Na Palestina a estrutura social é patriarcal. A família hebréia é grande e ampla. A poligamia continua sendo lícita, embora esteja somente ao alcance dos que têm meios econômicos suficientes. Na casa de família vivem a esposa principal e as secundárias, os filhos e filhas de todas, juntamente com os criados e criadas, escravos e escravas.A família é chamada de "casa do pai". O pai a governa como senhor absoluto. Ele é o dono responsável dos bens da família. Os filhos homens são seus herdeiros. As filhas aumentam o patrimônio, graças ao preço que os pretendentes pagam ao pai ao comprá-las(...)
O pai é o único que tem direito de dispor, dar ordens, castigar, pronunciar as orações, principalmente a bênção da mesa, oferecer os sacrifícios. Ele é o mestre de seus filhos.
Como mãe, a mulher é respeitada e reverenciada, pois os filhos são presente e bênção de Deus. A mulher é bendita por seus filhos, sobretudo se são homens.
EM TUDO INFERIOR AO HOMEM
No tempo de Jesus a mulher judia era considerada em tudo inferior ao homem.
Há uma expressão, uma espécie de fórmula, que se repete com frequência e expressa o escasso apreço em que a mulher era tida: "mulheres, escravos, crianças". Como o escravo não-judeu e o filho menor de idade, a mulher pertence completamente ao seu dono: ao pai, se for solteira (o pai pode vender sua filha como escrava quando ela tem entre 6 e 12 anos e meio de idade), ao marido, se for casada; ao cunhado solteiro, se for viúva sem filhos (Dt 25, 5-10; cf. Mc 12, 18-27).
O marido é o dono da mulher, e ela não pode dispor nem, dos ganhos do seu trabalho, nem do que recebe.
A pobreza das mulheres aparece no relato da viúva pobre que "depositou tudo o que tinha, tudo o que possuía para viver" no Tesouro do Templo. "Tudo o que tinha para viver" eram "duas pequenas moedas" (Mc 12, 41-44). A maior parte dos pobres, dos que não sabem onde encontrarão comida para saciar sua fome, escravos de um pouco de comida, são, ontem e hoje, as mulheres e os filhos que delas dependem.
O CULTO RELIGIOSO NÃO ERA PARA ELAS
A religião judaica era uma religião de homens. No Templo e na sinagoga homens e mulheres ficavam rigorosamente separados. As mulheres sempre em lugares inferiores, secundários. O culto na sinagoga era celebrado apenas caso houvesse ao menos 10 homens. As mulheres não contavam, por mais numerosas que fossem. Estavam isentas de peregrinar a Jerusalém nas grandes festas anuais, a que estavam obrigados os homens, e de outras práticas religiosas. Não estavam aptas sequer, na sociedade patriarcal, para pronunciar a ação de graças à mesa, nas refeições. Todavia, eram obrigadas a cumprir todas as proibições da lei religiosa, e submetidas também a todo o rigor da legislação civil e penal, inclusive a pena de morte (Jo 8, 1-5).
CONDENADAS À IGNORÂNCIA
A mulher não recebia instrução religiosa. Supunha-se fosse incapaz de compreendê-la. Chega-se a extremos como os do rabi Eliezer, da época de Jesus: "Quem ensina a Torá à sua filha, ensina-lhe a libertinagem (fará mau uso daquilo que aprendeu)". "É melhor queimar a Lei santa do que entregá-la a uma mulher."
As escolas eram reservadas aos homens. Os "mestres" (doutores da Lei) não tinham "discípulas".
QUAL É A ATITUDE DE JESUS PARA COM AS MULHERES?
Devemos ter presente que os primeiros seguidores do movimento de Jesus foram homens judeus e mulheres judias.
Para o Reinado de Deus, anunciado por Jesus, todos são convidados: as mulheres e os homens, as prostitutas e os piedosos fariseus. Ninguém é excluído.
A afirmação de Jesus: "Muitos que agora são os primeiros, serão os últimos, e muitos que agora são os últimos serão os primeiros" (Mc 10, 31), aplica-se também às mulheres e à sua situação de inferioridade nas estruturas dominadas pelos homens, nas estruturas patriarcais.
Com seu comportamento na vida diária, Jesus de Nazaré se levantou contra esse sistema sociorreligioso, dominante e opressivo para a mulher. As palavras levadas pelo vento, e as declarações muitas vezes são promessas vãs que, em geral, ficam no papel, que tudo aceita. Jesus, porém, com sua atuação concreta dá a mulher o seu lugar na vida social e religiosa. Para Jesus:
- a mulher tem a mesma dignidade, categoria e direitos que o homem;
- por isso ele abertamente rejeita as leis e costumes discriminatórios que menosprezam essa dignidade , categoria e direitos;
- arriscando com isso o seu prestígio e a sua vida.
FONTE:
FÉLIX MORACHO - "COMO LER OS EVANGELHOS"
FÉLIX MORACHO - "COMO LER OS EVANGELHOS"


Nenhum comentário :
Postar um comentário