REGIÃO NORTE:
CÉSAR AUGUSTO ROCHA E FÁBIO FONTENELE DE MELO
PARÓQUIA DE CAMOCIM
ADELINO VIANA DE OLIVEIRA E FRANCISCA LOPES DA SILVA SOUZA
PARÓQUIA DE CHAVAL
GLEICIANE ARAÚJO VERAS E TEREZINHA ARAÚJO DE BRITO
PARÓQUIA DE TIMONHA
MANOEL GUILHERME DA CUNHA NETO E TÂNIA MARIA MAGALHÃES ARAGÃO
PARÓQUIA DE GRANJA
REGIÃO CENTRO:
LUCIVANDA FONTENELE DE CARVALHO, LUZIA FROTA DE LIMA, KATIANE MARQUES DE SOUSA E MARIA HELENA DE CARVALHO
PARÓQUIA DE TIANGUÁ
MARIA DAS CHAGAS GOMES DE MOURA E BENEDITA ALVES DE SOUSA
PARÓQUIA DE OITICICAS
MARIA STELA AGUIAR DE HOLANDA
PARÓQUIA DE UBAJARA
REGIÃO SUL:
SOFIA MARIA DE FÁTIMA FARIAS E JOÃO PAULO L. CARVALHO
PARÓQUIA DE SÃO BENEDITO
FRANCISCO DAS CHAGAS DE SOUSA DO NASCIMENTO E KLÉBER BORGES LIMA
PARÓQUIA DE GUARACIABA DO NORTE
MARIA EURENI ABREU SILVA
PARÓQUIA DE CROATÁ
MARIA JOSÉ FERREIRA DA SILVA LOPES
PARÓQUIA DE CARNAUBAL
MEMBROS DO CONSELHO DIOCESANO DE LEIGOS
O SANTO SUDÁRIO
definição ciência fé
O Santo Sudário é o pano de linho puro, que foi utilizado para envolver o corpo de Jesus Cristo após sua crucificação, antes que este tenha sido levado ao Santo Sepulcro. Mede 4 metros e 36 centímetros de comprimento por 1 metro e 10 centímetros de largura. Encontra-se hoje na cidade de Turim, na Itália. No tecido encontramos manchas de sangue humano, com as marcas do flagelo e suplício sofridos por Jesus de Nazaré. Este pano é a prova maior da existência de Cristo e do que este sofreu.
Após a fotografia tirada do Santo Sudário em 1898, ficou mais fácil estudá-lo à luz da ciência, devido à nitidez da figura de frente e de costas. E desde então tem se discutido o assunto sem o apoio exclusivo da Fé, facilitando assim a aceitação por qualquer ser humano, de qualquer raça ou religião. É, sem dúvida, uma relíquia que tem muito a esclarecer sobre a História da Humanidade.
CRONOLOGIA
O Santo Sudário, no início, ficou sob os cuidados de Maria Santíssima, depois, dos apóstolos. No século II falou-se de um Santo Linho, venerado em Edessa (hoje Urfa, na Turquia). Durante muito tempo, falou-se do Sudário de Edessa, mas somente no terceiro século, depois de surgir o rei Constantino, de Roma, filho da rainha Helena (Santa Helena), os cristãos puderam professar sua fé, pois, até então, eram mortos ou sacrificados ao rezar ou falar de Jesus.
Apresentamos agora um breve resumo das viagens e fatos mais importantes do Santo Sudário. Escolha uma data e clique nela para saber mais.
436 - Em Costantinopla, a Imperatriz Pulquéria fez construir a Basílica de Santa Maria dos "Blachernes", onde iria depositar os panos mortuários de Jesus, recentemente descobertos. Documento escrito por Nicéforo Calixto em sua História Eclesiástica.
525 - Em Edessa descobriram uma imagem do rosto de Cristo. Da imagem querupita diziam: "não foi feita por mão humana". O rosto impresso no mandilhom de Edessa era semelhante ao que temos no Sudário.
787 - No II Concílio de Nicéia foi o argumento principal em defesa da legitimidade do uso de imagens sagradas contra as teses dos iconoclastas. Essa fase foi utilizada como protótipo de todas as imagens de Jesus, como fonte principal, até hoje. Numa das imagens contaram 250 pontos de congruência quando superposta ao Sudário.
944 - A imagem foi transladada de Edessa para Constantinopla (hoje Istambul) onde foi desdobrada, podendo ver o corpo inteiro da figura humana.
1147 - Luís VII, Rei da França, durante sua visita a Constantinopla, venerou o Sudário ali custodiado.
1171 - Segundo Guilherme de Tyr, o imperador grego, Manuel I, mostrou ao Rei Amaury de Jerusalém, as relíquias da paixão: lança, cravos, esponja e a coroa de espinhos que ele conservava na capela do "Bucoleon". A Mortalha estava em "Blachernes", segundo Roberto de Clari.
1204 - Durante a ocupação de Constantinopla pelos Cruzados, muitas relíquias dispersaram-se. Existem testemunhos escritos do Cruzados que dizem haver visto o Sudário do Senhor.
1353 - O Sudário caiu nas mãos de Godofredo de Charny, em Lirey (França). A partir desse momento, a permanência do Santo Linho no Ocidente está rigorosamente documentada.
1453 - O Sudário passou a ser propriedade do Duque Luiz de Sabóia, que O levou para Chambéry (França), a capital de seus domínios.
1502 - Ficou custodiado dentro de uma urna de prata colocada sobre uma gruta escavada no muro da sacristia da "Santa Capela" gótica, em Chambéry, expressamente erigida, cujas paredes de pedra estão revestidas e decoradas. A Igreja passou a ser chamada de "Santa Capela", por ser a mais antiga da França e guardar relíquias de Jesus.
1532 - Na noite de 3 para 4 de dezembro, ocorreu um incêndio no coro-sacristia da "Santa Capela". A arca de prata que continha o Santo Sudário dobrado, teve um lado incendiado pela alta temperatura e uma gota do metal fundido da tampa perfurou as várias dobras do Santo Linho.
1578 - No dia 14 de setembro, o duque Manoel Felisberto traslada o Santo Sudário a Turim, para encontro do arcebispo Carlos Borromeu (São Carlos Borromeu), que havia decidido dirigir-se a pé, de Milão à Chambéry para venerá-lo, devido à promessa feita pelo fim da peste de 1576. Na catedral de São João, desde essa data, o Santo Sudário está guardado, em Turim, na Itália. De lá, poucas vezes saiu, conforme veremos nas datações.
1694 - O Sudário foi colocado na "Capela da Síndone", assim chamada, iniciada em 1657 com o dinheiro arrecadado em sua sepultura por desejo de testamento do próprio Manoel Felisberto. O Projeto da Capela foi feito por B. Quadri, mas só terminou com outro projeto Guarino Guarini. O Sudário ficou no altar que tinha duas faces.
1898 - Foi feita a ostentação do Santo Sudário em comemoração ao 50º aniversário do estatuto concedido ao rei Carlos Alberto em 1848, 4º Centenário da construção da atual Catedral de Turim, 3º Centenário da fundação da "Confraternidade do Santo Sudário" e da de "São Roque", 1500º aniversário de um Concílio celebrado em Turim. Ficou exposto de 25 de março a 2 de junho de 1898. Durante a ostentação, o Sudário foi fotografado por Secondo Pia no dia 28 de maio, pela primeira vez. O resultado foi surpreendente, apresentando a figura, em negativo, de um homem de corpo inteiro de frente e dorso.
1933 - Ostentação em comemoração ao Ano Santo extraordinário, proclamado na ocasião do XIX Centenário da Redenção. Ficou exposto de 24 de setembro a 15 de outubro de 1933, atendendo ao desejo do Papa Pio XI. Aproveitaram para um exame de autenticidade fotográfica feita por Enrie em maio de 1931. Foi confirmada a extraordinária imagem sindônica.
1939-1946 - O Santo Sudário, para ser protegido da Segunda Guerra Mundial, foi secretamente transferido para o Santuário de Monte Vergine (Avellino). Chegou em 25 de setembro de 1939, depois de ter ficado custodiado provisoriamente em Roma, 18 dias na Capela do Palácio Real. Ficou no Monastério do Beneditinos de 25 de setembro de 1939 a 28 de outubro de 1946.
1978 - Ostentação de 28 de agosto a 8 de outubro. Mais de três milhões de pessoas visitaram o Santo Sudário. No dia 13 de outubro, 44 estudiosos italianos estrangeiros, durante 120 horas completas, efetuaram exames e estudos sobre o Santo Sudário. O Sudário ficou na sala do Palácio Real chamada de "biblioteca".
1983 - Em 1452, Margarida de Charny, não querendo restituir o Sudário a Lirey, o cedeu ao duque Ludovico de Sabóia e à Ana de Chipre, sua mulher. O Sudário portanto passou à Casa de Sabóia por mais de 530 anos até a morte de Humberto II (18 de março de 1983), quando em testamento este o doou à Igreja Católica Apostólica Romana. O ato aconteceu no dia 18 de outubro de 1983.
1992 - Reconhecimento do Sudário para uma conservação mais adequada. No dia 7 de setembro, houve uma ostentação privada para especialistas convidados, para sugerirem intervenções adequadas a fim de garantir sua melhor conservação. Um dos estudiosos foi Nicolas Pisano. Estudaram os remendos efetuados, através da história, no Sudário causados pelos incêndios e pela água.
1993 - O Sudário troca provisoriamente de sede. No dia 24 de fevereiro de 1993, o Santo Sudário passou para Nave Central da Catedral de Turim, atrás do altar-mor, por motivo de restauração da Capela Guariniana.
1997 - No dia 12 de abril, um grande incêndio destruiu a Capela do Sudário, e também o coro da Catedral de Turim, onde estava a Relíquia. Foi salvo pelos bombeiros. Dois dias depois do incêndio, a comissão para conservação do Sudário pode comprovar que o Sagrado Linho não havia sofrido dano algum.
1998 - De 18 de abril a 14 de junho, houve a grande ostentação em comemoração ao 500º aniversário da consagração da Catedral de Turim e do Centenário da primeira fotografia. Milhares de pessoas visitaram o Santo Sudário. Nós tivemos a honra de apresentar o Hino ao Santo Sudário em frente à ostentação e proferir a saudação aos povos da América Latina. Centenas de pessoas pediram graças e choraram. O Santo Sudário ficará guardado até o ano 2000 sob os cuidados do cardeal arcebispo de Turim D. Giovanne Cardenal Saldarini, longe do público e dos cientistas.
ESTUDOS CIENTÍFICOS
Quantos fatos já foram comprovados pela ciência? Quantas vezes essa ferramenta foi capaz de desvendar mistérios que pareciam estar fadados ao esquecimento? A ciência, no caso do Santo Sudário, foi fundamental. Não só para que se pudesse comprovar a autenticidade do mesmo , como foi colocado na seção Santo Sudário deste site, mas também para que se pudesse estudar mais detalhadamente as Chagas de Cristo e os detalhes de sua morte. Os fatos relatados nesta seção foram possíveis de serem descritos a partir da contemplação da foto do Santo Linho e da aplicação de conhecimentos médicos em anatomia. A informação é puramente científica! Prepare-se para descobrir detalhes sensacionais sobre a "Paixão de Cristo". Clique acima!!!
Conheça mais sobre o Santo Sudário no site :
http://www.picarelli.com.br/fotolegendas/fotolegenda062003d.htm
Leia mais >>O SIGNIFICADO DA SEMANA SANTA
A Semana Santa é o período em que os cristãos celebram a Paixão (subida de Jesus Cristo ao Monte Calvário), Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, acontecimentos centrais da história da humanidade. Existe um jeito, um lugar, um momento muito especial no qual aprenderemos a “viver a semana santa”. É o que nos aponta o saudoso Papa Paulo VI: “Se há uma liturgia que deveria encontrar-nos todos juntos, atentos, solícitos e unidos para uma participação plena, digna, piedosa e amorosa, esta é a liturgia da grande semana. Por um motivo claro e profundo: o Mistério Pascal, que encontra na Semana Santa a sua mais alta e comovida celebração, não é simplesmente um momento do Ano Litúrgico: ele é a fonte de todas as outras celebrações do próprio Ano Litúrgico, porque todas se referem ao mistério da nossa redenção, isto é, ao Mistério Pascal”.
Eis o sentido do que significa “viver a semana santa”: fazer memória do mistério do amor de Deus que se manifestou na entrega confiante de Jesus ao Pai, até a morte na cruz, por fidelidade à sua missão. Mais ainda, significa celebrar o mistério do amor de Deus que sustentou Jesus em seu calvário e o ressuscitou, o glorificou, o fez sentar-se à sua direita, constituindo-o Cristo, Messias e Senhor.
“Viver a semana santa” significa fazermos memória destas ações maravilhosas de Deus. Mais, saber que estamos “re-vivendo” todos estes fatos. “De geração em geração, cada um de nós é obrigado a ver-se a si próprio, com os olhos penetrantes da fé, como tendo ele mesmo estado lá no Calvário, na primeira sexta-feira santa, e diante do sepulcro vazio, na manhã da ressurreição. Hoje, todos nós, aqui reunidos para celebrar a eucaristia, estávamos lá, prontos a morrer na morte de Cristo e a ressuscitar em sua ressurreição. Será exatamente nossa comunhão com o corpo sacramental do verdadeiro Cordeiro que nos tornará realmente presentes àquele eterno presente” (Césare Giraudo, Redescobrindo a Eucaristia. São Paulo, Loyola, 2002, p. 83).
S. Gregório de Nazianzo, bispo do séc. IV, certamente também nos dá uma dica de como “viver a semana santa”, afirmando com sabedoria: “Se és Simão Cireneu, toma a cruz e segue a Cristo. Se, qual o ladrão, estás crucificado com Cristo, como homem íntegro, reconhece a Deus. Adora aquele que foi crucificado por tua causa. Se és José de Arimatéia, pede o corpo a quem o mandou crucificar; e assim será tua a vítima que expiou o pecado do mundo. Se és Nicodemos, aquele adorador noturno de Deus, unge-o com perfumes para a sua sepultura. Se és Maria, ou a outra Maria, ou Salomé, ou Joana, derrama tuas lágrimas por ele. Levanta-te de manhã cedo, procura ser o primeiro a ver a pedra do túmulo afastada, e a encontrar talvez os anjos, ou melhor ainda, o próprio Jesus” (Liturgia das Horas, vol. II, p. 352).
Aí sim, poderemos exclamar: “FELIZ PÁSCOA!”
- Domingo de Ramos
- Segunda-feira Santa
- Terça-feira Santa
- Quarta-feira Santa ou Quarta-feira de Trevas (Nesse dia realiza-se a celebração do encontro e o ofício de trevas)
- Quinta-feira Santa ou Quinta-Feira de Endoenças
- Sexta-feira Santa (neste dia a Igreja se abstém do sacrifício da Missa)
- Sábado Santo (Neste dia a celebração se divide em: Liturgia da Luz, Liturgia da Palavra, Liturgia Batismal e Liturgia Eucarística)
CARTA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS AO PRESIDENTE LULA
Presidente Lula,Cumprimentamos o Governo Federal pela iniciativa de ouvir os movimentos sociais e sindicais, populares, pastorais sociais e entidades que atuam organizando nosso povo, diante do grave quadro de crise que já se faz sentir, e que - tudo leva a crer - se aprofundará sobre nossa economia, nossa sociedade e em especial sobre o povo brasileiro.
Queremos aproveitar essa oportunidade para manifestar nossas propostas concretas que o Governo Federal deve tomar para preservar, sobretudo, os interesses do povo, e não apenas das empresas e do lucro do capital.
O conjunto dessas propostas se insere no espírito geral, de que devemos aproveitar a brecha da crise para mudar a política macroeconômica de natureza neoliberal, e ir construindo um novo modelo de desenvolvimento nacional, baseado em outros parâmetros, sobretudo na distribuição de renda, na geração de emprego e no fortalecimento do mercado interno.
Nossa preocupação fundamental é aproveitar para que nessa mudança se logrem medidas concretas que visem melhorar as condições de vida de nosso povo, garantindo os direitos à educação pública, gratuita, democrática e de qualidade em todos níveis, à moradia digna, ao acesso à cultura e às reformas urbana e agrária.
Infelizmente, a maioria do nosso povo não tem acesso a esses direitos básicos. Sabemos que poderosos interesses dos capitalistas locais, das empresas transnacionais e, sobretudo do sistema financeiro, concentra cada vez mais riqueza, renda, e impedem que nosso povo usufrua da riqueza por ele produzida.
Já estamos cansados de tanta dominação capitalista, e agora assistimos às crises financeiras e à ofensiva dos interesses do império que controla as riquezas naturais, minerais, a água, as sementes, o petróleo, a energia e o resultado de nosso trabalho.
Diante disso, queremos apresentar-lhe algumas propostas concretas para que possamos resolver, de fato, os problemas do povo, e impedir que de novo as grandes empresas transnacionais e os bancos transfiram para o povo o custo da crise:
Propostas de articulações internacionais:
1. Defendemos como resposta à crise o fortalecimento da estratégia de integração regional, que se materializa a partir dos mecanismos como: MERCOSUL, UNASUL e ALBA.
2. Apoiamos medidas como a substituição do dólar nas transações comerciais por moedas locais, como recentemente fizeram Brasil e Argentina, e sugerimos que esta medida deva ser adotada pelo conjunto dos paises da América Latina.
3. Defendemos a consolidação o mais rápido possível do BANCO DO SUL, como um agente que promova o desenvolvimento regional e que auxilie o crescimento do mercado interno entre os paises da América Latina e como um mecanismo de controle de nossas reservas, para impedir a especulação dos bancos, do FMI, e dos interesses do capital dos Estados Unidos.
4. Nós afirmamos que a atual crise econômica e financeira é de responsabilidade dos países centrais e dos organismos dirigidos por eles, como a OMC, o Banco Mundial e o FMI. Defendemos uma nova ordem internacional, que respeite a soberania dos povos e nações.
5. Pedimos vosso empenho e compromisso pela retirada imediata de todas as forças estrangeiras do Haiti. Nenhum país da América Latina deve ter bases e presença militar estrangeira. Propomos, em seu lugar, a constituição de um fundo internacional solidário para reconstrução econômica e social daquele país. Apresentamos também nossa oposição à reativação da Quarta Frota da Marinha de Guerra dos Estados Unidos em águas da América Latina.
PROPOSTAS DE POLITICAS INTERNAS
1. Controlar e reduzir imediatamente as taxas de juros.
2. Impor um rigoroso controle da movimentação do capital financeiro especulativo, instituindo quarentenas e impedindo o livre circular, penalizando com elevados impostos suas ganâncias.
3. 3. Defendemos que todos os governos devem utilizar as riquezas naturais, da energia, do petróleo, dos minérios, para criar fundos solidários para investir na solução definitiva dos problemas do povo, como direito ao emprego, educação, terra e moradia. Para isso, o governo brasileiro precisa cancelar imediatamente o novo leilão do petróleo, marcado para dia 18 de dezembro.
4. O governo federal deve revisar a política de manutenção do superávit primário, que é uma velha e desgastada orientação do FMI - um dos responsáveis pela crise econômica internacional. E devemos usar os recursos do superávit primário para fazer volumosos investimentos governamentais, na construção de transporte publico e de moradias populares para a baixa renda, dando assim uma grande valorização à reforma urbana e agrária, incentivando a produção de alimentos pela agricultura familiar e camponesa. É preciso investimentos maciços, na construção de escolas, contratação de professores para universalizar o acesso à educação de nossos jovens, em todos os níveis, em escolas públicas, gratuitas e de qualidade.
5. Defendemos que o governo estabeleça metas para a abertura de novos postos de empregos, a partir de um amplo programa de incentivo à geração de empregos formais, em especial entre os jovens. Reajustar imediatamente o salário mínimo e os benefícios da previdência social, como principal forma de distribuição de renda entre os mais pobres.
6. Controlar os preços dos produtos agrícolas pagos aos pequenos agricultores, implantando um massivo programa de garantia de compra de alimentos, através da CONAB. Hoje, as empresas transnacionais que controlam o comércio agrícola estão penalizando os agricultores, reduzindo em 30%, em média os preços pagos do leite, do milho, dos suínos e das aves. Mas, no supermercado, o preço continua subindo.
7. Revogar a Lei Kandir e voltar a ter imposto sobre as exportações de matérias primas agrícolas e minerais, para que a população não seja mais penalizada, para estimular sua exportação.
8. O governo federal não pode usar dinheiro público para subsidiar e ajudar a salvar os bancos e empresas especuladoras, que sempre ganharam muito dinheiro e agora, na crise querem transferir seu ônus para toda sociedade. Quem sempre defendeu o mercado como seu "deus-regulador", agora que assuma as conseqüências dele. Nesse sentido os bancos públicos (BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil) deveriam estar orientados não para socorrer o grande capital e sim para o benefício de todos os povos.
9. Reduzir a jornada de trabalho, em todo o país e em todos os setores, sem redução de salário, como uma das formas de aumentar as vagas. E penalizar duramente as empresas que estão demitindo.
10. A mídia permanece concentrada nas mãos de poucos grupos econômicos. Este quadro reforça a difusão de um pensamento único que privilegia o lucro em detrimento das pessoas e exclui a visão dos segmentos sociais e de suas organizações do debate publico. Para reverter esta situação e colocar a mídia a serviço da sociedade, é preciso ampliar o controle da população sobre as concessões de rádio e TV, fortalecer a comunicação pública e garantir condições para o funcionamento das rádios comunitárias, acabando com a repressão sobre elas. Por tudo isso, é urgente que o governo federal convoque a Conferencia Nacional de Comunicação.
11. Para garantir os territórios e a integridade física e cultural dos povos indígenas e quilombolas como determina a Constituição, o Governo Federal deve continuar demarcando as terras e efetivando a desintrusão desses territórios em todo o país, sem ceder às crescentes pressões dos setores antiindígenas – tanto políticos, como econômicos. Na luta por seus direitos territoriais, os povos indígenas e quilombolas têm enfrentado a violência e a discriminação cada vez mais forte em todo o país. Chamamos especial atenção, nesse momento, para a urgência de se demarcar as terras tradicionais do povo indígena Guarani Kaiowá que vive no Mato Grosso do Sul. Atualmente, eles estão confinados em ínfímas porções de terra e, principalmente por causa disso, há um alto índice de suicídios entre o povo.
12. Realizar a auditoria integral da dívida pública para lançar as bases técnicas e jurídicas para a renegociação soberana do seu montante e do seu pagamento, considerando as dívidas histórica, social e ambiental das quais o povo trabalhador é credor.
13. Defendemos uma reforma política que amplie os espaços de participação do povo nas decisões políticas. Uma reforma não apenas eleitoral, mas que amplie os instrumentos de democracia direta e participativa.
14. Em tempos de crise, há uma investida predatória sobre os recursos naturais como forma de acumulação fácil e rápida, por isso não podemos aceitar as propostas irresponsáveis de mudanças na legislação ambiental por parte dos representantes do agronegócio, que pretende reduzir as áreas de reservas legais na Amazônia e as áreas de encosta, topo de morros e várzeas no que resta da Mata Atlântica. Propomos a criação de uma política de preservação e recuperação dos biomas brasileiros.
15. Contra a criminalizacao da pobreza e dos movimentos sociais. Pelo fim da violência e pelo livre direito de manifestação dos que lutam em defesa dos direitos econômicos, sociais e culturais dos povos.
Esperamos que o governo ajude a desencadear um amplo processo de debate na sociedade, em todos os segmentos sociais, para que o povo brasileiro perceba a gravidade da crise, se mobilize e lute por mudanças.
Atenciosamente,
Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade
Assembléia Popular – AP
Associação Brasileira de Imprensa – ABI
Associação Brasileira de Rádios Comunitárias – ABRAÇO
Associação dos Estudantes de Engenharia Florestal – ABEEF
Associação Nacional de Ong's – ABONG
Associação Nacional de Pós-graduandos – ANPG
Caritas Brasileira
Central de Movimentos Populares – CMP
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB
Central Geral dos Trabalhadores do Brasil – CGTB
Central Única dos Trabalhadores – CUT
CNBB/Pastorais Sociais
Coletivo Brasil de Comunicação – INTERVOZES
Comissão Pastoral da Terra – CPT
Confederação das Associações das Associações de Moradores – CONAM
Confederação Nacional das Associações de Moradores – CONAM
Confederação Nacional do Ramo Químico – CNQ/CUT
Confederação Nacional dos Metalúrgicos – CNM/CUT
Confederação Nacional Trabalhadores da Educação – CNTE
Confederação Nacional Trabalhadores Entidades de Ensino – CONTEE
Conselho Brasileiro de Solidariedade com Povos que Lutam pela Paz – CEBRAPAZ
Conselho Indigenista de Roraima – CIR
Conselho Indigenista Missionário – CIMI
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira – COIAB
Coordenação dos Movimentos Sociais – CMS
Coordenação Nacional de Entidades Negras – CONEN
Evangélicos pela Justiça – EPJ
Federação Estudantes de Agronomia do Brasil – FEAB
Federação Trabalhadores Metalúrgicos do Rio Grande do Sul
Federação Única dos Petroleiros – FUP
Grito dos Excluídos Brasil
Grito dos Excluídos Continental
Instituto Nacional Estudos Sócio-econômicos - INESC
Jubileu Sul Brasil
Marcha Mundial das Mulheres – MMM
Movimento Camponês Popular – MCP
Movimento das Mulheres Camponesas – MMC
Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA
Movimento dos Trabalhadores Desempregados – MTD
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
Movimento Nacional de Luta por Moradia – MNLM
Movimento pela Libertação dos Sem Terras – MLST
Movimento Trabalhadores Sem Teto – MTST
Pastoral da Juventude do Meio Rural – PJR
Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais
Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas – SINTAP/CUT
União Brasileira de Mulheres – UBM
União Estudantes Secundaristas – UBES
União Juventude Socialista – UJS
União nacional de Entidades Negras – UNEGRO
União Nacional dos Estudantes – UNE
União Nacional Moradia Popular – UNMP
Via Campesina
O CASO DE MARIA APARECIDA, UMA LEIGA QUE NÃO FEZ ABORTO.
Maria Aparecida, 48 anos, foi violentada em março de 1975. Ela mesma se prontificou para contar sua história, pois é intransigentemente contrária ao aborto. O estupro que resultou em gravidez teve para ela conseqüências gravíssimas: a perda do noivo (que não aceitou a criança), a incompreensão dos parentes, surras diárias de sua mãe (que não acreditava que a gravidez resultasse de um estupro), e um parto por cesariana. Seu filho Renato está agora cursando a faculdade.- O que a senhora sentiu quando o filho nasceu?
Maria Aparecida: Eu não vi, porque fiquei na UTI. Mas quando eu voltei e vi o meu filho… Nossa! Eu senti a pessoa mais feliz do mundo! Não me lembrei de problema nenhum!
- A senhora se arrepende de não ter abortado?
Maria Aparecida: Nunca!
- Se a senhora tivesse abortado, o que estaria sentindo hoje?
Maria Aparecida: Muito mal. Consciência pesada. Remorsos.
- A senhora acha que qualquer mulher estuprada sentiria remorsos?
Maria Aparecida: Sim. Pelo resto da vida! Eu tenho certeza. Pois eu tenho remorso só de ter pensado em abortar!
- Quando a senhora olha para o seu filho, pensa no estupro?
Maria Aparecida: Não. O preço por ter um filho de estupro é altíssimo. Mas o preço da consciência pesada é muito maior. Eu tenho certeza que quem aborta vive sempre com um martelinho na mente batendo, para que nunca esqueça que é criminosa.
- Criminosa, mesmo em caso de estupro?
Maria Aparecida: Mesmo em caso de estupro. De qualquer maneira.
- A mulher que sofre estupro não tem o direito de abortar?
Maria Aparecida: Não.
- Por que não?
Maria Aparecida: Porque a criança que está no ventre dela não tem culpa de nada.
- O que a senhora sente quando olha para o seu filho?
Maria Aparecida: Eu sinto amor demais! E não suportaria agora pensar que ele não existiria, quando visse uma pessoa da idade dele. Valeu a pena e está valendo. Olha! Se você sofre demais para conseguir uma coisa, é muito mais amor. Porque esse filho é o que mais deu dilema.
[Maria Aparecida foi entrevistada em sua casa no dia 16/02/97]
Diz o Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz:
“Os Juizados de Menores estão com filas enormes de casais à espera de uma criança para adoção. Em último caso, será muito pedir à vítima de estupro que deixe a criança nascer e depois doe a quem quiser adotá-la? Será que a “solução” é matar?
Oferecer à mulher violentada a possibilidade de abortar é, além de tudo, um enorme desserviço prestado a ela. No estado de profundo abalo emocional, ela não é capaz de decidir retamente, e poderá facilmente aceitar o aborto que lhe propõem. Posteriormente, ela sofrerá traumatismos psíquicos, diante dos quais o trauma do estupro é irrisório. Cito palavras da mesma senhora Maria Aparecida citada acima:
Se é verdade que eu já presenciei várias vezes a alegria imensa de uma mãe pela presença do filho fruto de um estupro, a ponto de aliviar ou mesmo curar o trauma da violência, também é verdade que nunca vi o caso de um aborto trazer alívio psicológico para uma mulher. As conseqüências do aborto são tão gravosas, que chegam a constituir um quadro clínico, que os médicos chamam “síndrome pós-aborto”.
Como sacerdote, acostumado a ouvir confissões de moças e senhoras, posso dizer que não conheço algo que arruíne tão horrivelmente a psiqué de uma mulher quanto a lembrança de ter praticado um aborto.” (Pe. Luiz Carlos Lodi)
Entrevistas com outras vítimas de estupro podem ser encontradas na página:
http://www.providaanapolis.org.br/estupro.htm
ENTREVISTA COM D. JOSÉ CARDOSO SOBRINHO
O arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, se pronunciou hoje, 5, sobre o caso da menina que ficou grávida aos 9 anos violentada pelo padrasto em Recife e que por autorização da mãe, teve a gestação interrompida. Internada na última terça-feira, 3, ela recebeu doses de um medicamento para interromper a gravidez.Em entrevista à Canção Nova, o arcebispo mostrou-se mais uma vez contrário ao aborto, já que o Código de Direito Canônico diz que todos aqueles que conscientemente se envolvem num processo de interrupção da vida, como neste caso, estão automaticamente excomungados da Igreja Católica.
Dom José também ressaltou que a excomunhão não é algo irreversível. Basta que a pessoa se arrependa e procure se confessar com um bispo.
noticias.cancaonova.com - O que é a excomunhão?
Dom José Cardoso - A excomunhão é uma penalidade grave e significa que a pessoa que cometeu determinado delito está excluída, não está em comunhão com a Igreja. Ou seja, não pode receber os sacramentos antes de se arrepender e pedir perdão. E não é uma expulsão da Igreja para sempre. Existem tantos pecados graves pelo mundo inteiro e não é aplicada a excomunhão. Por exemplo: um homicídio, como acontece todos os dias, é um pecado gravíssimo, mas não está excomungado.
A Igreja, pensando nos bens espirituais, considera o aborto gravíssimo e, então, estabeleceu essa penalidade. É importante recordar que se trata de uma penalidade automática, uma sentença já proferida. Estou insistindo isso porque, infelizmente, difundiram pelo Brasil afora, que Dom José Cardoso excomungou a menina de 9 anos. Tudo é falso. Eu não excomunguei ninguém. Quem excomungou foi a Lei da Igreja.
Está escrito no Código de Direito Canônico que qualquer pessoa que comete o aborto está automaticamente excomungada. Então, simplesmente eu expus isso para lembrar que não é somente esse caso aqui de Recife. Nós sabemos que, no Brasil, infelizmente acontecem, a cada ano, 1 milhão de abortos. É um absurdo. Eu simplesmente relembrei esta lei.
noticias.cancaonova.com - Em quais casos a excomunhão é prevista pela Igreja?
Dom José Cardoso - A Doutrina Moral da Igreja procura catequizar e preparar os fiéis para viverem de acordo com a Lei de Deus. Nós estudamos o Catecismo da Igreja Católica, aprendemos os Dez Mandamentos e o 5º Mandamento diz "Não matar". Isto é, nenhum ser humano tem direito de tirar a vida de outro.
Agora tratando-se de tirar a vida de um inocente que ainda não nasceu, o caso do aborto, a Igreja diz que é um delito muito mais grave e, por isso, a Igreja estabeleceu para este delito esta pena de excomunhão, que se chama "master sentença", quer dizer é automática, já incorreu.
Quando alguém na sociedade comete um crime, digamos um assalto, um homicídio, não está na mesma hora punido, não. Ele vai ser colocado na prisão, vai ser um processo e, no final, o juiz determina e aplica a pena. Isto na sociedade do mundo inteiro.
Agora, dentro da Igreja, porque nós acreditamos na vida espiritual, a autoridade eclesiástica tem este direito de aplicar uma pena automática, que se chama excomunhão, quer dizer, excluído da comunhão com a Igreja. Mas também, esta penalidade não é para a vida eterna, não, a pessoa tem possibilidade de voltar, de se converter e a Igreja absolve.
Quer dizer, é uma lei da Igreja que, eu gostaria de lembrar, também está escrita no Código de Direito Canônico e está explicada no Catecismo da Igreja Católica* (CIC), este livro tão importante que o Papa João Paulo II colocou em nossas mãos. Qualquer pessoa, bem instruída em religião, vai encontrar no Catecismo da Igreja Católica o que estou dizendo agora, escrito para todos os fiéis do mundo.
noticias.cancaonova.com - Como o senhor avalia a interpretação dada pela imprensa sobre este caso?
Dom José Cardoso - Estão dando uma interpretação errônea. Estão dizendo que eu excomunguei e, isso é totalmente errôneo. Eu simplesmente expliquei, declarei o que aconteceu: "Que quem comete o delito do aborto, está automaticamente excomungado". Mesmo que ninguém soube, está excomungado.
Quando ele se aproximar da Igreja para receber o perdão e confessar o cometido, o padre ou o bispo poderá absolver primeiro da excomunhão e depois do pecado. Este é o sistema da Igreja desde o começo, desde o primeiro século**. E está tão bem explicado neste livro maravilhoso chamado Catecismo da Igreja Católica.
________________________________________
* Cf. CIC, cân. 2270-2275
** Cf. CIC, cân. 2272
UMA GRANDE LIÇÃO DE PAI
O Dr. Arun Gandhi, neto de Mahatma Gandhi e fundador do MK Institute,contou a seguinte história sobre a vida sem violência, na forma de habilidade de seus pais, em uma palestra proferida em junho de 2002 na Universidade de Porto Rico.“Eu tinha 16 anos e vivia com meus pais, na instituição que meu avô havia fundado, e que ficava a 18 milhas da cidade de Durban, na África do Sul. Vivíamos no interior, em meio aos canaviais, e não tínhamos vizinhos, por isso minhas irmãs e eu sempre ficávamos entusiasmados com possibilidade de ir até a cidade para visitar os amigos ou ir ao cinema.
Certo dia meu pai pediu-me que o levasse até a cidade, onde participaria de uma conferência durante o dia todo. Eu fiquei radiante com esta oportunidade. Como íamos até a cidade, minha mãe me deu uma lista de coisas que precisava do supermercado e, como passaríamos o dia todo, meu pai me pediu que tratasse de alguns assuntos pendentes, como levar o carro à oficina.
Quando me despedi de meu pai ele me disse: ‘Nós nos encontraremos aqui, às 17 horas, e voltaremos para casa juntos’. Depois de cumprir todas as tarefas, fui até o cinema mais próximo. Distraí-me tanto com o filme (um filme duplo de John Wayne) que esqueci da hora. Quando me dei conta eram 17h30. Corri até a oficina, peguei o carro e apressei-me a buscar meu pai. Eram quase 18 horas. Ele me perguntou ansioso: ‘Porque chegou tão tarde?’
Eu me sentia mal pelo ocorrido, e não tive coragem de dizer que estava vendo um filme de John Wayne. Então, lhe disse que o carro não ficara pronto, e que tivera que esperar. O que eu não sabia era que ele já havia telefonado para a oficina. Ao perceber que eu estava mentindo, disse-me: ‘Algo não está certo no modo como o tenho criado, porque você não teve a coragem de me dizer a verdade. Vou refletir sobre o que fiz de errado a você. Caminharei as 18 milhas até nossa casa para pensar sobre isso’. Assim, vestido em suas melhores roupas e calçando sapatos elegantes, começou a caminhar para casa pela estrada de terra sem iluminação.
Não pude deixá-lo sozinho… Guiei por 5 horas e meia atrás dele…Vendo meu pai sofrer por causa de uma mentira estúpida que eu havia dito. Decidi ali mesmo que nunca mais mentiria. Muitas vezes me lembro deste episódio e penso: ‘Se ele tivesse me castigado da maneira como nós castigamos nossos filhos, será que teria aprendido a lição?’ Não, não creio. Teria sofrido o castigo e continuaria fazendo o mesmo. Mas esta ação não-violenta foi tão forte que ficou impressa na memória como se fosse ontem. Este é o poder da vida sem violência.”
AS IMAGENS NA TRADIÇÃO DA IGREJA
Na Encarnação do Verbo, Jesus Cristo mostrou aos homens uma face visível de Deus, que quis se servir de numerosos elementos sensíveis (imagens, palavras, cenas históricas…) para nos comunicar a Boa-Nova.Os cristãos foram, então, compreendendo que segundo a pedagogia divina, deveriam passar da contemplação do visível ao invisível. As imagens, principalmente as que reproduziam personagens e cenas da história sagrada, tornaram-se “a Bíblia dos iletrados” ou analfabetos.
As imagens sempre foram usadas por Jesus e pelos Apóstolos como instrumentos eficazes e reveladores da realidade invisível: para anunciar o Reino de Deus usaram imagens de lírios, pássaros, sal, luz, etc., coisas que estimulavam a compreensão do abstrato através de imagens retiradas do mundo concreto. São Paulo também ensina que o Deus invisível tornou-se visível em Jesus Cristo (cf. Cl 1,15).
A controvérsia iconoclasta, inspirada por correntes judaizantes e heréticas nos séculos VIII e IX, que condenava o uso das imagens, terminou com a reafirmação do culto dessas no Concílio de Nicéia II, em 787.
Os Reformadores protestantes rejeitaram as imagens por causa dos abusos do fim da Idade Média. Lutero, porém, se mostrou bastante liberal com as imagens; não as proibia. Ultimamente entre os luteranos a atitude diante das imagens tem sido submetida a revisão. Lutero disse em 1528:
“Tenho como algo deixado à livre escolha as imagens, os sinos, as vestes litúrgicas… e coisas semelhantes. Quem não os quer, deixe-os de lado, embora as imagens inspiradas pela Escritura e por histórias edificantes me pareçam muito úteis… Nada tenho em comum com os Iconoclastas (quebradores de imagens)” (Da Ceia de Cristo).
S. Clemente de Alexandria († antes de 215) dizia que: “O próprio homem é a imagem viva de Deus”, eis o argumento que repete, acrescentando ainda um adágio freqüente na Igreja antiga: “Viste teu irmão, viste teu Deus” (Stromateis I 19 e II 15, PG 8,812 e 1009).
Os cristãos foram percebendo que a proibição de fazer imagens no Antigo Testamento era apenas uma questão pedagógica de Deus com o povo de Israel. As gerações cristãs foram compreendendo que a realidade da Encarnação do Verbo como homem, visível, indicava que eles deveriam subir ao Invisível passando pelo visível que Cristo apresentou aos homens. Assim, começaram a representar e meditar as fases da vida de Jesus e a representação artística das mesmas começaram a surgir como um meio valioso para que o povo fiel se aproximasse do Filho de Deus.
É relevante notar que já nas antigas Catacumbas de Roma, os antigos cemitérios cristãos, encontram-se diversos afrescos geralmente inspirados pelo texto bíblico: Noé salvo das águas do dilúvio, os três jovens cantando na fornalha, Daniel na cova dos leões, os pães e os peixes restantes da multiplicação efetuada por Jesus, o Peixe (Ichthys), que simbolizava o Cristo …
Note que esses cristãos dos primeiros séculos ainda estão debaixo da perseguição dos romanos. E eles faziam imagens e pintavam figuras. Será que eram idólatras por isso? É lógico que não, eles morriam às vezes mártires exatamente para não praticarem a idolatria, reconhecendo César como Deus e lhe queimando incenso. Ora, se os nossos mártires usavam figuras pintadas, é claro que elas são legítimas.
Nas Igrejas as imagens tornaram-se a “Bíblia dos iletrados”, dos simples e das crianças, exercendo grande função catequética. Alguns escritores cristãos nos contam isso.
S. Gregório de Nissa (†394) escreveu:
“O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente” (Panegírico de S. Teodoro, PG 94, 1248c).
S.João Damasceno, doutor da Igreja, grande defensor das imagens no Concilio de Nicéia II, disse:
“O que a Bíblia é para os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados” (De imaginibus I 17 PG, 1248c).
“Antigamente Deus, que não tem corpo nem face, não poderia ser absolutamente representado através duma imagem. Mas agora que Ele se fez ver na carne e que Ele viveu com os homens, eu posso fazer uma imagem do que vi de Deus.”
“A beleza e a cor das imagens estimula minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espetáculo dos campos estimula o meu coração para dar glória a Deus” (CIC, 1162).
“Como fazer a imagem do invisível? … Na medida em que Deus é invisível, não o represento por imagens; mas, desde que viste o incorpóreo feito homem, fazes a imagem da forma humana: já que o inviável se tornou visível na carne, pinta a semelhança do invisível” (I 8 PG 94, 1237-1240).
“Outrora Deus, o Incorpóreo e invisível, nunca era representado. Mas agora que Deus se manifestou na carne e habitou entre os homens, eu represento o “visível” de Deus. Não adoro a matéria, mas o Criador da matéria” (Ibid. I 16 PG 94, 1245s).
O Papa São Gregório Magno († 604), doutor da Igreja, escreveu a Sereno, bispo de Marselha, que ordenou quebrar as imagens:
“Tu não devias quebrar o que foi colocado nas Igrejas não para ser adorado, mas simplesmente para ser venerado. Uma coisa é adorar uma imagem, outra coisa é aprender, mediante essa imagem, a quem se dirigem as tuas preces. O que a Escritura é para aqueles que sabem ler, a imagem o é para os ignorantes; mediante essas imagens aprendem o caminho a seguir. A imagem é o livro daqueles que não sabem ler” (epist. XI 13 PL 77, 1128c).
O Concílio de Nicéia II (787), com base nos sólidos argumentos de grandes teólogos como São João Damasceno, doutor da Igreja, reafirmou a validade do culto de veneração (não adoração) das imagens. O Concílio distinguiu entre Iatréia (em grego adoração), devida somente a Deus, e “proskynesis” (veneração), tributável aos santos e também às imagens sagradas na medida em que estas representam os santos ou o próprio Senhor; o culto às imagens é, portanto, relativo, só se explica na medida em que é tributado indiretamente àqueles que as imagens representam. Assim se pronunciaram os padres conciliares:
“Definimos … que, como as representações da Cruz …, assim também as veneráveis e santas imagens, em pintura, em mosaico ou de qualquer outra matéria adequada, devem ser expostas nas santas igrejas de Deus (sobre os santos utensílios e os paramentos, sobre as paredes e de quadros), nas casas e nas entradas. O mesmo se faça com a imagem de Deus Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, com as da … santa Mãe de Deus, com as dos santos Anjos e as de todos os santos e justos. Quanto mais os fiéis contemplarem essas representações, mais serão levados a recordar-se dos modelos originais, a se voltar para eles, e lhes testemunhar … uma veneração respeitosa, sem que isto seja adoração, pois esta só convém, segundo a nossa fé, a Deus” (sessão 7, 13 de outubro de 787; Denzinger-Schönmetzer, Enchridion Symbolorum nº 600s).
Note, então, que muito antes da Reforma Protestante, a Igreja já tinha estudado o uso das imagens; isto foi há cerca de 750 anos antes da Reforma.
A sagrada Tradição da Igreja, sempre assistida pelo Espírito Santo (cf. Jo14,15.25; 16,12-13) sempre reconheceu o valor pedagógico e psicológico das imagens como um auxílio para a vida de oração.
Todos os santos da Igreja, em todas as épocas, valorizaram as imagens. Santa Teresa de Ávila († 1582), ao ensinar as vias da oração às suas Religiosas, dizia :
“Eis um meio que vos poderá ajudar… Cuidai de ter uma imagem ou uma pintura de Nosso Senhor que esteja de acordo com o vosso gosto. Não vos contenteis com trazê-las sobre o vosso coração sem jamais a olhar, mas servi-vos da mesma para vos entreterdes muitas vezes com Ele” (Caminho de Perfeição, cap. 43,1).
Enfim, Deus não proibiu imagens de maneira absoluta; mas proibiu imagens de ídolos para serem adorados. Sabemos que uma meia verdade é pior do que uma mentira. Não se pode interpretar a Bíblia lendo apenas alguns versículos sobre um determinado assunto; é preciso ler todos os versículos da Bíblia que falam do mesmo assunto para que a interpretação seja correta.
O perigo da interpretação fundamentalista é este: fixar os olhos em um único versículo e querer tirar daí uma interpretação definitiva de uma verdade religiosa. Cai-se no erro.
Prof. Felipe Aquino
D. HÉLDER CÂMARA, MODELO DE PROFETISMO PARA OS LEIGOS/AS
Filho da professora e diretora de escola pública Adelaide Rodrigues Pessoa Câmara e do guarda-livros, jornalista e crítico de teatro João Eduardo Torres Câmara Filho, Hélder Pessoa Câmara, 11º filho de uma família de 13 irmãos, nasceu em Fortaleza, no dia 7 de fevereiro de 1909.Com 14 anos, entrou no Seminário da Prainha de São José, em Fortaleza, onde foi ordenado sacerdote aos 22 anos, após cursar filosofia e teologia. Foi preciso uma licença extraordinária da Santa Sé, pois ele não tinha ainda a idade mínima necessária para a ordenação, a de 24 anos.
Em 1934, foi nomeado diretor do Departamento de Educação do Estado do Ceará, cargo que ocupou por cinco anos. Ainda em 1931 aderiu ao Integralismo, que abandonou em 1936.
Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1936. Foi nomeado assistente técnico do Secretariado de Educação do Distrito Federal , destacando-se em atividades educacionais. Exerceu o cargo de diretor do Ensino Religioso e da Renovação Catequética do arcebispado, além de ser nomeado inspetor de ensino do Ministério da Educação. Tornou-se membro do Conselho Superior de Ensino.
Em 1946 recebeu o convite para assessorar o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Jaime de Barros Câmara, se desligando do Ministério da Educação. Seis anos depois foi nomeado bispo-auxiliar. Fundou a Cruzada de São Sebastião e o Banco da Providência, entidades destinadas ao amparo dos mais pobres.
Em 1952, Dom Hélder Câmara fundou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da qual foi primeiro secretário-geral, durante 12 anos (1952-1964) e, depois, secretário de Ação Social (1964-1968).
Após exercer o cargo de delegado do Brasil na Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano (Celam), tornou-se seu vice-presidente, entre 1958-60 e em 1964.
Chegou a ser nomeado para o Maranhão, mas com a morte de Dom Carlos Gouveia Coelho, foi nomeado arcebispo de Olinda e Recife, em 12 de março de 1964, pouco antes do golpe militar.
Recém-empossado, Dom Hélder divulga manifesto de apoio à ação católica operária no Recife. O novo governo acusa-o de comunista e o arcebispo fica proibido de se manifestar publicamente. A imprensa é proibida até de citar seu nome.
Passa a fazer conferências e pregações no exterior, desenvolvendo intensa atividade a favor dos mais pobres. Em 1970, num pronunciamento em Paris, denuncia, pela primeira vez, a prática de tortura contra presos políticos no Brasil.
Dom Hélder aposentou-se em abril de 1985, na Arquidiocese de Olinda e Recife, tendo organizado mais de 500 comunidades eclesiais de base e sendo substituído pelo arcebispo Dom José Cardoso Sobrinho. No final dos anos 90, lançou a campanha "Ano 2000 Sem Miséria".
Aos 90 anos, faleceu em casa, de insuficiência respiratória, no dia 27 de agosto de 1999, após ficar por alguns dias internado, com pneumonia. Foi sepultado na Igreja da Sé, em Olinda.
Dom Hélder Câmara escreveu 22 livros, que tiveram grande repercussão, sendo traduzidos em várias línguas.
CONSELHO DIOCESANO DE LEIGOS - CDL
O objetivo geral do CDL será sempre estabelecido pelas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e pelo Plano de Pastoral de cada diocese.O CDL deverá alcançar os seguintes objetivos específicos:
- Animar e promover a vocação e a missão dos fiéis leigos na sociedade.
- Animar e promover a organização dos fiéis leigos em associações religiosas, movimentos eclesiais, pastorais, grupos e outras formas associativas, para vivência e realização de sua vocação e missão na sociedade, bem como nas comunidades da Igreja (Diocese e Paróquia).
- Despertar os fiéis leigos, a fim de que desenvolvam uma consciência crítica de sua fé, para uma ação transformadora da sociedade, partindo de uma análise sócio-econômica, política, cultural e religiosa, de um aprofundamento bíblico- teológico, à luz da Evangélica opção preferencial pelos pobres.
- Estimular a participação permanente dos fiéis leigos nos processos de planejamento, decisão execução e avaliação da Ação Pastoral e Evangelizadora da Igreja no Brasil, em cada diocese.
- Incentivar e subsidiar a formação dos fiéis leigos para que participem de associações, sindicatos, partidos políticos, meios de comunicação social, movimentos populares e outros, à luz da fé e do Evangelho.
- Ser instrumento de expressão, comunicação e comunhão dos fiéis leigos e de suas organizações e ser instrumento de representação dos mesmos junto aos setores organizados da sociedade, em nível diocesano.
- Ser órgão de ligação com o Conselho Nacional de Leigos - CNL e o Conselho Regional de Leigos - CRL NE I. Incentivar, articular e colocar o leigo na sociedade.
- Elaborar subsídios e prestar assessoria na formação integral e permanente dos fiéis leigos.
- Fornecer subsídios aos fiéis leigos que atuam em organismos pluralistas, a fim de ajudá-los em suas relações com grupos de outras crenças, visando a uma ação conjunta em favor das grandes causas da humanidade.
- Aprofundar e difundir a espiritualidade dos fiéis leigos - comprometidos na Igreja e no mundo.
- Participar das reflexões com as outras Igrejas Cristãs, visando à caminhada ecumênica, frente à realidade sócio-econômica, política, religiosa e cultural, exigida pelo Reino de Deus.
EM QUE SE BASEIA A ORGANIZAÇÃO DOS CRISTÃOS LEIGOS?
Pelo Batismo, os fiéis leigos "são incorporados a Cristo, constituídos em Povo de Deus e tornados participantes, a seu modo, do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, participando assim da missão de todo o povo cristão".
"A dignidade fundamental do cristão leigo que o insere no mistério de Cristo provém do Batismo que o torna membro de Seu Corpo e templo do Espírito Santo". Em virtude da comum dignidade batismal, o leigo é co-responsável, juntamente com os ministros ordenados, os religiosos e religiosas na missão da Igreja.
Os leigos são chamados a "ser plenamente Igreja", não apenas em função da urgência que se coloca hoje de sua participação na missão global da Igreja, mas, sobretudo, em virtude de sua vocação batismal. O Papa Pio VII já dizia em 1946: "Os leigos são a Igreja. A inserção em Cristo através da fé e dos sacramentos da iniciação cristã é a raiz primeira que dá origem, na base, a todas as vocações e ao dinamismo da vida cristã dos fiéis leigos".
O leigo segundo o documento de Puebla, "é o homem da Igreja no coração do mundo e o homem do mundo no coração da Igreja". Sua primeira tarefa é a de construir o Reino de Deus a partir do engajamento nas realidades do mundo. Essa "Índole secular" do leigo é também ressaltada pela “Christifideles Laici”.
Os leigos são os cristãos mais aptos a "modificar, pela força do Evangelho, os critérios do julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade, que se apresentam em contraste com a Palavra de Deus".
A organização dos leigos que, desde o Concilio Vaticano II, é vista como "sinal de comunhão unidade", recebeu um grande impulso com a publicação da "Christifideles Laici" como conclusão do Sínodo dos Bispos sobre os leigos e vem sendo incentivada de forma crescente sobretudo na América Latina a partir de Puebla. Mas foi em Santo Domingo que ficou mais explícito esse incentivo. Também a Igreja no Brasil, através das Diretrizes Gerais e outros documentos, vem incentivando cada vez mais os leigos a se organizarem. Esse apoio ficou mais explícito ainda com a aprovação por unanimidade das "Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil pela 33º Assembléia Geral da CNBB”.
As conclusões da Conferência de Santo Domingo ressaltam o protagonismo dos leigos na nova evangelização, na promoção humana e na cultura cristã e recomendam que se favoreça a organização dos fiéis leigos, "baseada nos critérios de comunhão e participação e no respeito à liberdade de associação dos leigos na Igreja".
A organização dos leigos não é uma concessão da Igreja hierárquica, mas um direito que "emana do Batismo" em função do chamado à comunhão na missão da Igreja. "Respeitada à devida relação com a autoridade eclesiástica, os leigos têm o direito de fundar associações para fins de caridade ou de piedade, ou para fomentar a vocação cristã no mundo e reunir-se para alcançar em comum esses mesmos fins". Os conselhos de leigos vão nesta linha se fomentar a vocação cristã no mundo e buscam se organizar em "plena comunhão com os Pastores" conforme recomenda o Documento de Santo Domingo.
O QUE É CONSELHO DIOCESANO DE LEIGOS?
O Conselho Diocesano de Leigos - CDL é um organismo de articulação, organização e representação dos cristãos leigos em nível Diocesano. É parte integrante do Conselho Regional de Leigos CRL, os quais, por sua vez integram o Conselho Nacional de Leigos - CNL.
Não se trata de mais um "movimento" ou "pastoral", mas de um organismo que busca integrar os movimentos, pastorais e os leigos presentes em outras organizações eclesiais (paróquias, comunidades, associações etc), organizados em nível Diocesano, bem como os leigos, inclusive de outras denominações cristãs, comprometidos com a evangelização e não integrados em grupos apostólicos.
Também não devem ser confundidos com os Conselhos Diocesanos de Pastoral, dos quais participam não só leigos, mas também o Bispo, sacerdotes, diáconos e religiosos e cuja função especifica é a de planejar e executar as atividades pastorais da Diocese. Uma função, portanto, prioritariamente "ad-intra". Aos Conselhos de Leigos compete antes articular e organizar a ação dos fiéis leigos para que possam melhor cumprir sua vocação e missão na Igreja, mas sobretudo no mundo, respondendo aos imensos desafios do vasto e complicado mundo da política, da economia, da cultura, das ciências e das artes... . Dessa forma, embora todos os organismos da Igreja sejam co-responsáveis na evangelização da sociedade como um todo, aos Conselhos de Leigos é atribuída a tarefa imensa e difícil de transformar, por dentro, as estruturas sociais que estão a serviço de um sistema excludente e profundamente injusto, isto significa que sua ação deve ser prioritariamente "ad-extra".
PARA QUE SERVE O CONSELHO DIOCESANO DE LEIGOS?
Muitas vezes tentamos justificar a criação do conselho de leigos argumentando que os outros segmentos da Igreja já possuem sua organização. Fica a impressão de que estamos nos organizando "contra" esses outros segmentos ou para não ficarmos "por baixo", quando na verdade nossa organização deve dar-se para, em comunhão com esses outros setores da Igreja "graças a Deus" já organizados, para podermos realizar a ação evangelizadora e enfrentar nosso inimigo comum que é um sistema perverso de exclusão e uma realidade profundamente desafiante para nós leigos, que temos no mundo, nosso "campo específico de missão". Na tarefa de organizar os leigos, devemos evitar "uma visão clerical às avessas", tentando criar uma hegemonia de leigos em substituição à hegemonia dos clérigos. Na verdade temos é de superar a própria noção de hegemonia, procurando ver a Igreja "como comunidade, com poderes-serviço". (Igreja comunidade de comunidades com poderes-serviço)
A organização do laicato se coloca hoje como uma tarefa imprescindível frente ao imenso desafio que é a "nova evangelização" proposta pelo saudoso Papa João Paulo II, quando se aproximava o terceiro milênio da era cristã. Superar os limites históricos do nosso cristianismo, por um empenho mais profundo na articulação entre fé e vida; pela superação do "mais devastador e humilhante flagelo" da miséria extrema a que são submetidos milhões de brasileiros, atingidos por diversas formas de exclusão social, étnica e cultural" é o grande desafio que nos é proposto. Na verdade, esses novos tempos nos colocam diante de problemas e dificuldades decorrentes do "indiferentismo religioso, do ateísmo, do secularismo, do consumismo" cujo enfrentamento exige muita coragem e organização.
Quais são, então, os objetivos da articulação e organização do laicato?
Em primeiro lugar o de despertar a consciência da identidade, da vocação e missão dos leigos na busca de uma presença efetivamente transformadora no mundo e na Igreja;
Incentivar a vivência da Igreja-Comunhão, mediante a troca de experiências e vivências entre os diversos movimentos, pastorais, leigos engajados em paróquias e comunidades, no respeito mútuo e na busca de caminhos comuns;
Criar e incentivar mecanismos para oferecer uma formação integral, gradual e permanente aos leigos, mediante "organismos que facilitem a "formação de formadores" e programem cursos e escolas diocesanas...", buscando capacitar os leigos para que possam responder com mais eficácia aos desafios que são chamados a enfrentar num mundo profundamente marcado pelo pluralismo, individualismo, pela "crise ética pública e pelo subjetivismo ético na vida privada".
Levar os leigos a descobrirem e vivenciarem sua espiritualidade nos seus ambientes, à moda do sal e do fermento;
Incentivar a articulação e organização dos leigos nos diferentes níveis da Diocese ( Foranias, Paróquias, Comunidades etc. ) .
Estimular a participação permanente dos leigos nos processos de planejamento, decisão e execução e avaliação da ação evangelizadora da Igreja;
Representar o laicato junto aos setores organizados da Igreja Católica e outras Igrejas Cristãs e da sociedade;
Fazer-se presente na caminhada ecumênica, incentivando a ligação e comunhão entre leigos católicos e de outras Igrejas Cristãs, na base do povo de Deus.
O AMOR (POESIA DE KHALIL GIBRAN)
Quando o amor vos chamar, segui-o,
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SACERDOTES DA DIOCESE DE TIANGUÁ
RUA MONS. INÁCIO NOGUEIRA MAGALHÃES, 1416
CEP – 62400-000
PADRE FRANCISCO EVALDO CARVALHO CARNEIRO
PARÓQUIA DE SANTO ANTÔNIO – CHAVAL
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CEP – 62420-000
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PARÓQUIA DE SANTA LUZIA – TIMONHA
PÇA. DA MATRIZ, S/N
CEP – 62440-000
PADRE SEBASTIÃO DE LIMA
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PADRE LUCIANO SOTERO TELES
A FAMÍLIA É SAGRADA NA SOCIEDADE MODERNA, DIZ FILÓSOFO FRANCÊS
No livro recém lançado "Famílias, amo vocês", Ferry assinala que a família é a "única entidade realmente sagrada na sociedade moderna, aquela pela qual todos nós, ocidentais, aceitaríamos morrer, se preciso".
O filósofo definiu sagrado como "algo pelo qual vale a pena morrer". Afirmou que hoje, no Ocidente, "ninguém mais aceita morrer por um deus, um país ou um ideal".
Ele admitiu, contudo, que religiosos extremistas no Islã sacrificam vidas, e na Chechênia ou na Ossétia cidadãos estão dispostos a morrer pela nação. "Mas garanto que não há cidadãos com tais intenções na Alemanha, na França ou nos Estados Unidos. Em contrapartida, não conheço pai que não arriscaria a vida por seus filhos. Os filhos se tornaram o principal canal para o homem tentar transcender espiritualmente", comparou.
Foi entre os séculos XVII e XVIII que a infância passou a ser definida como um período de fragilidade e de ingenuidade, lembrou. A família da Idade Média era muito mais dividida do que hoje, havia muito mais pais e mães que criavam seus filhos sozinhos. Para o filósofo, o declínio da família e o fim da família nuclear é um clichê que não se sustenta.
Estudioso de Immanuel Kant, Ferry criticou a lógica contemporânea que valoriza o hiperconsumo. "O que nos dá a sensação de progredir, de ser felizes, pelo menos momentaneamente, é comprar, comprar e comprar", o que não basta, alertou.
A sociedade hoje não se inspira em ideais superiores em termos de civilização. "A sociedade se movimenta no sentido de estabelecer a concorrência acirrada entre todos os indivíduos, sem objetivos finais claros. A história não se move pela aspiração a um mundo melhor, mas pela ação mecânica da competição", arrolou.
Na entrevista, Ferry destacou que o cidadão ocidental tem medo de tudo. "Qualquer ameaça, como o terrorismo, o aquecimento global ou a gripe aviária, desperta uma neurose global". No livro "Aprender a viver", o ex-ministro escreveu que o ser humano precisa de filosofia, mais do que se imagina.
"Mais do que nunca, vivemos num mundo no qual a religião não é suficiente para dar ao homem as respostas que ele procura", disse, explicando que a religião procura encontrar a paz interior e a felicidade através da fé, enquanto a filosofia tem o mesmo propósito, mas através da razão e sem a intervenção de um deus.


