REFLEXÃO BÍBLICA SOBRE Mc 10, 35-45 - 29º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B

A expectativa da entrada em Jerusalém é grande por parte dos discípulos de Jesus. É incrível como, na véspera da paixão, embora Jesus tivesse predito por três vezes que iria ser morto em Jerusalém com palavras claras como estas: "O Filho do Homem é entregue às mãos dos homens e eles o matarão", os discípulos estavam enganados sobre o ponto mais importante da vida de Jesus, que é a sua morte na cruz para remir a humanidade! A própria passagem "...e morto, depois de três dias ele ressuscitará" era interpretado como a sua coroação como Rei Universal(...) E, nesse novo reino, os apóstolos seriam os novos ministros do povo. Veja Frei Clarêncio Neotti in "Comentários aos Evangelhos Dominicais e Festivos - Ano B - pag. 203. Então, na expectativa desses gloriosos acontecimentos, os filhos de Zebedeu, Tiago e João, queriam um lugar privilegiado nos triunfos aguardados.

"...e quem quiser ser o primeiro seja o escravo de todos."

Essa exigência é central e básica para os que querem ser discípulos de Cristo. Tão básica que Jesus quis ensinar dramaticamente quando, na última ceia, cingindo-se de uma toalha, pôs-se a lavar não a cabeça mas os pés de todos os discípulos. Tão humilhante era a ação, que Pedro revoltou-se e propôs que Ele lavasse somente a cabeça ou o resto do corpo.
Essa exigência de ser escravo de todos para ser discípulo de Cristo ia na contramão da maneira de pensar no tempo de Jesus. Os convidados para um banquete buscavam sempre os lugares de honra, procuravam ficar do lado direito do dono da casa. Os que buscavam o templo, procuravam ficar lá na frente de todos, em lugar de honra.
Essa exigência também não é compreendida hoje. Os escolhidos por nós para serem os primeiros no Governo da Nação são tomados de verdadeiro frenesi para ocupar os altos escalões, numa ânsia incontida de "dominar" e não de "servir". Quando a preocupação em Jesus era sempre "os outros", os nossos chefes só se preocupam com "eles mesmos" (Vide Pe. Nilo - coluna-laranja de "O Domingo" de hoje).

E o que dizer da ordem para "servir" nos nossos lares hoje?

Em algum dos nossos lares cristãos, o dono da casa é o mais comodista. O mandamento para ele, o que conta para ele, "é ser servido". Quem vai buscar os chinelos dele é sempre a criança. Quem vai à porta da frente é o filho, a esposa ou o criado, embora ele esteja ao pé dela. Deixa sempre para a mulher a tutela dos filhos, ensinar-lhes os exercícios da aula, comparecer as reuniões de "pais e mestres" etc, etc.

REFLEXÕES:

- Que a roda do nosso movimento ou pastoral lembre-nos aquela roda dos discípulos na última ceia, em que Jesus, o Mestre, cingiu-se da toalha e lavou os pés de todos. É bom que o própria liderança de movimento ou pastoral se preocupe apenas em servir a todos.

FRANCISCO VALMIR ROCHA

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