Senhor Jesus Cristo, Tu que caminhastes no chão deste mundo, testemunhando o Projeto de Deus para a humanidade, ensinando homens e mulheres a viverem a radicalidade dos valores do Reino de Deus, chamando todos à decisão do seguimento e a assumirem as exigências da Missão, faze com que nós, cristãos leigos e leigas, respondamos com a vida ao Teu chamado, na nossa vida pessoal, na família, na comunidade, no trabalho, na ação política e na sociedade. Que hoje se revigorem em nós as motivações e a graça dos Sacramentos do Batismo e da Crisma, doados pelo amor da Trindade Santa, tornando-nos “protagonistas da evangelização”, testemunhando presença na construçãode uma sociedade justa e solidária. Que nossa disposição de conversão nos levea amar os excluídos e a superar a exclusão -particularmente a exclusão dos empobrecidos,dos menores abandonados, dos doentes, da mulher, do negro, dos povos indígenas, dos alcoólatras, dos encarcerados, dos drogados, dos desempregados, dos idosos e dos moradores de rua - para assumir com responsabilidade e discernimento a exigência de novos ministérios, respondendo criativamenteaos desafios de nosso tempo, no novo milênio. Amém.
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"Através da música e da arte, sobretudo na liturgia, os leigos evangelizam de uma forma dinâmica e criativa".
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COMPROMISSO SOCIAL
“Se eu dou comida aos pobres,
Eles me chamam de santo.
Se eu pergunto por que os pobres
não têm comida,
eles me chamam de comunista”
(Dom Helder Câmara)
“Em 1986, tombava assassinado à bala o Pe. Josimo: estava envolvido com os pobres trabalhadores do campo, posicionando-se a seu lado. Por isso pesava sobre ele ameaça de morte. E continuou firme. Em seu testamento revela o significado desse compromisso e sua disposição de entregar-se: (...) ‘Nem o medo me detém. É hora de assumir. Morro por uma causa justa. Agora quero que vocês entendam o seguinte: tudo isto que está acontecendo é uma consequência lógica do meu trabalho, na luta e defesa pelos pobres, em prol do Evangelho. A minha vida nada vale em vista da morte de tantos pais lavradores assassinados, violentados, despejados de suas terras. Deixando mulheres e filhos abandonados, sem carinho, sem pão e sem lar’. (...) A esperança cristã nada tem de passividade. O contrário do cristianismo é esperar sentado. Quem entende a ressurreição do Cristo como um arrebentar a morte, a escravidão, o pecado, e como uma abertura definitiva para a vida nova, para a liberdade, para a Justiça, é lógico que seja um revolucionário. Não se pode ser cristão, se não se é revolucionário. Não se pode ser cristão, se não se é utópico. Não se pode ser cristão, se não se é, no melhor sentido, ativista” (Libânio. Deus e os homens... pg.83s).
“Frente à religiosidade tradicional teocêntrica (que aponta para seres intermediários, santos, na busca das bênçãos de um Deus – “Pai” – distante, para corpos alquebrados num “mundo perdido”), o cristianismo de renovação, mais antropocêntrico, cria Comunidades Carismáticas e Movimentos Espirituais que visam uma experiência psicológica e íntima do Espírito de Deus na própria pessoa, atestando pois os dons da presença vivificante do Deus vivo no mundo. Por sua vez, o cristianismo de libertação, mais historiocêntrico, inventou as Comunidades Eclesiais de Base e as Pastorais engajadas: elas criam uma espiritualidade em torno do seguimento do Senhor Jesus na práxis histórica libertária, questionando assim os senhores deste mundo injusto e militando gratuita e vigorosamente por um mundo melhor. Trata-se de uma experiência de Deus através do compromisso social” (Aragão, Gilbraz. O cristianismo diante do pluralismo religioso. Fragm. Cult. No. 6, pg. 1346).
“A Terra, é, segundo notáveis cientistas, um superorganismo vivo, denominado Gaia, com calibragens refinadíssimas de elementos físico-químicos e auto-organizacionais que somente um ser vivo pode ter. Nós, seres humanos, podemos ser o satã da Terra, como podemos ser seu anjo da guarda bom. Esta visão exige uma nova civilização e um novo tipo de religião, capaz de re-ligar Deus e mundo, mundo e ser humano, ser humano e a espiritualidade do cosmos. O cristianismo é levado a aprofundar a dimensão cósmica da encarnação, da inabitação do espírito da natureza e do panenteísmo, segundo o qual Deus está em tudo e tudo está em Deus. Importa fazermos as pazes e não apenas uma trégua com a Terra. Cumpre refazermos uma aliança de fraternidade/sororidade e de respeito para com ela. E sentirmo-nos imbuídos do Espírito que tudo penetra e daquele Amor que, no dizer de Dante, move o céu, todas as estrelas e também nossos corações. Não cabe opormos as várias correntes da ecologia. Mas discernirmos como se completam e em que medida nos ajudam a sermos um ser de relações, produtores de padrões de comportamentos que tenham como consequência a preservação e a potenciação do patrimônio formado ao longo de 15 bilhões de anos e que chegou até nós e que devemos passá-lo adiante dentro de um espírito sinergético e afinado com a grande sinfonia universal” (Boff, Leonardo. Desafios ecológicos do fim do milênio. Folha de São Paulo, 12/5/96).
E não são apenas cristãos que experimentam a Deus como amor, através do compromisso social, político ou ecológico. “Há uma percepção difusa, uma certa sensibilidade desenvolvida em grupos minoritários, especialmente de jovens, intelectuais, adultos recém-entrados na vida profissional, mulheres e marginalizados étnico-culturais, de que a humanidade mesma está em perigo. Trata-se, portanto, de defender a sobrevivência física, psíquica e espiritual da civilização. As ameaças vêm de muitas partes: a terrível espiral mútuo-alimentadora da produtividade e do consumo, a frieza tecnocrática nas decisões sob formas autoritárias, antiparticipativas e altamente elitistas, extrema racionalização dos objetivos geradora de esterilidade afetiva, esfriamento nas relações humanas, uma razão programadora e calculadora que embota a sensibilidade, uma desigualdade instituída como norma e sofisticadamente mantida mesmo nos países mais avançados, um doloroso anonimato reforçado pelo inchamento das cidades e secundarização das relações humanas, a escalada atemorizante da violência urbana e no campo, a percepção de viver-se numa ordem selvagem, anômica e sem-ética.
Frente a esta percepção global da sociedade surgem esses movimentos alternativos lutando por valores antagônicos à ordem estabelecida: incremento de criatividade, busca de auto-realização, reconhecimento dos sentimentos e emoções, sensibilidade para o novo, responsabilidade social, libertação dos sentidos, naturalidade, espontaneidade, atmosfera humana de amor e ternura, autonomia, implantação de nova ordem de liberdade, aberta aos problemas, pluralista, sem violência e repressão de qualquer tipo que seja. Esta aspiração vai tomando formas no movimento feminista, no movimento de defesa dos consumidores, no movimento ecológico, no movimento de minorias étnico-culturais, no movimento de reforço da consciência nacional contra forças opressoras internacionais, numa gama bem diversa de grupos de auto-ajuda psicológico-terapêutica” (Libânio. Deus e os homens... pg. 90).
O SAL DA TERRA (Beto Guedes/Arnaldo Bastos)
“Anda, quero te dizer nenhum segredo
Falo nesse chão, da nossa casa
Vem que tá na hora de arrumar
Tempo, quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante
Nem por isso quero me ferir
Vamos precisar de todo mundo
Pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver
A paz na terra, amor
O pé na terra
A paz na terra, amor
O sal da terra
És o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro
Tu que és a nave nossa irmã
Canta , leva tua vida em harmonia
Que nos alimenta com teus frutos
Tu que és do homem a maçã
Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois
Deixa nascer o amor
Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor
Deixa viver o amor
O sal da terra”.
PARA DINÂMICA DE GRUPO:
COMO EXPLICAR O EMPENHO E ATÉ A ENTREGA DA VIDA DE MILITANTES DOS MOVIMENTOS SOCIAIS E RELIGIOSOS, NA BUSCA DE CRIAR UMA SOCIEDADE ALTERNATIVA, MAIS JUSTA E AMOROSA?
COMO É A EXPERIÊNCIA DE DEUS QUE ACONTECE NA VIDA DE QUEM SE COMPROMETE COM O AMOR AO OUTRO, OU A UMA CAUSA ECOLÓGICA OU POLÍTICA?
mpo específico de atuação dos leigos/as é no campo político e nas esferas sociais"
A FAMÍLIA É SAGRADA NA SOCIEDADE MODERNA, DIZ FILÓSOFO FRANCÊS
Os filhos tomaram o lugar da fé e das ideologias na vida espiritual do homem moderno, apontou o filósofo francês e ex-ministro da Educação da França, Luc Ferry, em entrevista à revista Veja desta semana. "No século XX, o ser humano virou sagrado", disse.
No livro recém lançado "Famílias, amo vocês", Ferry assinala que a família é a "única entidade realmente sagrada na sociedade moderna, aquela pela qual todos nós, ocidentais, aceitaríamos morrer, se preciso".
O filósofo definiu sagrado como "algo pelo qual vale a pena morrer". Afirmou que hoje, no Ocidente, "ninguém mais aceita morrer por um deus, um país ou um ideal".
Ele admitiu, contudo, que religiosos extremistas no Islã sacrificam vidas, e na Chechênia ou na Ossétia cidadãos estão dispostos a morrer pela nação. "Mas garanto que não há cidadãos com tais intenções na Alemanha, na França ou nos Estados Unidos. Em contrapartida, não conheço pai que não arriscaria a vida por seus filhos. Os filhos se tornaram o principal canal para o homem tentar transcender espiritualmente", comparou.
Foi entre os séculos XVII e XVIII que a infância passou a ser definida como um período de fragilidade e de ingenuidade, lembrou. A família da Idade Média era muito mais dividida do que hoje, havia muito mais pais e mães que criavam seus filhos sozinhos. Para o filósofo, o declínio da família e o fim da família nuclear é um clichê que não se sustenta.
Estudioso de Immanuel Kant, Ferry criticou a lógica contemporânea que valoriza o hiperconsumo. "O que nos dá a sensação de progredir, de ser felizes, pelo menos momentaneamente, é comprar, comprar e comprar", o que não basta, alertou.
A sociedade hoje não se inspira em ideais superiores em termos de civilização. "A sociedade se movimenta no sentido de estabelecer a concorrência acirrada entre todos os indivíduos, sem objetivos finais claros. A história não se move pela aspiração a um mundo melhor, mas pela ação mecânica da competição", arrolou.
Na entrevista, Ferry destacou que o cidadão ocidental tem medo de tudo. "Qualquer ameaça, como o terrorismo, o aquecimento global ou a gripe aviária, desperta uma neurose global". No livro "Aprender a viver", o ex-ministro escreveu que o ser humano precisa de filosofia, mais do que se imagina.
"Mais do que nunca, vivemos num mundo no qual a religião não é suficiente para dar ao homem as respostas que ele procura", disse, explicando que a religião procura encontrar a paz interior e a felicidade através da fé, enquanto a filosofia tem o mesmo propósito, mas através da razão e sem a intervenção de um deus.
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No livro recém lançado "Famílias, amo vocês", Ferry assinala que a família é a "única entidade realmente sagrada na sociedade moderna, aquela pela qual todos nós, ocidentais, aceitaríamos morrer, se preciso".
O filósofo definiu sagrado como "algo pelo qual vale a pena morrer". Afirmou que hoje, no Ocidente, "ninguém mais aceita morrer por um deus, um país ou um ideal".
Ele admitiu, contudo, que religiosos extremistas no Islã sacrificam vidas, e na Chechênia ou na Ossétia cidadãos estão dispostos a morrer pela nação. "Mas garanto que não há cidadãos com tais intenções na Alemanha, na França ou nos Estados Unidos. Em contrapartida, não conheço pai que não arriscaria a vida por seus filhos. Os filhos se tornaram o principal canal para o homem tentar transcender espiritualmente", comparou.
Foi entre os séculos XVII e XVIII que a infância passou a ser definida como um período de fragilidade e de ingenuidade, lembrou. A família da Idade Média era muito mais dividida do que hoje, havia muito mais pais e mães que criavam seus filhos sozinhos. Para o filósofo, o declínio da família e o fim da família nuclear é um clichê que não se sustenta.
Estudioso de Immanuel Kant, Ferry criticou a lógica contemporânea que valoriza o hiperconsumo. "O que nos dá a sensação de progredir, de ser felizes, pelo menos momentaneamente, é comprar, comprar e comprar", o que não basta, alertou.
A sociedade hoje não se inspira em ideais superiores em termos de civilização. "A sociedade se movimenta no sentido de estabelecer a concorrência acirrada entre todos os indivíduos, sem objetivos finais claros. A história não se move pela aspiração a um mundo melhor, mas pela ação mecânica da competição", arrolou.
Na entrevista, Ferry destacou que o cidadão ocidental tem medo de tudo. "Qualquer ameaça, como o terrorismo, o aquecimento global ou a gripe aviária, desperta uma neurose global". No livro "Aprender a viver", o ex-ministro escreveu que o ser humano precisa de filosofia, mais do que se imagina.
"Mais do que nunca, vivemos num mundo no qual a religião não é suficiente para dar ao homem as respostas que ele procura", disse, explicando que a religião procura encontrar a paz interior e a felicidade através da fé, enquanto a filosofia tem o mesmo propósito, mas através da razão e sem a intervenção de um deus.
O QUE SIGNIFICAM AS CINZAS NA LITURGIA?
O uso litúrgico das cinzas tem sua origem no Antigo Testamento. As cinzas simbolizam dor, morte e penitência. Por exemplo, no livro de Ester, Mardoqueu se veste de saco e se cobre de cinzas quando soube do decreto do Rei Asuer I (Xerxes, 485-464 antes de Cristo) da Pérsia que condenou à morte todos os judeus de seu império. (Est 4,1). Jó (cuja história foi escrita entre os anos VII e V antes de Cristo) mostrou seu arrependimento vestindo-se de saco e cobrindo-se de cinzas (Jó 42,6). Daniel (cerca de 550 antes de Cristo) ao profetizar a captura de Jerusalém pela Babilônia, escreveu: "Volvi-me para o Senhor Deus a fim de dirigir-lhe uma oração de súplica, jejuando e me impondo o cilício e a cinza" (Dn 9,3). No século V antes de Cristo, logo depois da pregação de Jonas, o povo de Nínive proclamou um jejum a todos e se vestiram de saco, inclusive o Rei, que além de tudo levantou-se de seu trono e sentou sobre cinzas (Jn 3,5-6). Estes exemplos retirados do Antigo Testamento demonstram a prática estabelecida de utilizar-se cinzas como símbolo (algo que todos compreendiam) de arrependimento.
O próprio Jesus fez referência ao uso das cinzas. A respeito daqueles povos que recusavam-se a se arrepender de seus pecados, apesar de terem visto os milagres e escutado a Boa Nova, Nosso Senhor proferiu: "Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e as cinzas. (Mt 11,21) A Igreja, desde os primeiros tempos, continuou a prática do uso das cinzas com o mesmo simbolismo. Em seu livro "De Poenitentia" , Tertuliano (160-220 DC), prescreveu que um penitente deveria "viver sem alegria vestido com um tecido de saco rude e coberto de cinzas". O famoso historiador dos primeiros anos da igreja, Eusébio (260-340 DC), relata em seu livro A História da Igreja, como um apóstata de nome Natalis se apresentou vestido de saco e coberto de cinzas diante do Papa Ceferino, para suplicar-lhe perdão. Sabe-se que num determinado momento existiu uma prática que consistia no sacerdote impor as cinzas em todos aqueles que deviam fazer penitência pública. As cinzas eram colocadas quando o penitente saía do Confessionário.
Já no período medieval, por volta do século VIII, aquelas pessoas que estavam para morrer eram deitadas no chão sobre um tecido de saco coberto de cinzas. O sacerdote benzia o moribundo com água benta dizendo-lhe: "Recorda-te que és pó e em pó te converterás". Depois de aspergir o moribundo com a água benta, o sacerdote perguntava: "Estás de acordo com o tecido de saco e as cinzas como testemunho de tua penitência diante do Senhor no dia do Juízo?" O moribundo então respondia: "Sim, estou de acordo". Se podem apreciar em todos esses exemplos que o simbolismo do tecido de saco e das cinzas serviam para representar os sentimentos de aflição e arrependimento, bem como a intenção de se fazer penitência pelos pecados cometidos contra o Senhor e a Sua igreja. Com o passar dos tempos o uso das cinzas foi adotado como sinal do início do tempo da Quaresma; o período de preparação de quarenta dias (excluindo-se os domingos) antes da Páscoa da Ressurreição. O ritual para a Quarta-feira de Cinzas já era parte do Sacramental Gregoriano. As primeiras edições deste sacramental datam do século VII. Na nossa liturgia atual da Quarta-feira de Cinzas, utilizamos cinzas feitas com os ramos de palmas distribuídos no ano anterior no Domingo de Ramos. O sacerdote abençoa as cinzas e as impõe na fronte de cada fiel traçando com essas o Sinal da Cruz. Logo em seguida diz : "Recorda-te que és pó e em pó te converterás" ou então "Arrepende-te e crede no Evangelho".
Devemos nos preparar para o começo da Quaresma compreendendo o significado profundo das cinzas que recebemos. É um tempo para examinar nossas ações atuais e passadas e lamentarmo-nos profundamente por nossos pecados. Só assim poderemos voltar nossos corações genuinamente para Nosso Senhor, que sofreu, morreu e ressuscitou pela nossa salvação. Além do mais esse tempo nos serve para renovar nossas promessas batismais, quando morremos para a vida passada e começamos uma nova vida em Cristo.
Finalmente, conscientes que as coisas desse mundo são passageiras, procuremos viver de agora em diante com a firme esperança no futuro e a plenitude do Céu.
Bênção e imposição das cinzas no início da Quaresma(Quarta-feira de cinzas)
O próprio Jesus fez referência ao uso das cinzas. A respeito daqueles povos que recusavam-se a se arrepender de seus pecados, apesar de terem visto os milagres e escutado a Boa Nova, Nosso Senhor proferiu: "Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e as cinzas. (Mt 11,21) A Igreja, desde os primeiros tempos, continuou a prática do uso das cinzas com o mesmo simbolismo. Em seu livro "De Poenitentia" , Tertuliano (160-220 DC), prescreveu que um penitente deveria "viver sem alegria vestido com um tecido de saco rude e coberto de cinzas". O famoso historiador dos primeiros anos da igreja, Eusébio (260-340 DC), relata em seu livro A História da Igreja, como um apóstata de nome Natalis se apresentou vestido de saco e coberto de cinzas diante do Papa Ceferino, para suplicar-lhe perdão. Sabe-se que num determinado momento existiu uma prática que consistia no sacerdote impor as cinzas em todos aqueles que deviam fazer penitência pública. As cinzas eram colocadas quando o penitente saía do Confessionário.
Já no período medieval, por volta do século VIII, aquelas pessoas que estavam para morrer eram deitadas no chão sobre um tecido de saco coberto de cinzas. O sacerdote benzia o moribundo com água benta dizendo-lhe: "Recorda-te que és pó e em pó te converterás". Depois de aspergir o moribundo com a água benta, o sacerdote perguntava: "Estás de acordo com o tecido de saco e as cinzas como testemunho de tua penitência diante do Senhor no dia do Juízo?" O moribundo então respondia: "Sim, estou de acordo". Se podem apreciar em todos esses exemplos que o simbolismo do tecido de saco e das cinzas serviam para representar os sentimentos de aflição e arrependimento, bem como a intenção de se fazer penitência pelos pecados cometidos contra o Senhor e a Sua igreja. Com o passar dos tempos o uso das cinzas foi adotado como sinal do início do tempo da Quaresma; o período de preparação de quarenta dias (excluindo-se os domingos) antes da Páscoa da Ressurreição. O ritual para a Quarta-feira de Cinzas já era parte do Sacramental Gregoriano. As primeiras edições deste sacramental datam do século VII. Na nossa liturgia atual da Quarta-feira de Cinzas, utilizamos cinzas feitas com os ramos de palmas distribuídos no ano anterior no Domingo de Ramos. O sacerdote abençoa as cinzas e as impõe na fronte de cada fiel traçando com essas o Sinal da Cruz. Logo em seguida diz : "Recorda-te que és pó e em pó te converterás" ou então "Arrepende-te e crede no Evangelho".
Devemos nos preparar para o começo da Quaresma compreendendo o significado profundo das cinzas que recebemos. É um tempo para examinar nossas ações atuais e passadas e lamentarmo-nos profundamente por nossos pecados. Só assim poderemos voltar nossos corações genuinamente para Nosso Senhor, que sofreu, morreu e ressuscitou pela nossa salvação. Além do mais esse tempo nos serve para renovar nossas promessas batismais, quando morremos para a vida passada e começamos uma nova vida em Cristo.
Finalmente, conscientes que as coisas desse mundo são passageiras, procuremos viver de agora em diante com a firme esperança no futuro e a plenitude do Céu.
Bênção e imposição das cinzas no início da Quaresma(Quarta-feira de cinzas)
Aceitando que nos imponham as cinzas, expressamos duas realidades fundamentais:
Somo criaturas mortais; tomar consciência de nossa fragilidade, de inevitável fim de nossa existência terrestre, nos ajuda a avalira melhor os rumos que compete dar à nossa vida: "você é pó, e ao pó voltará" (Gn 3, 19). Somo chamado;
Somos chamados a nos converter ao Evangelho de Jesus e sua proposta do Reino, mudando nossa maneira de ver, pensar, agir.
Muitas comunidades sem padre assumiram esse rito significativo como abertura da quaresma anual, realizando-o numa celebração da Palavras.
Veja mais embasamentos bíblicos sobre as cinzas através das seguintes passagens: (Nm 19; Hb 9,13); como sinal de transitoriedade (Gn 18,27; Jó 30,19). Como sinal de luto (2Sm 13,19; Sl 102,10; Ap 19,19). Como sinal de penitência (Dn 9,3; Mt 11,21). Faça uma pesquisa através de todas estas passagens bíblicas, prestando a atenção ao texto e seu contexto, relacionando com a vida pessoal, comunitária, social e com o rito litúrgico da Quarta-feira de cinzas.
A primeira parte deste texto foi traduzido de um escrito do Padre Saunders que apareceu publicado no Arlington Catholic Herald, em 17 de fevereiro de 1994. O Padre Saunders é Presidente do Instituto Notre Dame para Catequese e Assistente de Pároco na Igreja Rainha dos Apóstolos em Alexandria, Virigina. (Cortesia do Website EWTN, 1998) .A segunda parte foi obtida do opúsculo SÍMBOLOS NA LITURGIA, Ione Buyst, Paulinas, 1998.
ORAÇÃO DA CF/2009
Bom é louvar-vos, Senhor, nosso Deus,
que nos abrigais à sombra de vossas asas,
defendeis e protegeis a todos nós, vossa família,
como uma mãe, que cuida e guarda seus filhos.
Nesse tempo em que nos chamais à conversão,
à esmola, ao jejum, à oração e à penitência,
pedimos perdão pela violência e pelo ódio
que geram medo e insegurança.
Senhor, que a vossa graça venha até nós
e transforme nosso coração.
Abençoai a vossa Igreja e o vosso povo,
para que a Campanha da Fraternidade
seja um forte instrumento de conversão.
Sejam criadas as condições necessárias
para que todos vivamos em segurança,
na paz e na justiça que desejais.
Amém.
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que nos abrigais à sombra de vossas asas,
defendeis e protegeis a todos nós, vossa família,
como uma mãe, que cuida e guarda seus filhos.
Nesse tempo em que nos chamais à conversão,
à esmola, ao jejum, à oração e à penitência,
pedimos perdão pela violência e pelo ódio
que geram medo e insegurança.
Senhor, que a vossa graça venha até nós
e transforme nosso coração.
Abençoai a vossa Igreja e o vosso povo,
para que a Campanha da Fraternidade
seja um forte instrumento de conversão.
Sejam criadas as condições necessárias
para que todos vivamos em segurança,
na paz e na justiça que desejais.
Amém.
O QUE É RELIGIÃO?
Rubem Alves
Houve um tempo em que os descrentes, sem amor a Deus e sem religião, eram raros. Todos eram educados para ver e ouvir as coisas do mundo religioso e a conversa cotidiana confirmava que este é um universo encantado que esconde e revela um poder espiritual. A exigência de um sentido para a vida trazia às religiões uma certa identidade e lhes dava vida.
Apesar do encanto ter sido quebrado, a religião não desapareceu. Mudou de foco e de moradia. Enquanto no mundo sagrado, a experiência religiosa era parte integrante de cada um, no mundo das ciências fora colocada para fora. No entanto, ela resistiu, surge forte quando se esgotam os recursos diante de um coração arrasado pela dor e insegurança.
A religião surge na vida humana como tentativa de transubstanciar a natureza e dar espaço aos seus desejos em busca dos horizontes. Enquanto o animal é o seu corpo, sempre produzindo a mesma coisa, os homens se recusaram a ser aquilo que o passado lhes propunha. Na sua inquietação e busca, produziram cultura e educaram. Criaram mundos imaginários e passaram de geração em geração através da cultura que se estruturou a partir de seu desejo.
Sendo o desejo sintoma de privação, a cultura cria exatamente o objeto desejado na busca de um mundo que possa ser amado. No entanto, a cultura não é garantia de que o desejo foi alcançado, mas é externalização do desejo em meio à sua ausência. Enquanto o desejo não se realiza, resta cantá-lo, dizê-lo, celebrá-lo.
Nascem então os símbolos, testemunha das coisas ainda ausentes, saudade de coisas que não nasceram, no ponto em que a cultura fracassou, como horizontes direcionadores. Nenhum fato, coisa, ou gesto, entretanto, é encontrado já com as marcas do sagrado. Eles se tornam religiosos quando os homens os batizam como tais. A religião nasce quando os homens dão nomes às coisas, atribuindo-lhes valores e dependurando neles o seu destino. Ela não está preocupada com os fatos, mas com os objetos que a imaginação pode construir em busca do esperado. As entidades religiosas se identificam com as imaginárias que tornam o mundo humano uma realidade.
A natureza não depende da vontade humana para existir. Mas a cultura é diferente. Tudo que surgiu com a atividade humana (adornos, linguagem, etc) quando o homem desaparecer desaparecerá. As coisas culturais foram inventadas, no entanto, aparecem aos nossos olhos como se fossem naturais pelo processo de reificação, ou, como prefere Rubem Alves, coisificação.
Isso se aplica de maneira peculiar aos símbolos. De tanto serem repetidos e compartilhados com sucesso nós os reificamos, passamos a tratá-los como se fossem coisas. Os símbolos que se mantêm vitoriosos recebem o nome de verdade, enquanto os derrotados são ridicularizados como superstições ou perseguidos como heresias.
O universo religioso encantado não poderia ser manipulado ou controlado pela burguesia que encontrou na previsibilidade da matemática, instrumento ideal para a construção de um mundo vazio de mistérios e dominado pela razão. O mundo religioso e seus símbolos foram lançados nas chamas.
Alinhada aos interesses da burguesia, a ciência se apresenta vitoriosa. Determina que o conhecimento só pode ser alcançado através do método científico. E o discurso religioso? Só pode ser classificado como engodo consciente. Estabeleceu-se um quadro simbólico no qual não havia lugar para a religião. Deusficou confinado aos céus, dividindo-se áreas de influência: aos comerciantes e políticos foram entregues a terra, os mares, as fábricas e até os corpos das pessoas. A religião foi aquinhoada com a administração do mundo invisível, o cuidado da salvação, a cura das almas aflitas.
No entanto, os julgamentos de verdade e de falsidade não podem ser aplicados à religião, pois no mundo dos homens podem ser encontrados dois tipos de coisas: as coisas/símbolo, aquelas que significam outras e as coisas que são elas mesmas, não significam outras. Enquanto os símbolos carecem que comprovação as coisas são elas mesmas e não precisam passar pelo crivo de falso ou verdadeiro. A religião se apresenta como coisa e sua realidade não pode ser negada.
As religiões se estabelecem e subsistem a partir da divisão bipartida do universo entre o sagrado e o profano. Sagrado e profano não são propriedades das coisas. Eles se estabelecem pelas atitudes dos homens perante coisas, espaços, tempos, pessoas, ações. Enquanto o mundo profano se resume ao círculo do utilitário, o sagrado avança para o ideal. Se o homem é senhor do mundo utilitário, no sagrado ele é servo. O sagrado é apresentado como centro do mundo, a origem da ordem, a fonte das normas, a garantia da harmonia que se manifesta na e pela sociedade.
A religião como fato social não está completamente à mercê da análise sociológica, pois os sentimentos religiosos se encontram numa esfera de experiência indiferente à análise sociológica, por ser íntima, subjetiva e existencial.
A religião é o clamor daqueles que sofrem e sonham para acalentar a alma, definindo o mundo sagrado como um grito que ecoa a essência humana.
A religião tem um caráter ambivalente: ela pode prestar a objetivos opostos, tudo dependendo daqueles que manipulam os símbolos sagrados. Ela pode ser usada para iluminar ou para cegar. Mas, na figura dos mártires tem sido expressão das dores e das esperanças dos que não têm poder, apresenta um Deus que é o protesto e o poder dos oprimidos dando o toque e o sentido para a vida, declarando que vale a pena viver.
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Rubem Alves
Houve um tempo em que os descrentes, sem amor a Deus e sem religião, eram raros. Todos eram educados para ver e ouvir as coisas do mundo religioso e a conversa cotidiana confirmava que este é um universo encantado que esconde e revela um poder espiritual. A exigência de um sentido para a vida trazia às religiões uma certa identidade e lhes dava vida.
Apesar do encanto ter sido quebrado, a religião não desapareceu. Mudou de foco e de moradia. Enquanto no mundo sagrado, a experiência religiosa era parte integrante de cada um, no mundo das ciências fora colocada para fora. No entanto, ela resistiu, surge forte quando se esgotam os recursos diante de um coração arrasado pela dor e insegurança.
A religião surge na vida humana como tentativa de transubstanciar a natureza e dar espaço aos seus desejos em busca dos horizontes. Enquanto o animal é o seu corpo, sempre produzindo a mesma coisa, os homens se recusaram a ser aquilo que o passado lhes propunha. Na sua inquietação e busca, produziram cultura e educaram. Criaram mundos imaginários e passaram de geração em geração através da cultura que se estruturou a partir de seu desejo.
Sendo o desejo sintoma de privação, a cultura cria exatamente o objeto desejado na busca de um mundo que possa ser amado. No entanto, a cultura não é garantia de que o desejo foi alcançado, mas é externalização do desejo em meio à sua ausência. Enquanto o desejo não se realiza, resta cantá-lo, dizê-lo, celebrá-lo.
Nascem então os símbolos, testemunha das coisas ainda ausentes, saudade de coisas que não nasceram, no ponto em que a cultura fracassou, como horizontes direcionadores. Nenhum fato, coisa, ou gesto, entretanto, é encontrado já com as marcas do sagrado. Eles se tornam religiosos quando os homens os batizam como tais. A religião nasce quando os homens dão nomes às coisas, atribuindo-lhes valores e dependurando neles o seu destino. Ela não está preocupada com os fatos, mas com os objetos que a imaginação pode construir em busca do esperado. As entidades religiosas se identificam com as imaginárias que tornam o mundo humano uma realidade.
A natureza não depende da vontade humana para existir. Mas a cultura é diferente. Tudo que surgiu com a atividade humana (adornos, linguagem, etc) quando o homem desaparecer desaparecerá. As coisas culturais foram inventadas, no entanto, aparecem aos nossos olhos como se fossem naturais pelo processo de reificação, ou, como prefere Rubem Alves, coisificação.
Isso se aplica de maneira peculiar aos símbolos. De tanto serem repetidos e compartilhados com sucesso nós os reificamos, passamos a tratá-los como se fossem coisas. Os símbolos que se mantêm vitoriosos recebem o nome de verdade, enquanto os derrotados são ridicularizados como superstições ou perseguidos como heresias.
O universo religioso encantado não poderia ser manipulado ou controlado pela burguesia que encontrou na previsibilidade da matemática, instrumento ideal para a construção de um mundo vazio de mistérios e dominado pela razão. O mundo religioso e seus símbolos foram lançados nas chamas.
Alinhada aos interesses da burguesia, a ciência se apresenta vitoriosa. Determina que o conhecimento só pode ser alcançado através do método científico. E o discurso religioso? Só pode ser classificado como engodo consciente. Estabeleceu-se um quadro simbólico no qual não havia lugar para a religião. Deusficou confinado aos céus, dividindo-se áreas de influência: aos comerciantes e políticos foram entregues a terra, os mares, as fábricas e até os corpos das pessoas. A religião foi aquinhoada com a administração do mundo invisível, o cuidado da salvação, a cura das almas aflitas.
No entanto, os julgamentos de verdade e de falsidade não podem ser aplicados à religião, pois no mundo dos homens podem ser encontrados dois tipos de coisas: as coisas/símbolo, aquelas que significam outras e as coisas que são elas mesmas, não significam outras. Enquanto os símbolos carecem que comprovação as coisas são elas mesmas e não precisam passar pelo crivo de falso ou verdadeiro. A religião se apresenta como coisa e sua realidade não pode ser negada.
As religiões se estabelecem e subsistem a partir da divisão bipartida do universo entre o sagrado e o profano. Sagrado e profano não são propriedades das coisas. Eles se estabelecem pelas atitudes dos homens perante coisas, espaços, tempos, pessoas, ações. Enquanto o mundo profano se resume ao círculo do utilitário, o sagrado avança para o ideal. Se o homem é senhor do mundo utilitário, no sagrado ele é servo. O sagrado é apresentado como centro do mundo, a origem da ordem, a fonte das normas, a garantia da harmonia que se manifesta na e pela sociedade.
A religião como fato social não está completamente à mercê da análise sociológica, pois os sentimentos religiosos se encontram numa esfera de experiência indiferente à análise sociológica, por ser íntima, subjetiva e existencial.
A religião é o clamor daqueles que sofrem e sonham para acalentar a alma, definindo o mundo sagrado como um grito que ecoa a essência humana.
A religião tem um caráter ambivalente: ela pode prestar a objetivos opostos, tudo dependendo daqueles que manipulam os símbolos sagrados. Ela pode ser usada para iluminar ou para cegar. Mas, na figura dos mártires tem sido expressão das dores e das esperanças dos que não têm poder, apresenta um Deus que é o protesto e o poder dos oprimidos dando o toque e o sentido para a vida, declarando que vale a pena viver.
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