No Evangelho de hoje, Marcos agrupa uma série de ensinamentos de Jesus, pronunciados em diferentes circunstâncias e reunidos aqui para expressar as condições que deve ter o seu discípulo. - “MESTRE, VIMOS UM HOMEM EXPULSAR DEMÔNIOS EM TEU NOME... NÓS O PROIBIMOS...”
Essa passagem acontecida nos tempos de Jesus continua a acontecer em nossos tempos, no meio das nossas Igrejas. Ela se resume nesta palavra: COMPETIÇÃO RELIGIOSA, ou se quisermos uma expressão mais forte teremos o SECTARISMO RELIGIOSO. Frei Clarêncio Neotti, no seu livro “Ministério da Palavra – Ano B – tem algumas considerações a respeito (pág. 194): “A tendência de apropriar-se de Jesus é grande... Não podemos impedir o Espírito Santo de Deus de agir. Ele atua onde quer e quando quer.”(...)
- “E, SE ALGUÉM ESCANDALIZAR UM DESTES ‘PEQUENINOS’ QUE CREEM...”
A palavra “pequeninos”, como se é levado a crer, não se refere a “crianças”. Jesus chama de “pequeninos” aos infantes na fé, aos que ainda estão a caminho de Deus. Os discípulos de Jesus têm que apoiar, ser luz, ser palavra, ser ânimo para os titubeantes na fé. “Deus não apaga o pavio que ainda fumega.”
Essa palavra é bem oportuna para os nossos dias. Nossos telejornais estão apregoando as mais repugnantes notícias de pedofilia, de estupros cometidos contra as nossas crianças pelos próprios pais no interior de sua própria casa. Como tremeríamos se ouvíssemos de Jesus por sobre essas notícias fumegantes estas palavras: “Melhor seria se fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada no pescoço.”!
- “SE TUA MÃO TE LEVA A PECAR, CORTA-A!”- “SE TEU PÉ TE LEVA A PECAR, CORTA-O!” – “SE TEU OLHO TE LEVA A PECAR, ARRANCA-O!”
- A MÃO na Bíblia foi sempre ligada a “roubo”, porque se pega e se carrega o objeto roubado é com a mão. Ainda hoje, o castigo para quem rouba no mundo árabe é cortar as mãos. A mão prende-se também a violência, porque nós agredimos é com os punhos da mão e com ela acionamos o gatilho. Então a lição que Jesus quer ensinar é que o seu discípulo não será violento.
- O PÉ na Bíblia é símbolo de poder. Colocar-se aos pés de outro é o ato mais genuíno de submissão. Era muito comum na antiguidade prostrar-se aos pés do rei. O gladiador romano, exultante, manifestava, orgulhosamente, a sua vitória na arena calcando o seu pé direito sobre a nuca do vencido. Jesus, na última ceia, subverte o orgulho humano, como expressão máxima de submissão e servidão, lava “os pés” dos seus discípulos. Nessa passagem, Jesus quer que esteja longe dos seus discípulos a fome de dominar os outros.
- O OLHO na Bíblia está ligado à cobiça e à inveja. Tem-se a convicção de que “o mal olhado” (ação de quem cobiça o que é do outro) pode até gerar doença. Ainda hoje, “deitar olho grande”, “deitar um olho gordo”, ou “deitar olho comprido” significa que alguém está desejando o que é do outro. Então, o seu discípulo deve cortar de sua vida a INVEJA.
- A INTERPRETAÇÃO MAIS DIRETA E RESUMIDA DA PASSAGEM é que “cortar o pé”, “cortar a mão” e “arrancar o olho” não significa decepar o órgão, evidentemente; mas suprimir a função do órgão. Os arroubos da linguagem, a radicalidade das antíteses de São Marcos nessa passagem exigem a prontidão que devemos ter nas ocasiões do pecado.
REFLEXÕES
- Na nossa reflexão não pode haver discriminação. Deus nem sempre escolhe os mais instruídos e os mais falantes para ser seus profetas. Deus pode falar pela boca da pessoa menos imprevista e o Espírito Santo sopra onde quer.
FRANCISCO VALMIR ROCHA


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