter instituído o Divórcio como se ele tivesse emitido um papel passado no cartório ("uma certidão"), autorizando o Divórcio. O que tinha acontecido é que o regime patriarcalista judeu permitia, nos primórdios, que, por qualquer motivo, o homem podia abandonar sua mulher. Despejada de casa, ela tornava-se difamada, desvalorizada. Por causa da brutalidade do fato, "Moisés saiu em defesa da mulher. Estatuiu que, ao despedi-la, o homem era obrigado a dar-lhe o documento que passava a ser garantia de sua honra e, assim, ela podia procurar outra solução para a sua vida. Então, Jesus entra sabiamente na questão. Não condena Moisés: antes, explica a atitude dele. Não cita os escribas e expõe, de maneira cristalina, a doutrina do Divórcio; tão cristalina que muitos teólogos procuraram nela possíveis saídas para justificar o Divórcio e não encontraram.
"POR ISSO, O HOMEM DEIXARÁ SEU PAI E SUA MÃE E OS DOIS SERÃO UMA SÓ CARNE. ASSIM, JÁ NÃO SÃO MAIS DOIS, MAS UMA SÓ CARNE. PORTANTO, O QUE DEUS UNIU, O HOMEM NÃO SEPARE!"
Jamais se disse ou se dirá coisa mais bonita sobre "a vida a dois" do que esse trecho. E a coisa mais genial, ou melhor, "divina" da Bíblia é queela continua VIVA, apesar de ter sido escritahá mais de dois mil anos: viva e presidindo os tempos como se o escritor (instrumento de Deus) estivesse olhando o fato que está acontecendo hoje. O trecho acima condena o intrometimento dos pais na vida dos filhos casados, que tanto acontece hoje. Condena também o intrometimento de terceiros, que se introduzem, desautorizadamente, na vida dos dois. O provérbio, sabiamente, vem condenara ilegítima interveniência: "Na vida dos casados, não metas a colher."
"Divórcio" significa "separação". Vem da palavra latina "divortium". Até se emprega na expressão "divortium aquarum" (separação das águas) e serve para mostrar o ponto em que um rio se bifurca, e é muito triste figurar assim o "Divórcio", o ponto em que um rio se divide em dois, os quais vão se separando pouco a pouco, tomando, daí em diante, direções cada vez mais opostas.
Podemos figurar também "a vida a dois" com a união de duas plantinhas que se juntam, se enraízam, criam flhos, acabam formando uma coisa só. Como é que pode ser fácil, depois de tantas raízes enrodilhas, separar os dois sem violentações? Por mais que a mídia demagógica tente mostrar o divórcio como uma coisa banal, simples como beber um copo d'água, os psicólogos estão a mostrar os traumas do divórcio, principalmente se já há filhos.
A apreciação da vida dos casadosà luz da mídia tem sido feita unilateralmente mostrando só o lado tentador da satisfação sexual a todo custo; mostrando, portanto, que a vida dos casados só vale a pena mudando de parceiros quanto mais melhor. Escondem as compensações de tantas "vidas a dois" também fascinantes, casais que se completam, que sentem apoio um no outro e que não sabem mais viver a sós. Há uma marcha de carnaval muito antiga, que diz assim:
"A vida de casado é boa,
a vida de solteiro é melhor.
Solteiro vao pra onde quer,
casado tem que levar a mulher."
Nessa quadrinha, é explorado só o lado grosseiramente comodista da vida, tratando, discriminadamente, a mulher. Deixa que o passeio para alguém pode ser mais fascinante levando a mulher do que a sós.
REFLEXÕES:
É tempo de reforçar sua união a dois, criar liames, criar brolhos entrelaçando os filhos, até que você possa dizer batendo no peito, orgulhosamente: "Nós é que somos casados!"
FRANCISCO VALMIR ROCHA


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