REFLEXÃO DO EVANGELHO DOMINICAL - Mc 9, 30-37 - 25º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO B

"JESUS E SEUS DISCÍPULOS ATRAVESSARAM A GALILEIA. ELE NÃO QUERIA QUE NINGUÉM SOUBESSE DISSO, POIS ESTAVA ENSINANDO A SEUS DISCÍPULOS."

Ao instruir os seus discípulos, Jesus se defrontou com algo inteiramente adverso do modelo que Ele queria para eles:
- Os filhos de Zebedeu pleiteavam declaradamente, como se fosse a coisa mais natural e ética, lugares de honra no seu reinado futuro.
- Pedro julgava estar ajudando, ao tirar da cabeça de Jesus ideias que não se coadunavam com a imagem de um rei coroado que ele tinha na sua fantasia.
- Os discípulos discutiam pelo caminho, de maneira dissimulada e às ocultas do Mestre, sobre quem era o mais importante entre eles e quem tinha "mais prestígio" (Pe. Nilo Bortolini - coluna-laranja de "O Domingo" de hoje)(...)

Então, Jesus pegou uma criança, que, com certeza, estava lá por trás, colocou-a no meio da roda abraçando-a e apresentou-a como a imagem perfeita do discípulo que Ele sonhava.
Lá mais na frente, deu seu recado de maneira mais dramática: na última ceia, pegou uma bacia com água, cingiu-se com uma toalha e passou a lavar os pés empoeirados dos seus discípulos. Não havia maneira mais frisante de tirar as ideias de grandor que povoavam a cabeça dos discípulos, a começar de Pedro, o chefe deles.

"EM SEGUIDA, PEGOU UMA CRIANÇA, COLOCOU-A NO MEIO DELES..."
QUE IMAGEM DEVERIAM BUSCAR NAQUELA CRIANÇA OS DISCÍPULOS DAQUELE TEMPO E OS DE HOJE?

- Uma criança é a "inocência" em carne e osso.
- É o exemplo mais vivo da "pureza de coração".
- Os seus olhos estão sempre desanuviados de toda a "malícia".
- A criança não está sempre ocupada como se diz o adulto quando precisamos dele. Ela está sempre "disponível".
- A criança "não sente necessidade de dominar". Ela não sonha em ter criados para mandar.
Mas achamos que a imagem mais genuína que Cristo quis passar de uma criança foi o espírito de dependência dos pais, "a carência permanente de seus afetos".
Assim deve ser o discípulo de Cristo: um ser sempre dependente e carente de Deus.

REFLEXÕES:

Observamos que o que mais nos faz nos dispensar de Deus é o estado de "autossuficiência" que julgamos ter conseguido com o uso dos bens terrenos, um estado de euforia e contentamento, que julgamos eterno e suficiente, capaz de até nos dispensar de Deus. Esse é o perigo maior da posse do dinheiro. É com esse encanto que o deus dinheiro conquista seus adeptos no mundo capitalista.

FRANCISCO VALMIR ROCHA

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